Crítica Cinematográfica: ‘ 22 de Julho’

Oi gente! Nessa última semana vi muita gente falando de um dos últimos filmes adicionados à Netflix e fui conferir o que 22 de Julho tinha que estava gerando tantos comentários. Para começo de conversa, o filme é baseado em fatos reais e conta a história do maior ataque terrorista da história da Noruega. Só por saber que essas pessoas realmente passaram por essa tragédia já me deixou presa totalmente. Mas antes de falar mais sobre 22 de julho, confiram a sinopse e trailer…

‘Em “22 de Julho”, o cineasta indicado ao Oscar Paul Greengrass (Capitão Phillips, Voo United 93) conta a história real do maior ataque terrorista da história da Noruega. Em 22 de julho de 2011, 77 pessoas foram mortas por um fanático de extrema-direita que detonou um carro-bomba em Oslo e em seguida disparou contra adolescentes em um acampamento. “22 de Julho” segue a jornada física e emocional de um dos sobreviventes para retratar o caminho de uma nação rumo à superação e reconciliação.’

O dia 22 de Julho ficou marcado na história da Noruega após os atendados de 2011. Anders Behring Breivik (Anders Danielsen Lie) organizou dois atentados quase simultâneos a um conjunto de prédios do governo em Oslo e a Ilha de Utoya. A explosão em Oslo foi numa zona de prédios onde ficava situado o gabinete do primeiro-ministro Jens Stoltenberg (Ola G. Furuseth) e tantos outros prédios administrativos. Essa explosão matou oito pessoas e deixou mais de 200 feridos. Mas esse não seria o pior momento daquele dia.

Depois que Anders deixou a van cheia de explosivos no prédio, e que viria a explodir alguns minutos depois, ele se dirigiu ao pier que levava a Ilha de Utoya. Naquele fim de semana acontecia o acampamento de verão para jovens organizado pelo Partido dos Trabalhadores. Anders chega ao pier vestido de policial e avisa que foi enviado para proteger a ilha, mas seu plano é matar todo os jovens presentes na ilha. Os adolescentes que participam do acampamento são filhos de políticos e de outras pessoas influentes. O primeiro-ministro era esperado no acampamento naquele fim de semana.

Inicialmente todos acreditavam que os ataques teriam vindo de algum grupo terrorista, então quando Anders é preso, eles querem saber a quem ele responde. Anders diz que foi o escolhido e que faz parte de um grupo chamado Os Cavaleiros Templários, uma organização de extrema-direita que vem crescendo bastante e que quer retirar todos os muçulmanos da Europa. Ele organizou os ataques, deixou um manifesto e ainda tinha um advogado escolhido para defendê-lo. Tudo completamente organizado e cada passo estudado primorosamente.

“Não podemos render-nos ao terror. Devemos lutar. Mas não mudar. Devemos fortalecer nossos valores e lutar contra o terror dentro das regras da lei. Não com o cano de uma arma.”
Primeiro-Ministro Jens Stoltenberg

O manifesto de Anders declarava suas convicções e era fortemente apoiado por quem pensava como ele. Na opinião de Anders, ele era um patriota querendo acabar com a multiculturalização do país e assim fazer com que a Noruega se tornasse um país conservador, nacionalista e principalmente sem ideias marxistas que estavam dominando as mentes dos jovens privilegiados.

Em paralelo ao julgamento de Anders, temos a narrativa do jovem Viljar Hanssen (Jonas Strand Gravli), um dos sobreviventes em Utoya. Viljar estava no acampamento junto com o irmão mais novo, Torje (Isak Bakli Aglen). Quando os ataques começaram, Viljar ligou para a mãe e tentou proteger o irmão até o fim. Infelizmente Viljar foi gravemente ferido e passou por várias cirurgias para remoção de balas na cabeça, ombro, braço e perna. O ferimento na cabeça foi o mais preocupante já que os estilhaços se alojaram muito perto do cérebro e além disso perdeu completamente a visão do olho direito. Torje consegue ser resgatado sem ferimentos e acaba se culpando por Viljar ter ficado entre a vida e a morte. Viljar precisou reaprender a usar seu corpo e esteve presente no julgamento de Anders.

Além de Anders e Viljar, temos alguns momentos do advogado de defesa e o que ele e a família passaram por ele ter aceitado defender Anders. Geir Lippestad (Jon Øigarden) foi requisitado por Anders, mas eles nunca tinham se visto antes. Fica muito claro durante o julgamento de Anders, que Geir passa a receber ameaças e a diretora da escola de sua filha, gentilmente solicitou que eles procurassem outra escola para ela. Ela cedeu a pressão dos pais das outras crianças que não gostariam que a menina representasse perigo para seus filhos.

Durante as mais de duas horas de filme, a pergunta não é se Anders será preso ou condenado, mas como ele conseguiu planejar e executar um massacre que mataria 77 pessoas, deixaria mais de 200 feridas e tantas outras com traumas psicológicos irreversíveis. E tudo isso por ódio. Anders fazia parte de um grupo extremista que não aceitava a polarização das culturas que vinha acontecendo na Noruega. Ele defendia que o país deveria parar de aceitar imigrantes e eliminar quem já estivesse no país. Foi um atentado político. Foi um atendado de ódio. Ele queria que todos olhassem para ele e que vissem o que homens com convicções iguais as dele poderiam fazer.

Anders foi julgado e condenado. Ele assumiu a culpa, mesmo diante das vítimas e de suas famílias, e em nenhum momento aparentou remorso pelo o que fez. No primeiro dia de julgamento, Anders entrou no tribunal e fez uma saudação nazista antes de começar a falar os motivos que o levaram a cometer os ataques. Ele não aceitou que fosse julgado como louco, pois queria que todos soubessem que ele estava completamente são quando matu todas aquelas pessoas. Após a condenação, Anders confessou ao advogado que faria tudo novamente se tivesse chance.

O filme não se prendeu a mostrar apenas o massacre, mas quis nos mostrar quem era Anders Behring Breivik e na luta pela vida que Viljar precisou passar. A atuação dos dois está realmente incrível. Eu senti um asco pelo Anders, por saber que ele foi capaz de tirar vidas inocentes apenas por serem diferentes e pensarem diferente dele. Assim como eu senti uma empatia muito grande pelo Viljar ao ponto de buscar mais sobre o caso dele após o final do filme.

Os ataques ao parlamento e a ilha de Utoya foram tão marcantes no povo norueguês que 22 de Julho não é o único filme a retratar esse dia. No Festival de Berlin deste ano foi exibido Utøya 22 de Julho: Terrorismo na Noruega que também retrata os atentados. O filme é uma produção do diretor Erik Poppe e chega aos cinemas brasileiros em 29 de novembro. Eu vou deixar o trailer de Utøya para quem assistiu a 22 de Julho e quer saber mais sobre esse dia tão triste na história da Noruega.

Os ataques na Noruega foram totalmente por questões políticas. O filme não veio para dar lição de moral em ninguém e nem para nos fazer escolher um lado, mas nos mostrar o impacto das ações de apenas um homem nas vidas de centenas de pessoas. Estamos em período eleitoral no Brasil e digamos apenas que não tem sido nada fácil defender a democracia e a liberdade de escolha das minorias.

Se você assistiu 22 de Julho e não conseguiu ver nenhuma semelhança com o que temos vivido atualmente, eu desisto de tentar te explicar como os pensamentos extremistas de Anders mataram e feriram centenas de pessoas apenas porque eram diferentes dele. O extremismo dele cobrou um preço muito grande de um país muito mais desenvolvido do que o nosso, então vocês podem parar apenas por um minuto e refletirem que ainda não sofremos um grandioso ataque, mas a cada dia temos mais pessoas morrendo ou sendo brutalmente atacadas por diferenças políticas, sociais, raciais…

Nesse domingo, 28 de Outubro, os brasileiros voltarão as urnas para decidir quem vai nos governar pelos próximos 4 anos. O voto de domingo não pode ser escolhido por ódio ou porque beneficia apenas você. O voto deve ser decidido pelo candidato que mais presa pela democracia, liberdade de expressão e pelos direitos sejam trabalhistas ou civis. Não podemos andar para trás. Você que ainda não se decidiu ou vai anular seu voto, infelizmente não é momento para nos abster, pois quando você decidir que é a hora de lutar já será tarde de mais. Votem pela democracia e não pela opressão. Votem pela educação e nós como um blog literário não podemos votar por quem quer calar os autores. Pensem e votem consciente.

Independente do ponto de vista político, temos coisas que são indiscutíveis e violência jamais será a resposta correta para nada. As suas ideias não podem ser levadas em consideração se ferem a existência de outros. A sua vida não vale mais do que a de outra pessoa. Nós precisamos de mais humanidade e de perceber que é isso que deve prevalecer. O problema é que a crescente violência em detrimento do processo eleitoral tem crescido de forma tão alarmante que independente do resultado das eleições, nós já perdemos e muito. Perdemos como sociedade e perdemos mais ainda como serem humanos.   bloggif_5929fa269cbb6

***Se fere a nossa existência, nós seremos resistência.***

9 comentários em “Crítica Cinematográfica: ‘ 22 de Julho’

  1. Vou assistir com certeza, a proposta do filme é muito boa, quanto a situação atual do pais acredito que agora vai ter uma grande melhora, se for ruim basta tirar quem está no poder, o importante é que agora as pessoas estão sabendo escolher alguém que se importa com o Brasil.

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  2. Já vi esse filme no catálogo da Netflix mas nem de longe supus que seria sobre um momento tão triste da humanidade.
    Pior é perceber que um extremismo semelhante que detonou tal atentado ronda agora o nosso Brasil.

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  3. Cheguei a ver esse filme no catálogo, mas não fazia a mínima ideia do que se trata! Nunca imaginaria que seria de um momento tão triste! Vou procurar assisti-lo para saber mais como ele é!

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  4. Que triste esse momento pelo qual a Noruega passou, tantas pessoas inocentes morreram por extremismos que poderiam ser evitados. O filme é importante para nos alertar sobre a que ponto a intolerância pode chegar.

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  5. Oi Adriana! Triste saber que estamos cada dia mais próximos de dias estranhos como estes pelos quais os países desenvolvidos passaram, e com dificuldade e muita dor, superaram. Incrível como existem semelhanças com diversas ações ao redor do mundo, e sempre por incompreensão da diferença, e de como essa diferença nos beneficia como seres humanos.

    Adorei o seu texto. O filme está na minha lista da Netflix e fiquei com receio de lê-lo por medo de spoilers. No final, valeu muito a pena ❤ Ninguém solta a mão de ninguém!

    Beijos e muito amor ora vocês!

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  6. Eu não consegui ver esse filme. Achei ele tão real e em muitos pontos eu me identifiquei com ele que comecei a ficar desconfortavel. Mas cara, se tem uma frase que resume esse filme até onde eu vi, pode ser Ninguém solta a mão de ninguém. é isso.

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  7. Não sabia que esse filme tinha entrado no catalogo da Netflix, apesar de ser forte e também cheio de tristeza, achei bem interessante e vou colocar na minha lista pra está conferindo.

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