Crítica da Série: ‘Boneca Russa – 1ª Temporada’

Olá pessoal!!! Quem aqui ama cada dia mais as séries Originais Netflix? Em fevereiro tivemos o lançamento de Boneca Russa. Essa série é uma comédia dramática com aquela pitada de humor mórbido, que dá pra assistir em um dia e que ‘buga’ a nossa mente de certa forma rs. Confere a sinopse e o trailer dessa primeira temporada e corre pra entrar nesse looping do tempo comigo:

“Convidada de honra de uma festa em Nova York, a jovem Nadia (Natasha Lyonne) percebe que todas as vezes que decide deixar o evento, morre. Agora ela precisa encontrar um jeito de escapar, mas só depois de descobrir o que está acontecendo.”

Nadia (Natasha Lyonne – Orange is The New Black) é uma jovem que está fazendo aniversário, o que geralmente é considerado uma data feliz, mas ela não parece muito confortável em sua própria festa. Aos 36 anos de idade, ela é uma mulher que ainda encontra dificuldades em viver uma vida saudável depois de uma infância problemática e, acho que posso dizer, até traumática. Ela é uma engenheira de jogos de vídeo-game, que tem um gato chamado Mingau de Aveia que, inclusive, fugiu e fazem três dias que ela não o vê.

Nessa festa, estão suas duas melhores amigas: Maxine (Greta Lee) e Lizzie (Rebecca Henderson), e aparentemente elas são uma das poucas pessoas que Nadia conhece naquele lugar, apesar de o apartamento estar lotado de gente. Após conversar com as amigas sobre ela achar que está numa “crise da meia idade”, ela faz o que é acostumada a fazer sempre: usa drogas, abusa do cigarro e da bebida até que ela encontra seu parceiro da noite.

Um tanto quanto bêbada, ela sai com esse homem da festa e passa num mercadinho perto de casa para comprar camisinhas. Ferran (Ritesh Rajan), o dono desse mercadinho, é seu conhecido e sempre alimenta Mingau de Aveia, então ela pergunta se ele sabe alguma coisa sobre o gato e ele fala que faz tempo que não o vê. Mas essa noite Ferran não está sozinho no estabelecimento. Junto com ele está um cara tão bêbado que nem aguenta ficar em pé e acaba derrubando um monte de coisas da prateleira. Nadia pensa em ajudá-lo, mas muda de ideia e vai pra casa com o seu encontro da noite.

“A vida é curta, carpe diem etc… Certo?”

Eles vão para o apartamento dela, mas o cara é um babaca e ela acaba mandando ele embora. Depois de um tempo, ela sai de casa novamente, porque seus cigarros acabaram, e vê seu gato do outro lado da rua. Finalmente, ela encontra o Mingau de Aveia uhuuuu. Mas quando ela vai atravessar a rua para pegá-lo, ela é atropelada por um carro e morre. Fim da história… mas só que não. Ao morrer, ela volta para o momento em que ela está no banheiro, em sua festa de aniversário.

Um pouco confusa e com uma sensação de déjà-vu, ela tem certeza que o baseado que a amiga passou pra ela tinha alguma coisa misturada que não caiu muito bem. Então, ela tenta ir atrás do traficante para entender o que está acontecendo, mas sempre acaba morrendo em algum momento, e volta para a noite de domingo do seu aniversário. Vou te falar, nunca foi tão difícil pra uma sexta-feira chegar kkkkk.

E assim, presa nesse looping ou ‘dimensão do tempo’ como ela fala, ela segue tentando descobrir o que está acontecendo com ela, entre mortes e ressuscitações, até que ela encontra num elevador que está caindo – pra ela morrer novamente, claro – Alan (Charlie Barnett), um cara que está preso no mesmo looping que ela. Certa de que eles têm uma ligação e que ela precisa dele para sair daquele inferno, Nadia vai atrás dele para que eles encontrem uma saída juntos.

“-Não soube? Vamos morrer.
– Não importa, eu morro o tempo todo.”

No decorrer da série, podemos ver todos os bloqueios que a mente da Nadia tem que a impedem de ter uma vida saudável. Buscando sempre a morte, mesmo que de forma indireta, através do abuso de álcool, cigarro e drogas, ela se afunda cada vez mais na própria mente, tentando de tudo para fugir do seu passado e não ter nenhuma ligação profunda com muitas pessoas. As únicas que ela permite amar são suas duas amigas – que deram a festa de aniversário pra ela – e Ruth (Elizabeth Ashley), que foi a mulher que a salvou do lar complicado em que Nadia vivia com a mãe.

A partir do momento em que ela entra nesse looping, o passado acaba voltando para assombrá-la e ela terá que confrontá-lo de alguma forma. A cada retorno, ela começa a perceber como suas atitudes afetam as pessoas a sua volta, assim como a ela mesma e logo percebemos que não afeta de uma forma positiva. Ela precisa decidir se ela quer continuar se matando aos poucos ou se ela prefere viver uma vida em que o passado fica lá atrás no lugar dele, enquanto ela faz um futuro melhor pra ela.

Quando ela encontra com Alan, única pessoa que se lembra e tem consciência dessas dimensões temporais de morte e vida, a história acaba fluindo mais rápido e nós já começamos a traçar teorias sobre o que pode ter acontecido com eles. Eles têm uma ligação e precisam consertar o que quer que tenham errado na noite de suas mortes e juntos, apesar da dificuldade de Nadia em depender das pessoas, eles vão atrás de encontrar uma forma de sair desse looping infernal.

“Eu te vejo perseguindo a morte em cada esquina, tentando fugir da luz.”

Natasha Lyonne dá um show de atuação ao nos apresentar uma personagem tão cheia de sentimentos e emoções conturbadas, com um humor ácido e uma boca suja que vai nos fazer refletir sobre muitas atitudes que tomamos, ao mesmo tempo em que rimos muito com toda a situação apresentada. Charlie Benett, por sua vez, nos traz um personagem perfeccionista que gosta de estar no controle de tudo, mas que está passando por um momento muito delicado na vida amorosa, ao tentar superar um término recente.

Com um enredo fluido, que passa e o expectador nem vê, podemos assistir a temporada completa em apenas um dia, como se fosse um mega filme. Tendo 8 capítulos de apenas 30 minutos cada, nós não conseguimos não apertar ‘próximo capítulo’ assim que possível. Em nenhum momento a história ficou arrastada ou tediosa, o que é ótimo já que estamos cheios de séries longas com capítulos aparentemente sem sentido, como se fosse apenas para encher linguiça. A química e o entrosamento dos atores só faz com que essa fluidez seja ainda melhor.

Natasha Lyonne, além de atriz protagonista também é uma das criadoras da série, ao lado de Leslye Headland e Amy Poehler (Divertidamente). Elas criaram uma história que tem de tudo para ser cansativa ou repetitiva por conta dessas voltas no tempo, mas pelo contrário, a cada volta temos novos elementos e características que não deixam a história dispersar ou entediar o telespectador. Elas arrasaram com certeza e nos presenteou com uma série Original Netflix à altura.

Com um final fechadinho e sem precisar de outra temporada, eu terminei a série bem reflexiva sobre os assuntos apresentados, o principal deles sendo o suicídio, seja pela autodestruição, através do abuso de substâncias tóxicas, conhecido como suicídio indireto, ou pela causa da própria morte mesmo, o suicídio direto. Mas também me deixou com um sentimento grande de esperança.

É incrível como o fato de saber que você não está sozinho, que por mais difícil que a vida esteja, é importante ter alguém ao seu lado para que você encontre uma forma de seguir em frente e enfrentar o que o destino coloca no seu caminho. A série deixa uma mensagem de que existe luz no fim do túnel sim – literalmente -, que por mais que você não veja saída para algumas situações, ainda é possível encontrar um outro ângulo para olhar e enfrentar aquilo da melhor maneira que você pode.

E aí? Já assistiu esse lançamento incrível da nossa diva Netflix? Não? Então corre fazer uma pipoca pra maratona e se joga! Já assistiu? Então, chega mais, me conta tudo que você achou sobre Boneca Russa.

9 comentários em “Crítica da Série: ‘Boneca Russa – 1ª Temporada’

  1. Oi Lê! Apesar de ter ouvido falar dessa série, por causa daquele teste que eu fiz, eu não sabia sobre o que falava. Achava que era sobre uma agente Russa – acho que foi uma vibe mt Viúva Negra hahahahaha.
    Achei a premissa bem legal, ainda que repetida. Acredito que a forma como a série pode apresentar, que nos conquiste. Ainda mais com o adendo de tantos pontos para refletir. E achei super rápidos os epis, da mesmo pra ver buma tacada. Carnaval ta aí, né?! Hahahah
    Arrasou na crítica. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com

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  2. Confesso que não dei muita atenção pra essa série quando a vi nos lançamentos da Netflix, mas era porque não sabia do que se tratava. Agora lendo sua resenha e descobrindo a sinopse fiquei encantada, me lembrou um filme antigo que adoro, Feitiço do Tempo. Com certeza Boneca Russa será minha próxima série da lista. Obrigada pela sugestão!

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  3. Olá Letícia, tudo bem?

    Tenho visto muitas pessoas falando desta série ultimamente e ficado bem curiosa para conhecer. Não sabia do que se tratava o enredo em si, então já amei seu post e principalmente saber que se trata de uma personagem que entra em um looping da sua morte/ressurreição. Creio que pelos temas abordados dentro do enredo seja uma série que me fisgaria facilmente. Gosto do fato de trazer o suicídio e tratá-lo dessas duas formas, o indireto e o direto, pois muitas pessoas não entendem o suicídio indireto e acham que é uma “baboseira”. Com certeza irei ver essa série. Você arrasou no post!

    Beijos!

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  4. Ainda não tive tempo de assistir, porque sei que vou querer maratonar e ver todos os episódios de uma vez. A história me lembrou aquele filme “A Morte lhe dá parabéns”. Depois que assistir, volto para dizer o que achei.

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  5. Eu já ouvi sobre, mas ainda não tinha interesse. Fiquei pensando que podia ser sobre múltiplas personalidades, devido o nome da série e a arte. Mas achei bem legal tua resenha bem explicadinha, e bem eu vou aproveitar o feriadão para fazer a maratona. Gostei da temática e a ideia do looping me atra bastante,e fiquei curiosa. Obrigada pela dica ❤ Abraços!

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  6. Oi, tudo bem?
    Eu comecei a ver essa série esses dias, as criticas dela tem sido muito boas, todo mundo ta gostando. Eu gostei do pouco que eu vi, parece ser uma série bem legal, espero acabar de ver ela logo! Adorei seu post, ficou lindo!

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