Resenha: ‘O Preço da Vitória – Harlan Coben’

Olá pessoal!!! Estou aqui para falar com vocês sobre mais um livro da série Myron Bolitar do autor Harlan Coben. Hoje trago o quarto livro, seguindo a ordem cronológica, O Preço da Vitória, que foi publicado no Brasil pela Editora Arqueiro em Fevereiro/2013. Caso você queira saber mais sobre o início dessa série, clique aqui e dá uma conferida nas resenhas dos primeiros livros. Já adianto que esse quarto livro, me surpreendeu de várias maneiras. Eu julgo o livro pela capa (me julguem!) e essa, em especial, não me agradou muito… Assim, a história super envolvente foi uma grata surpresa. Mas antes de qualquer coisa, confere a sinopse:

“Myron Bolitar não é fã de golfe, mas, ao ser convidado por seu amigo Win para assistir ao Aberto dos Estados Unidos, aproveita a oportunidade para tentar conquistar novos clientes. E é o que acontece quando ele é procurado pelo pai de Linda Coldren, a golfista número 1 do ranking. Antes que perceba, Myron está novamente atuando como detetive, em busca de Chad, o filho de Linda que sumiu há dois dias. O desaparecimento é mais um peso sobre os ombros do pai do garoto, o também golfista Jack Coldren, que lidera o torneio e luta para não repetir seu inexplicável fracasso de anos atrás. Win se recusa a ajudar no caso ao ser informado de que foi sua mãe, com quem não fala há anos, que recomendou Myron à família Coldren. Mesmo sabendo que ela está à beira da morte, prefere manter distância. Nesta trama repleta de suspense e reviravoltas, Harlan Coben nos leva a mansões monumentais e motéis de quinta categoria junto com Myron Bolitar, um herói complexo, de cabeça quente e coração de ouro, mais fascinante e imprevisível a cada página.”

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Todo mundo que conhece Myron Bolitar sabe o quanto ele ama Golf, só que não. Por isso, quando Win o convida para ir ao Aberto dos Estados Unidos no Merion Golf Club, não é uma surpresa que Myron tire um sarro (mentalmente, claro) de tudo e todos que estão ali naquele momento. Mesmo assim, ele ainda tenta tirar um tempo de toda essa “zoação” para, quem sabe, conseguir novos clientes.

Assim, enquanto usava um periscópio de papelão e pensava porque todo mundo usava roupas de cores ofuscantes, Myron foi abordado por um senhor que lhe perguntou se ele gostaria de ser agente esportivo de Jack e Linda Coldren. Linda é a melhor golfista da última década e Jack estava – finalmente – se destacando naquele Aberto, depois de um fracasso histórico anos atrás. Óbvio que o Myron ia querer ser agente deles. Qual agente não gostaria, afinal? Mas nada na vida vem de graça e fácil assim, muito menos pro Myron, então para isso, ele deveria ajudar o casal que está com sérios problemas.

O senhor que abordou Myron, se chama Stone Buckewll (Buck) e ele é pai da Linda e ninguém menos que tio de primeiro grau de Win (Chocamos! Tanto Myron quanto eu). Ele leva Myron até sua filha, que está em casa assistindo ao marido pela televisão, e quando chega lá, Linda conta a história do fracasso de Jack anos atrás e o quanto aquela partida era importante para ele, mas ao mesmo tempo podemos ver o desespero de Linda e Buck.

Acontece que Chad, o filho de dezesseis anos deles, está desaparecido há dois dias e naquela manhã, Linda recebeu uma ligação de um homem dizendo que Chad havia sido sequestrado. Eles não podem chamar a polícia, então quando Buck conta para a irmã dele, mãe de Win, sobre o que aconteceu, ela indica o Myron para ajuda-los na investigação.

O problema é que Win não fala com a mãe dele há anos e, como foi uma indicação dela, ele não quer ajudar em nada. Myron bem tenta fazer tudo sozinho, mas é claro o quanto ele fica meio perdido sem o seu parceiro. É engraçado como Win apareceu pouco nos outros livros – em momentos importantes, claro – mas ainda assim poucas aparições se considerarmos o livro como um todo e nesse, onde ele não está ajudando na investigação é o que ele mais aparece e mais faz falta na investigação.

Podemos perceber o quanto Win, com toda a sua loucura e sociopatia, faz a diferença no mundo investigativo deles, mesmo que ele seja apenas uma sombra negra por trás do Myron. E, claro que a Esperanza não perde a oportunidade de pontuar essa falta para o Myron sempre que possível, o que nos traz vários momentos sarcásticos e cômicos durante a leitura.

Mas também conseguimos entender o lado de Win. Por mais que ele não só pareça, mas seja mesmo frio e até cruel por não querer ajudar alguém da sua própria família a encontrar um adolescente sequestrado, eu consigo entender. Algo muito ruim aconteceu no seu passado, algo que envolve sua família e que o tornou o homem que ele é hoje, tanto para o bem quanto para o mal. O fato de ele não querer ter contato com nada que tenha a ver com a família que causou o que causou, seja lá o que for, é muito compreensível. 

“Como qualquer outro ser humano, escolho minhas batalhas (…). Essa é minha decisão. Você, que é meu amigo mais próximo, devia respeitar isso. Você não devia tentar me incitar, ou me fazer sentir culpado, para que eu entre numa batalha que não desejo travar.”

Então, mesmo sem Win, Myron decide começar com a investigação e quanto mais ele entra nessa história, mais parece que Chad está por trás de tudo isso inventando o próprio sequestro para chamar a atenção ou se vingar de alguma coisa. Mas claro que os pais não querem acreditar nisso. É engraçado como conseguimos perceber os sentimentos ambíguos aí: ao mesmo tempo que, se Chad estiver inventando tudo significa que ele está a salvo, eles não querem acreditar que o filho seria capaz de fazer algo tão cruel assim. Nós, assim como os pais de Chad e Myron, ficamos sem saber pra qual final torcer.

Algo legal de se destacar nessa resenha, que o Harlan traz como reflexão tanto pro Myron quanto para nós leitores, é o quanto tudo é diferente para as mulheres, não importa qual área, por assim dizer, da vida. Linda Coldren é uma golfista de sucesso casada com um golfista que até então era um fracasso, mas ao engravidar, ela se afastou do golf por dois anos e Myron nunca ficou sabendo disso, como se não fizesse diferença ela ter se afastado ou não.

Com o retorno dela aos torneios de golf, chegou o momento em que ela teve que fazer uma escolha: continuar com a carreira ou largar tudo para criar o filho de 3 anos. Mesmo parecendo uma coisa óbvia, que Myron até chega a apontar durante uma conversa, de que se a Linda estava decolando na carreira e, assim, trazendo o provento pra família, obviamente Jack deveria ficar em casa para cuidar do filho. Parece tão simples, né? Mas não é, nem na vida real, nem na fictícia. E isso acabou prejudicando o relacionamento de Linda com Jack e dela com ela mesma. Afinal, ela se sentia muito culpada e até julgada, por deixar o filho por tanto tempo, pra seguir com a sua carreira. Coisa que acontece o tempo todo com os homens, mas não com toda essa cobrança.

“A culpa própria das mães, a pior que existe. As dores são constantes. Elas nos assombram. Apontam dedos acusadores. A cada bela tacada, eu me sentia abandonando meu filho.”

Já olhando pelo lado do Jack, podemos entender como deve ter sido difícil ver seu sonho desmoronar na sua frente e ter que assistir de camarote alguém seguir o caminho que você gostaria. Eu entendo como deve ter sido difícil e até senti pena dele em alguns momentos. 

Agora, quando ele finalmente tem sua chance de ganhar o torneio tão sonhado, ele está tentando não deixar que o sequestro o tire do seu objetivo de ganhar, com a desculpa de que eles têm que manter as aparências para os sequestradores. Fora o fato de que parece que esse sequestro tem alguma coisa a ver com aquela derrota de 23 anos atrás e com a grande chance de vitória de agora. Tudo indica que Jack não vai se deixar abalar por isso. O que parece bem frio, mas no decorrer da leitura, dá até pra entender.

“Pode parecer melodramático, mas aquilo matou alguma coisa dentro dele. Nem mesmo o nascimento de um filho pôde trazer de volta a plenitude.”

E assim, ficamos no grande enigma do livro, sem saber pra que lado pender dessa história. Afinal, Chad foi sequestrado mesmo ou é tudo uma armação dele? Ele está em perigo realmente? A derrota do pai tem alguma coisa a ver com o sequestro? Quem, afinal, é o verdadeiro vilão dessa história? E até onde é “aceitável” arriscar tudo para ir atrás dos seus sonhos? Qual o preço da vitória, no fim das contas?

Falando um pouco do meu marido, Myron parece que está caindo a ficha de seus sentimentos pela Jéssica (Eu ouvi um amém?).  Apesar de eles estarem num momento tranquilo e amoroso no relacionamento deles, afinal, ele acabou de se mudar pra casa dela, Myron sente que ainda falta alguma coisa, que ainda se sente vazio e não sabe bem por quê (huuuuuum).

Além de nos aprofundarmos muito mais na obscura vida de Win, também temos mais aparições de Esperanza. Ela chega a ir com Myron investigar algumas coisas e meu coraçãozinho shippante de Myranza ficou muito feliz e iludido com isso. Ainda estou na torcida pra esse casal acontecer. HARLAN ME AJUDAAAA!!!!

Como eu disse no começo, não morri de amores pela capa. Apesar de ela ser condizente com o que a história do livro traz, achei meio sem graça por isso julguei mal a história. A diagramação segue simples, porém ótima para uma leitura confortável. Os capítulos são curtos o que faz a leitura fluir facilmente.

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Preciso falar, a leitura desse livro foi incrível!!! Eu demorei um pouco mais pra lê-lo porque estava super ocupada com outras coisas, mas sempre ficava pensando no que poderia acontecer ou quem era o culpado na história toda. E posso garantir que depois de todas as teorias que bolei na minha cabeça, quando finalmente cheguei ao final, percebi que se eu fosse uma detetive, ia passar fome kkkk.

E assim, com essa percepção, deixarei minhas 5 Angélicas pra esse livro surpreendente e partirei para a leitura do próximo livro da série, Um Passo em Falso. E aí? Tá gostando da série? Já leu algum desses livros? Me conta tudo aqui nos comentários. CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

11 comentários em “Resenha: ‘O Preço da Vitória – Harlan Coben’

  1. Olá! Como não conhecia a série, tive que em seus posts anteriores para entender o enredo, achei muito interessante e intrigante o livro, confesso que tenho mania de escolher o livro pela capa, mas percebo cada vez mais que é um erro incrível. Bjs

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  2. Oi Leticia,
    que loucura esse livro hein? Gosto quando o livro possibilita elaborarmos várias teorias e culpados, e quando chega ao final somos surpreendidos. Normalmente eu erro também e junto com você morreria de fome na vida da investigação. Ótima resenha.
    Beijos
    Leo

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  3. Oi Letícia! Para começar: também julgo um livro pela capa, então seremos julgadas juntas ahahahaha
    Gostei muito da resenha! Não conheço a série (até por não ser muito adepta), mas a forma como você descreveu foi excelente, pois não me senti perdida na história por não conhecer os outros livros.
    Gosto muito quando os livros desse gênero são escritos *sem* a pegada “romântico” ou “romântico/erótico”, e quando o autor foca em outros pontos, como é o caso do sequestro, e dessas observações que você fez (a culpa da mulher por seguir a carreira sendo mãe, o que não ocorre com a maioria dos pais).
    Ademais, adorei o texto! ❤

    Beijos e sucesso meninas!!
    Mayara Santos | Portal MUI Content
    Ver no Medium.com

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  4. Olá! Ainda não conhecia a série, e essa é bem grande né (hahaha). A história parece ser bem interessante e surpreendente e eu gosto disso. Vou ler as primeiras resenhas para não ficar tão por fora dos acontecimentos. ❤

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  5. Sou de escolher livro pela capa também, sempre pego os que mais me chamam a atenção, sem saber que posso ta perdendo uma história boa de outros como essa aí. Amo livros e filmes assim, que permite a gente a elaborar teorias sobre o que irá acontecer, me lembra um pouco de Sherlock, uma série maravilhosa que ta no meu coração <3. Vou deixar anotada a dica de leitura, esse é um dos meus gêneros favoritos. Bjs !!

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  6. Desde que eu conheci a escrita do Harlan quando li “Não conte a ninguém” fiquei doida por esta série. Mas desanimei quando assisti aquela série do Harlan na Netflix “Safe” (Que eu odiei!) Mas agora com sua resenha, mesmo já sendo o quarto da série, fiquei curiosa para ler novamente, afinal não posso desistir do autor por causa de uma série né?! haha. adorei a resenha, fico feliz que tenha sido uma ótima leitura pra ti e espero que seja pra mim também!

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    1. Não Conte a Ninguém sempre será meu livro preferido do Harlan. É incrível!!!
      Ai eu amei a série!!! Senti muito do Harlan nela. Pena que tu não curtiu. 😦

      Não desiste do Harlan não!!! kkkk…dá mais uma chance pra ele rs

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  7. Oi Lê! Cara, a cada resenha sua dessa série, sinto vontade de me estapear por não ter lido ainda. Acho mega incrível essa ideia de misturar esportes com investigações. Fiquei muito curiosa para saber a solução sobre o sequestro. Me peguei querendo bater no Chad e eu nem sei a história hahaha
    E nossa, essa parte da Linda é um tapa com luva de pelica, né?! Até na literatura podemos ver como mulheres são julgadas constantemente e cobradas por coisas, que passam ilesas a homens. Amei amei a resenha. Beijos.
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  8. Mas que diachu wim fez com o brutamontes que machucou Myron? Esse não deu continuidade no outro né? 😩
    Ahh eu chamo o wim carinhosamente de Rambo 😊😋😂

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