Resenha: ‘A Dívida – Nina G. Jones’

Oii gente!! Olha eu aqui de novo com mais uma resenha fresquinha pra vocês. A Dívida é um livro de Romance Dark e minha primeira experiência com essa temática e posso adiantar pra vocês, que foi uma das leituras mais difíceis da minha vida e não estou exagerando quando digo isso. Acredito que a editora Universo dos Livros, seja a pioneira nesse tipo de romance no Brasil. Então bora ver a sinopse do livro e depois vem saber o que eu achei de A Dívida.

“Não sei o que eu estava pensando quando eu contratei alguém para me atacar. Talvez eu estivesse entediada, ou solitária, ou havia um vazio tão profundo dentro de mim que eu precisava de algo explosivo para preenchê-lo. Era para ser seguro. Uma emoção. Uma maneira de quebrar a monotonia da vida cotidiana. Era uma ilusão de perigo que eu poderia me afastar assim que estivesse tudo acabado. Exceto que não foi. Porque eu estava em perigo muito antes que eu adicionasse isso em minha vida.
Minha missão está quase completa. O borbulhar de vingança que aquece o meu sangue pode finalmente ferver. Ela é a última peça do quebra-cabeça. Uma vez que eu destruí-la, todos que já me machucaram terão pago sua dívida. Era para ser rápido e fácil, mas assim que eu a conheci tornou-se complicado. Muito complicado”.

Depois de um prólogo perturbador, a história começa nos apresentando Mia Tibbet, uma mulher que se diz segura de si e decidida. Mia trabalha para Alea, uma empresa que fabrica brinquedos íntimos para mulheres. Apesar de conviver com brinquedos sexuais todos os dias, Mia está a um tempo sem sexo. O motivo? A maioria dos homens a deixa entediada. A vida de Mia estava a mil maravilhas, ela conquistou um cargo de respeito dentro da Alea, tem amigos que a amam de verdade e dentre esses amigos esta Tiff, sua melhor amiga e dona de um bar famosinho na cidade.

É Tiff que depois de umas taças de vinho revela a amiga, que contratou um cara para surpreende-la com sexo. Após essa revelação, Tiff entrega a Mia um cartão. Dias depois, Mia ainda luta uma batalha interna, sobre acessar ou não o site e contratar um cara para “estuprá-la” também. Até que em uma noite, Mia toma coragem e se cadastra no site Happy Kitty, – essa é a empresa responsável, que tem como objetivo satisfazer os desejos sexuais das mulheres e pasmem o desejo de Mia é ser pega a FORÇA, por um desconhecido – e nele ela preenche um questionário dizendo quais são suas preferências em relação ao homem que vai abordá-la, o sexo e quais dias e horários ela estará disponível pra ser surpreendia e atacada.

“São duas da manhã e estou na deep web buscando um prostituto masculino para me estuprar. Isso exige mais vinho”.

Alguns dias se passam desde que Mia fez a contratação do prostituto e ela começa a achar que aquilo que fez foi loucura, mas uma noite após a festa de um colega de trabalho, Mia chega em casa e logo em seguida é surpreendia por um homem. Ele chega por trás dela, tampa sua boca e rasga suas roupas. A princípio os instintos de Mia pedem para ela gritar, mas logo ela relaxa e entra no clima, permitindo que o sexy desconhecido, faça sexo com ela.

É a partir desse momento, que este livro foi ficando difícil pra mim, já que eu não conseguia acreditar no que eu estava lendo, passando a ficar impossível. Mia que se diz segura de si, faz algo surreal, que é contratar um estupro e quando esse potencial estuprador chega, ela gosta. O tempo todo o cara humilha ela, a chamando de vadia, putinha, vagabunda e outras formas pejorativas, que me davam nojo de ler e na Mia, davam tesão, ela gostava disso, eu estava enojada, mas ingênua que sou, nem imaginava que o pior ainda estava por vir. Logo depois do sexo, o desconhecido vai embora sem trocar nenhuma palavra com Mia, a única coisa que ela sabe sobre ele é que possui uma tatuagem de cobras em seu pescoço.

Mais dias se passam e Mia não consegue esquecer o que ela chama de “melhor sexo de sua vida” e isso a deixa perturbada, afinal ela não sabe a identidade do cara que fez isso com ela. Mas as coisas na vida de Mia melhoram muito, quando Dewey, dono da Alea, chama Mia para uma conversa e informa que vendeu a empresa e que o novo comprador tem 2 desejos: não ter sua identidade revelada e que Mia seja a nova presidente da empresa.

Surpresa com a notícia, porém feliz, Mia aceita o novo desafio e fica com o novo cargo. Ela se quer tem tempo de comemorar, afinal na volta do trabalho, Mia é novamente “atacada” por um homem, ela fica confusa, afinal ela não recontratou o serviço e com uma só olhada para o cara, ela percebe que não se trata do mesmo que a possuiu dias atrás. Desesperada e confusa Mia decide usar a palavra de segurança e o cara sem tatuagem e com olhos azuis, pede desculpas e vai embora. Aos poucos, Mia percebe que o cara que ela esteve noites atrás, não foi o que ela contratou da Happy Kitty, ou seja, ela tinha sido estuprada de verdade.

“Fiz sexo com alguém que realmente invadiu minha casa? Eu realmente fiz sexo com o meu estuprador?”

Humilhada, Mia não sabe nem sequer como fazer uma denúncia, já que ela não sabe a identidade do homem que invadiu sua casa. Determinada a esquecer isso, Mia decide viver sua nova fase profissional e esquecer o que aconteceu. Dando a volta por cima, Mia se arruma lindamente para sua primeira reunião com os novos compradores da Alea. Assim que chega na empresa ela percebe que nenhum funcionário chegou, mas que a sala de reuniões está aberta. Ao entrar na sala adivinha com quem Mia dá de cara??? Isso mesmo o estuprador, que a partir desse momento passa a ter nome: Tax Draconi e é o novo dono da Alea.

Tax se apresenta e a primeira reação de Mia é querer pedir demissão e fugir de toda essa situação, mas Tax não vai abrir mão fácil assim dela e em questão de segundos ele coloca no ar o áudio do dia que ele invadiu a casa de Mia, ou seja, além de invadir a casa, estuprar Mia, ele ainda gravou o sexo e fez isso com uma única intenção: chantageá-la e o pior de tudo é que Mia sequer sabe o motivo da vingança, não sabe o que ela pode ter feito para esse desconhecido.

Essa foi a parte mais difícil de ler de todo o livro, Mia estava ali exposta, humilhada, sendo chantageada e ainda foi obrigada a fazer sexo com ele novamente. Enquanto Mia chorava, Tax se deliciava com tudo aquilo e enquanto eu lia, eu chorava junto com ela, porque mulher nenhuma merece passar por algo desse tipo. Me doía ler Tax a chamando de nomes tão baixos. Mas infelizmente isso não durou muito, algumas paginas depois, Mia estava gostando do sexo. Mesmo com toda a humilhação, mesmo com todos os xingamentos, ELA ESTAVA GOSTANDO DO SEXO, isso me deu tanto nojo, tanta aversão ao livro, que eu precisei parar a leitura por uns dias, eu precisava me recuperar de tudo isso. Afinal aquela Mia que se dizia segura de si, passou a ser um objeto na mão de um homem e ainda concordava com isso.

“Eu olho fixo para a tela do meu laptop, rangendo os dentes, borbulhando de raiva. Por dentro, desmorono derrotada. Ele nos filmou”

Depois desse primeiro encontro repleto de humilhação e chantagem, Mia e Tax caem em uma rotina, toda terça-feira, às 5 da manhã ,eles se encontram na sala de reunião para que Tax possa possuir o corpo de Mia. A cada encontro, ela passa a gostar mais e mais dele e ao final de cada rodada de sexo, Mia faz a mesma pergunta: O que ela fez para merecer aquilo? E recebe de Tax a mesma resposta: Ela deve para ele e ele está cobrando justiça.

Aos poucos, entre cada encontro dos dois, vai sendo revelado um pouco da vida de Tax, então ficamos sabendo que ele possui uma irmã gêmea, Jude, que junto com ele armou tramas de vinganças contra todos que fizeram mal aos dois no passado. Jude é doentia, ela consegue ser pior e mais nojenta que Tax. Nesse meio podre temos Rex, um fiel amigo de Tax, que está ao seu lado desde a infância e que mantem um relacionamento com Jude.

Tax passa a se envolver cada vez mais com Mia, ele começa a conhecer e se apaixonar por cada característica peculiar dela e Mia que não é tão boba, passa a usar das fraquezas de Tax para se aproximar até que claramente ambos estão apaixonados. Não vou mentir, aos poucos Tax vai mudando seu comportamento e passa a tratar Mia muito melhor, inclusive protegendo ela de Jude, que quer concluir essa vingança a todo custo. Até pra proteger Mia, Tax faz coisas absurdas, usa de armadilhas torpes e mesmo assim com toda a mudança e as armadilhas tramadas por ele para proteger Mia, Tax sempre trás a tona o vídeo que gravou com a intenção de destruir sua reputação e carreira, como um lembrete constante de quem está no controle.

“Ele é a luz e a escuridão, o perdão e a vingança, beleza e feiura. Ele é todas essas coisas.”

É no meio dessa trama repleta de ódio e vingança, que me vi totalmente envolvida. O livro é muito bem escrito, a autora tece uma história que mescla o presente com o passado dos protagonistas, revelando aos poucos como a vida dos dois se cruzaram e o que Mia fez para que Tax e Jude tivessem todo esse desejo de vingança. Eu só fico preocupada de ver algumas leitoras dizerem coisas como: Quero um Tax pra mim ou Tax é meu sonho. Porque falando sério esse livro é um desserviço pra sociedade, no livro, claramente uma linha tênue entre consentimento e estupro foi violada e isso não é algo para suspirar, é algo para ler e refletir, apenas. Não importa que Tax tenha mudado, não importa que ele tenha se arrependido, não importa que ele passou a amar e proteger Mia. Nada disso apaga tudo que ele fez com ela, nada justifica forçar o sexo, a humilhação, a chantagem, N-A-D-A!!É por isso que desejar um Tax na sua vida, na minha opinião chega ser um pouco doentio.

O e-book possui 447 páginas, muito bem formatadas e diagramadas. Aliás, quero deixar aqui meus parabéns a Editora Universo dos Livros, que fez ótimas promoções dos seus e-books, inclusive dos lançamentos e nós do Além adoramos e aproveitamos bastante a promoção. Então fiquem de olho aberto que ainda teremos mais resenhas de ebooks da editora.

30867731_1655875311163674_1408899400_o

Sem duvidas, essa é minha resenha mais longa, mas eu precisava falar e alertar quanto ao conteúdo do livro. Pra quem gosta de romances Dark (romances que tratam de fetiches e temas mais pesados, com cenas fortes) minha dica é: leia. Mas se você assim como eu, gosta mais de romances clichê e/ou água com açúcar, esse livro definitivamente não é pra você.

Enfim, não amei o livro, mas gostei da experiencia de ler um gênero que nunca tinha lido, de poder me aventurar no desconhecido, até porque agora eu sei com absoluta certeza, que não vou ler mais nada do gênero. No geral valeu a experiência. Por tudo isso que eu disse e até pela escrita da autora, que apesar do enredo do livro, é ótima e isso é inquestionável, deixo aqui minhas 3 Angélicas.CLASSIFICAÇÃO 3ANGÉLICAS

19 comentários em “Resenha: ‘A Dívida – Nina G. Jones’

  1. Que enredo, hein! Realmente é perturbador e é chocante saber que essa personagem não é tão irreal assim, talvez muitas pessoas tenham esse mesmo fetiche da Mia, o que pode levar a caminhos perigosos. Apesar da história um tanto pesada, acho que livro gera uma certa expectativa para se desvender o tal motivo dessa vingança absurda.

    Curtir

  2. Oi Bianca, tudo bem?

    Mulher, que enredo é esse?! Enquanto ia lendo sua resenha, apenas um sentimento me perturbava: nojo. Fiquei me sentido suja apenas por ter lido, imagino que a leitura seja muito densa. Não entendo como ela pode gostar do estrupo, é algo que para mim é inconcebível, mas vou procurar esse livro para ler e saber. Apesar de tudo, fiquei curiosa e pressinto que não será uma boa leitura.

    Beijos!

    Curtir

    1. Oi Alice, eu me senti exatamente assim com a leitura do livro, mas foi uma leitura válida. Acho que vale a pena ler, até como experiência, mesmo.

      Curtir

  3. Bem, tenho que discordar de vc em alguns pontos. Mia, de forma alguma, foi obrigada a fazer sexo com Tax. Ela foi chantageada? Sim. Mas ela mesma expressa a sua reação de que estava gostando muito daquilo, no final das contas. Você comentou que chorou com ela, mesmo quando ela mesma aceitou toda a humilhação. Ao decorrer do livro, pudemos perceber que ela realmente gostava disso. E está aí outro ponto em que eu discordo de vc. Seja o sexo com termos chulos, violência ou quando alguém prende o outro a uma coleira, isso é uma opção de cada um. Assim como o bdsm, onde pessoas podem até ser penduradas no alto por argolas, e ainda assim sentem prazer, não devemos discutir sobre o ponto de vista sexual de cada um, desde que ambas as partes concordem. O que para nós causa repúdio, assim como no livro, para outras pessoas não. Existem fantasias, e Mia, claramente estava de acordo com tudo aquilo. Mas eu sei que é difícil para nós, mulheres, conceberem que possam haver outras mulheres que fantasiam com estupro. Mas existem. E se isso for uma escolha, nem eu, nem vc, temos o direito de questioná-la. Não acho que o livro seja um desserviço à sociedad como vc disse, só fala de um ponto de vista na qual vc não está acostumada e pelo que vi, já com preconceito. Então, se alguém fantasiar com um Tax, essa é a fantasia da pessoa. Não digo que seja bom. Não para mim. Eu não seria louca a tal ponto, porque eu nunca concordaria com isso, mas fantasias são fantasias, e desde que ambas as partes estejam de acordo, são os seus corpos e cada um decide por si. As pessoas não costumam levar em consideração esse ponto num livro desses. Mas deveriam.
    Bem, a respeito do livro, eu gostei. Não amei. Não é o meu gênero, e mesmo assim eu arrisquei na leitura.
    A autora escreve bem, e a leitura e fluida. Me prendeu do início ao fim.

    Curtir

    1. Oooi Gisele,
      Sim, eu concordo com você. Existem pessoas que tem fantasias que para muitos são absurdas, mas deixei bem claro que o livro não ser pra mim.
      No começo da história, Mia fica com Tax achando ser outra pessoa e sim isso é estupro. O livro justifica que ela teve uma escolha, mas não teve, escolha seria se ela soubesse de quem se tratava antes do sexo. E quando digo que chorei com Mia, chorei porque mas primeiras cenas, mesmo ela sentindo tesão, ela sentiu mais humilhação. Doeu ler como ela estava sendo tratado, com ou sem tesão ninguém merece a humilhação e foi exatamente isso que ela foi, humilhada.
      Se fosse apenas um livro hot, onde o cara usa palavras baixas na hora do sexo, eu não ia ligar. Mas não é disso que o livro se trata. Mas é aquilo, o que não é bom pra mim, não necessariamente vai ser ruim pro outro, por isso incentivo que gosta de Dark romance.
      Beijinhos.

      Curtir

      1. Me desculpe, mas estupro, em minha opinião, e acho que no consenso geral, é algo sem consentimento. Apesar de ela ter percebido que ele não era o cara que ela não contratou, em momento algum ela se arrepende, portanto, em minha opinião, não há estupro. Não adianta tentar romantizar aquilo que não é romântico. Era sexo, com consentimento, cru e forte. Imagine o precedente que vc abriria se vc contratasse um serviço desses, e como ela mesmo disse, que teve o melhor sexo de sua vida, e depois percebesse que não foi o serviço que contratou. Pobre das vítimas de estupro. Aquilo não foi estupro só pq ela percebeu que o cara que a fez ver estrelas não foi o cara que ela pagou para fazer. Simples assim.

        Curtir

    1. Oi Thiago.
      Sim, a história aguça nossa curiosidade.
      É um livro que ou você ama ou odeia, acho legal você ler e tirar suas conclusões.
      Beijos

      Curtir

  4. Oii,tubo bem? Obrigada pela resenha, mas livro só tem um né nao é uma trilogia.Bom confesso que vou começar a ler o livro , e estou com medo, do que eu posso achar.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s