Resenha: ‘Até o Fim – Harlan Coben’

Oláááá pessoal!!! Vocês acharam que não teria Harlan Coben esse mês? Pois se enganaram… Dei uma pausa na série do Myron Bolitar para ler o lançamento da vez desse autor que eu tanto amo – mas não fiquem tristes porque mês que vem, o Myron tá de volta rs. Até o Fim é livro único e é o lançamento da Editora Arqueiro de março. E surpreendendo um total de 0 pessoas, o livro me prendeu do começo ao fim. Mas, antes de qualquer coisa, confere aqui a sinopse:

Uma noite trágica. Uma vida inteira de segredos.

“O detetive Nap Dumas nunca mais foi o mesmo após o último ano do colégio, quando seu irmão Leo e a namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos da ferrovia. Além disso, Maura, o amor da vida de Nap, terminou com ele e desapareceu sem justificativa.
Por quinze anos, o detetive procurou pela ex-namorada e buscou a verdadeira razão por trás da morte do irmão. Agora, parece que finalmente há uma pista.
As digitais de Maura surgem no carro de um suposto assassino e Nap embarca em uma jornada por explicações, que apenas levam a mais perguntas: sobre a mulher que amava, os amigos de infância que pensava conhecer, a base militar próxima a sua antiga casa.
Em meio às investigações, Nap percebe que as mortes de Leo e Diana são ainda mais sombrias e sinistras do que ele ousava imaginar.”

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Napoleon Dumas – Nap, para todos – não teve uma vida muito fácil. Quando tinha 18 anos, perdeu seu irmão gêmeo, Leo, de uma forma brutal e inesperada: Leo e a namorada, Diana, foram atropelados por um trem. Alguns dizem que eles se suicidaram juntos, outros colocam a culpa nas drogas e no álcool que todos os jovens consumem, outros dizem que foi acidente… seja qual for a teoria, Nap perdeu sua outra metade naquela noite e isso é algo que dói até hoje.

Junto com a morte do irmão, Nap também perdeu a sua própria namorada, Maura. Mas ela não morreu no acidente do trem, ela simplesmente foi embora com a desculpa de que por conta daquela tragédia toda, ela não conseguiria permanecer na cidade. Mas ela foi sem sequer se despedir e Nap nunca encarou isso muito bem. Por isso, quando ele se tornou policial, ele colocou o nome dela no AFIS (Sistema Automatizado de Identificação de Datilogramas) para que, se algum dia, as digitais dela ou seu DNA entrassem no sistema, ele fosse avisado.

“Não quero soar dramática, mas os fantasmas daquela noite ainda estão presos aí, dentro de você. Talvez a verdade os liberte.”

Quinze anos se passaram, desde que Nap teve seu mundo desmoronado pela morte do irmão e pelo abandono da namorada, e ele age como se fosse uma espécie de justiceiro. Mesmo sendo da polícia, o trabalho dele nas horas vagas é bater em homens que abusam de mulheres até deixá-los no hospital e assim, dar o tempo para que essas mulheres consigam fugir dos seus algozes. Até que, um dia, após arrebentar um cara com um taco de beisebol, Nap recebe uma visita de dois policiais: a tenente Stacy Reynolds e o detetive Bates. Eles trouxeram uma notícia para Nap: as digitais de Maura foram encontradas na cena de um crime.

E acontece que não foi um crime qualquer, foi o assassinato de um policial, Rex Canton, que estudou com Nap no colégio. Tudo aquilo parece muito estranho… aparentemente Maura estava no carro do assassino, pois as digitais dela estavam tanto na parte do passageiro, quanto na parte do motorista, então tudo indica que ela é cúmplice do assassinato, mas por quê? Por que Maura iria querer matar Rex que foi um dos seus amigos do colégio?

Assim, Nap começa a ajudar na investigação para tentar encontrar Maura. Ao conversar com Ellie, uma das duas pessoas no mundo que ele ainda tem na sua vida, eles tentam encontrar o por quê de tudo aquilo. Ellie, que estudava na mesma escola de Nap e era melhor amiga da Diana, mostra o anuário da escola para Nap, pois ela achou uma coisa estranha: determinados alunos, apareciam nas fotos com uma espécie de broche com dois Cs, um sobreposto ao outro. Nap sabia o que era aquilo, eram dos membros do Clube da Conspiração.

O anuário mostrava que Leo, Maura e Rex faziam parte desse clube junto com outros dois alunos Hank e Beth, todos eles usavam o broche do Clube nas fotos. Nap, claro, sabia do que aquele clube se tratava, pois seu irmão e a namorada contaram pra ele. Seguindo uma determinada trilha da escola, onde adolescentes costumavam ir para beber, fumar e transar, acabava dando numa antiga base militar onde, na época, tinha uma placa avisando que ninguém podia se aproximar. Todos da cidade tinham suas teorias sobre aquele lugar, mas a verdade mesmo – a qual ninguém acreditava – era que ali era uma base do Projeto Nike para lançamento de mísseis antiaéreos. O objetivo era proteger Nova York de ataques dos soviéticos. Lá pelos anos 70 a base foi desativada e dizeeeem que lá passou a operar o Departamento de Agricultura. O Clube da Conspiração não acreditava nisso.

“O governo seria capaz de matar para manter um segredo? A resposta é tão óbvia que a pergunta se torna retórica.”

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Nap e Ellie começam a montar algumas peças do quebra cabeça ao perceber que dos cinco que eles tinham certeza que faziam parte do clube Leo (e Diana, mas ela não usava o broche nas fotos) e Rex morreram, Maura está desaparecida, Hank era um gênio do MIT que enlouqueceu e acabou se tornando um dos mendigos da cidade e ninguém tem notícias de Beth há tempos, mas sabe-se que ela mora em outra cidade. Dúvidas sobre a morte de Leo e da Diana começam a brotar na mente de Nap… será que o Clube da Conspiração descobriu algo muito importante sobre aquela base militar e por isso seu irmão, Diana e Rex foram assassinados?

É fácil, para nós perceber o quanto Nap se sente incompleto. Perdeu o irmão gêmeo que, desde o útero da mãe, estava com ele em todos os momentos. Depois a namorada, que ele pensava que era sua alma gêmea, foi embora sem deixar vestígios pra ele encontrá-la. O pai, a última pessoa viva da família Dumas, morreu há algum tempo. Nap só tem duas pessoas em quem confia e ama: Ellie, que se aproximou dele depois da morte de Leo e Diana, pois a dor dos dois era muito parecida; e Augie, o capitão da polícia, que era amigo do seu pai e é como se fosse um segundo pai pra ele. Agora, com a possibilidade do irmão ter sido assassinado, em vez de ter sido um acidente, todo o passado volta a atormentar Nap e ele percebe que nem tudo era o que parecia ser. Mentiras e omissões fazem Nap desconfiar que ele não pode confiar em ninguém e que, na época, ele era mais ingênuo do que imaginava.

“Eu mal podia esperar para te contar tudo, Leo. Eu e papai ficamos na cozinha, esperando você chegar. As boas notícias nunca eram realmente boas antes de eu dividi-las com você. (…) Já eram quase duas horas da madrugada quando um carro finalmente apareceu e eu corri para a porta.
Mas não era você, claro. Era Augie numa viatura de patrulha.”

Harlan nos traz uma história envolvente e eletrizante que nos prende do começo ao fim. Fazia muito tempo que eu não lia algo do Harlan que não fosse da série do Myron e confesso que foi um pouco estranho ler algo diferente. Quando soube do nome completo de Nap, só consegui imaginar o quanto Myron iria rir e fazer piadinhas idiotas sobre isso do jeito que ele gosta rs. Então, em determinada parte do livro, adivinha quem dá as caras? O PRÓPRIO! Mozão Bolitar tem uma participação especial nesse livro uhuuuu. Foi pequena e insignificante, mas eu fui à loucura (#JáTôComSaudades).

De verdade? Esse não foi o melhor livro que eu já li do Harlan. A história desperta a curiosidade e faz com que teorias se formem na sua cabeça, mas eu senti que faltou algo. Eu, mais ou menos, desconfiei de uma parte do final que, depois, vi que estava certa, então não tive aquela explosão de OH MEU DEUS que geralmente tenho com os livros dele. Ainda assim, é uma ótima história… só não surpreende muito.

O trabalho da Editora Arqueiro nesse livro me deixou um tanto dividida. Pra começar, eu (e a maioria dos fãs do Harlan) achei essa capa muito esquisita e esperava que, no decorrer do livro, tivesse alguma explicação pra ela ser assim estranha. Fui mais ou menos atendida, mas ainda acho que poderia ter sido feita de modo diferente. Com o tempo fui acostumando, mas não é o livro mais lindo da estante. A narração é feita em primeira pessoa, como se o Nap tivesse contando tudo para o Leo. Ele conversa diretamente com o irmão durante a narrativa e eu amei isso. Achei alguns errinhos de revisão também, que me deixaram um tanto incomodada. Mas, para compensar tudo isso, essa editora linda ouviu seus leitores e encontrou uma forma de mandar o pin sem machucar o livro. Obrigada, Arqueiro!!!

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Como sempre, Harlan nos traz assuntos interessantes para refletirmos. Um dos que mais me marcou foi a questão de fazer justiça com as próprias mãos. Para alguns, parece “lógico” matar ou bater até aleijar alguém que abusa de crianças, que assassina um ente querido ou que bate numa mulher… mas no fim, percebemos que tem o outro lado da moeda e é preciso deixar que a Justiça cuide de certos casos, mesmo sendo um sistema falho. O peso de fazer justiça com as próprias mãos é grande demais e, muitas vezes, acaba não compensando.

“Procuro não me perder nos olhos dela, porque tudo está contido neles: a história em si, as conjecturas, as evasivas. Nos olhos de Maura eu vejo você, Leo. Vejo a vida que tive um dia, a vida da qual sempre morri de saudade.”

Até o Fim me deixou vidrada nas páginas por conta de todo o mistério da história. Me fez chorar ao sentir a dor do Nap pela perda do seu irmão. Me fez achar que, em certos casos, vale a pena matar alguém que fere ou mata outra pessoa. Me fez entender lados da história que, antes, sempre julgava. Me mostrou a dor de um pai ao perder sua filha. Esse livro, cheio de tantos sentimentos e reflexões, leva minhas 4 Angélicas e meu eterno amor de fã por Harlan Coben.

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7 comentários em “Resenha: ‘Até o Fim – Harlan Coben’

  1. Ainda nao tive oportunidade de ler Harlan, mas adoraria. Só o fato de saber que ele escreve histórias cheias de suspense já me fascina. Este livro me deixou bem curiosa e apesar de você te comentado que ele não te surpreendeu, imagino que quando chegar a minha vez de le-lo, vou acabar ficando com o coração na mão! Rs
    Parabéns pelo post e pela resenha, Lê!

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  2. Eu já ouvir sobre as obras de Harlan, ainda não tive a sorte de ler. Mas quero em breve poder ter acesso ao um dos livros, para entender o estilo dele e as temáticas que curte discutir. Eu gostei bastante da história, e achei legal como você descreveu a narrativa. O post tá bem completinho :)) Abraços!

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  3. A história parece ser muito intensa, nos faz mergulhar nas páginas e gera reflexão. É natural que o sentimento de fazer justiça com as próprias mãos fale mais alto em alguns casos, mas concordo que esse é um fardo pesado demais pra se carregar.

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  4. O Harlan é uma profusão de vida e criatividade literária… Personagens sempre muito humanos e controversos. Tramas sempre muito e muito bem amarradas. Eu sou fã desse cara! Esse livro ainda não li, mas estou caminhando pela saga de suas obras! Adorei ler esse post!

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  5. Oi Lê. Confesso que fiquei bem curiosa pra ler. Ainda não peguei nada do Harlan, então pode ser que eu me desse bem com a leitura. To quase fazendo parte do Clube da Conspiração, de tantas teorias que to começando a fazer aqui. Eu acho que a gente começa a matar partes do final, tanto pelo vício nesse tipo de leitura, quanto com a proximidade com a escrita do autor. Adorei sua resenha, me deixou super curiosa. Acho que vou investir sim. E vai que vem com o pin ainda né haha
    Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  6. Oi Letícia,

    Ainda não li nada do Harlan (por enquanto) e estava pensando em ler este livro por ser único, mas depois da sua opinião me senti brochada. Tenho um certo problema quando desvendo as coisas antes do final e talvez se acontecesse isso, iria me desestimular e talvez eu acabasse não lendo mais nada do autor por decepção.
    Mas, por outro lado, o que narrou da história me deixa curiosa e tenho quase certeza que vou dar uma chance. Essa capa não me agrada, mas faz parte haha
    Arrasou na resenha mais uma vez!

    Beijos!

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