Resenha: ‘Vacas – Dawn O’Porter

Oi gente!! E temos as últimas resenhas do ano chegando. O livro de hoje eu recebi em parceria com a HarperCollins Brasil e eu só digo uma coisa: Que Hino!! Vacas da autora Dawn O’Porter é um grito de empoderamento feminino. A cada página eu só conseguia pensar: caramba, isso sempre acontece com as mulheres!!

Antes de falar mais sobre o livro, leiam a sinopse…

“Um pedaço de carne; feito para reproduzir; além da sua data de vencimento; parte do rebanho. Mulheres não têm que se encaixar em estereótipos. Tara, Cam e Stella são estranhas vivendo suas próprias vidas da melhor forma que podem, apesar de poder ser difícil gostar do que você vê no espelho quando a sociedade grita que você devia viver de um jeito específico. Quando um evento extraordinário cria laços invisíveis de amizade entre elas, a catástrofe de uma mulher vira a inspiração de outra, e uma lição para todas. Às vezes não tem problema não seguir o rebanho. Vacas é um livro poderoso sobre três mulheres julgando uma à outra, mas também a si mesmas. Entre todo o barulho da vida moderna, elas precisam encontrar suas próprias vozes.”

O subtítulo de Vacas já diz tudo: Nem toda mulher quer ser princesa. Deve ser legal viver num castelo com o príncipe encantado, mas esse livro fala de como as mulheres reais são vistas e julgadas pela sociedade. E quando eu falo sociedade, eu falo de todas nós mulheres que já apontamos o dedo para a coleguinha em alguma situação. Então vem comigo conhecer nossas protagonistas. Três mulheres que nunca se viram, mas que estão com os destinos ligados, mesmo que elas não soubessem disso.

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Tara é a primeira narradora e ao longo da leitura vocês vão perceber que é a principal protagonista. Ela tem 45 anos, é mãe solteira e uma produtora de vídeos. A filha Annie foi concebida numa noite de sexo casual. Ela nunca contou ao desconhecido que ele teria uma filha e decidiu levar a gravidez a diante por achar que já estava velha demais para ter uma filha do ‘modo convencional’. Só que isso acaba se voltando contra ela seis anos depois do nascimento da filha.

“Meninos são difíceis, mas meninas… vocês são más.”

Ela acaba se envolvendo num escândalo onde é filmada se masturbando no metrô. Tara acreditava estar sozinha, mas acaba sendo filmada e o vídeo viraliza na internet. Com isso ela passa a ficar entre as notícias mais faladas nas redes sociais e começa a sofre as consequências de ter sido pega fazendo algo que ‘não deveria’. Ela perde o emprego, volta para a casa dos pais com a filha pequena, a melhor amiga a abandona porque o marido acha que Tara é má influência além de passar a ser conhecida como A Mulher Siririca. É, o mundo de Tara desabou mesmo.

Além de tudo isso, Jason, o cara que ela tinha saído na fatídica noite, não responde suas mensagens. Ela acredita que ele tenha visto o vídeo e pense que ela é uma pervertida. Tara não sabe o que fazer, então cai no mundo da depreciação e passa a se esconder do mundo. Até seu caminho cruzar com a nossa segunda mulher.

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Camilla Stacey é a famosa blogueira Cam do site How It Is. Um site onde Cam para falar da sua vida e também estimular outras mulheres a conquistarem o que quiserem. Ela não gosta do rótulo de feminista, mas em seus textos tem sempre algo positivo para suas leitoras. Ela é uma mulher de 36 anos, solteira, mas com relacionamentos casuais, que não quer formar família e muito menos ter filhos. O lema de Cam é que ela é feliz sem precisar de outras pessoas.

Infelizmente o único da família que entende Cam é o pai dela. A mãe e as três irmãs acham que Cam tem que ser como elas, mas Cam a cada nova conversa reafirma sua vontade. Durante seus vários posts no blog, ela acaba defendendo Tara dos posts maldosos que ela tem visto serem publicados. Ela diz que ao assistirmos ou compartilharmos o vídeo de Tara nós nos tornamos tão cruéis quanto o rapaz que filmou e divulgou sem o consentimento de Tara.

“Peço que você repense sua atitude em relação a essa história. Não é só o caso de uma mulher sendo flagrada, é o caso de uma mulher sendo explorada.”

É a partir desta publicação que seu caminho cruza com o de Tara. Cam recebe um email agradecido e elas passam a se falar por email diariamente. Cam sente que deveria de alguma forma ajudar Tara a se recuperar de tudo que esta passando, mas ao mesmo tempo ver nesta nova amiga uma chance de se relacionar com pessoas fora de sua família e que não sejam apenas virtuais. Também é através do blog que nossa terceira e última protagonista cruza o caminho de nossas outras mulheres.

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Stella é nossa última protagonista. Ela é assistente de um grande fotógrafo e que no momento precisa ficar fora da internet para poder entregar seu livro a tempo. É claro que Stella cuida disso, mas ao bloquear a internet de seu chefe também tira algo que ele queria muito. É claro que não vou dizer o que é, certo?

Além do trabalho, Stella vive um grande luto. Ela perdeu a mãe e a irmã para o câncer e como se já não fosse péssimo, ela tem possibilidades enormes de também contrair a doença. Ela também vive o drama de ter passado a vida toda à sombra da irmã gêmea que era extrovertida, simpática e divertida enquanto ela só tinha o rosto idêntico ao de Alice. Stella não sabe como se recuperar dessa dor e vive para ver as pessoas tão infelizes quanto ela.

“Acabei descobrindo que muitas vezes a melhor terapia é ver outras pessoas sofrendo.”

É assim que Cam ‘conhece’ Stella, pois ela passa a se incomodar com as publicações que a blogueira sempre faz sobre a sua vida indo para frente. Stella começa a mandar várias mensagens de ódio para a caixa de correio do blog e Cam fica horrorizada com todo o ódio que vem recebendo de uma total desconhecida. Como se não bastasse isso, Stella cria um plano mirabolante para enfim conseguir ser feliz mesmo que seja mentindo e enganando pessoas que confiaram nela.

Como o caminho das três se cruzam, eu vou deixar vocês descobrirem e principalmente eu vou deixar vocês descobrirem como cada uma delas vai enfrentar os grandes problemas que estão passando. Será que Tara vai conseguir passar por essa fase terrível de ser conhecida como Mulher Siririca? Será que Cam vai mudar de ideia sobre família e maternidade? E Stella, será que seu plano louco vai dar certo? São tantas perguntas que serão todas respondidas lendo Vacas e tirando suas próprias conclusões.

Minha maior decepção com esse livro é a edição da editora. Ele está cheio de erros de revisão o que as vezes tornou a leitura ruim. A diagramação é bem simples, só tendo diferenciação de fonte nos textos que vão para o site de Cam e nos email trocados ao longo da história. As páginas são amareladas e grossinhas. Vacas é narrado em primeira pessoa nas partes de Tara e Stella já a parte de Cam veio em terceira pessoa.

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Confesso que quando vi esse livro não fiquei tão empolgada até porque não parei pra ler a sinopse para descobrir do que se tratava o livro, mas a medida que ia lendo me pegava julgando menos e defendendo mais. A gente sabe que o julgamento por cada ato nosso é real, mas é impressionante ver como a cada capítulo a autora nos fazia parar para pensar, ir a lutar como Cam diria e conquiste o que é nosso.

Vacas mostra que nem sempre precisamos seguir o rebanho. Não é porque sua irmã é feliz tendo filhos que você também será. A ideia do livro é mostrar que você pode ser feliz de várias formas, mas precisa tomar essa decisão e ficar firme nela mesmo quando a sociedade lhe diga que está errado. Este livro é escrito por uma mulher que nos apresentou três mulheres que dentro de suas diferenças ainda sim eram iguais. Fica aqui a minha dica de leitura e também minhas 4 Angélicas.CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

 

 

7 comentários em “Resenha: ‘Vacas – Dawn O’Porter

  1. Quando li o título me pareceu estranho me chamou muito a atenção mas depois quando fui lendo a resenha o livro me surpreendeu com uma história cativante. Esse livro parece ser muito bom, o livro Vacas faz entender o universo feminino, esse livro é ótimo para as mulheres lerem o livro é bastante ensinador, bjs.

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  2. Meu Deus do céu, como um livro com um nome tão ruim pode parecer tão interessante? Nunca tinha ouvido falar, mas essa é a graça desse blog: sempre que venho aqui, sou recebido por livros inovadores. E este me interessou muito. Uma pena que a editora não pareceu tão caprichosa, como você disse. Mas, se o livro é bom, passamos por cima disso tudo 😀

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