Resenha: ‘Graça e Fúria – Tracy Banghart’

Oi gente!! Eu terminei de ler Graça & Fúria e precisava compartilhar todos os sentimentos que essa leitura me trouxe. Eu comecei a ler meio com pé atrás porque não conhecia a escrita da Tracy Banghart, mas ao longo da leitura você não consegue largar. O livro publicado pela Editora Seguinte em julho/2018 e é o primeiro de uma trilogia e eu só digo uma coisa: cadê a continuação? Antes de continuar a falar, leiam a sinopse…

“Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças ― jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro.
Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real ― mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes.
Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram ― e farão de tudo para se reencontrar.”

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Em Viridia as leis são bem claras e o superior ou rei determinou que as mulheres não tem direitos como os homens, elas estão ali para servir. A cada três anos mulheres são enviadas ao palácio para serem escolhidas como Graças do superior, ou seja, o homem escolhe três novas mulheres para fazer parte de seu harém. Este ano, seu herdeiro, Malachi, completa 20 anos e vai escolher suas primeiras Graças e é assim que o caminho das irmãs Tessaro se cruzará com o do herdeiro e com a família real de Viridia.

Serina, a mais velha das irmãs e considerada a mais bonita, foi treinada pela mãe a vida toda para se tronar uma graça. Ela nunca teve que se preocupar com nada além disso, então quando chega o seu grande dia, ela está pronta para ser uma das três graças do herdeiro de Viridia. Ela é linda, submissa, despreocupada com a rigidez do sistema, ou seja, a mulher ideal para ser escolhida. O problema é que sua irmã, Nomi, completamente desobediente e contra o sistema tão rígido, é escolhida em seu lugar. Nomi tinha ido para ser aia de Serina e acabaram tendo suas funções trocadas quando Malachi a escolheu no lugar de Serina.

As duas são colocadas em posições que desconhecem e precisam aprender a lidar com isso, mas Nomi nunca foi conhecida por seguir regras e não será dessa vez que fará isso. Ela nem mesmo sabe fingir que é submissa, mas as irmãs estão determinadas a sobreviverem no palácio mesmo que no primeiro minuto de Nomi nele já tenha sido quebrando uma das leis. Uma das principais leis de Viridia é que as mulheres não podem ler, então não esperado que elas saibam. Mas Nomi aprendeu e quando viu a biblioteca do palácio, ela não resistiu e roubou um livro.

“A lei proibia que as mulheres lessem. Na verdade, proibia que fizessem praticamente qualquer coisa além de parir, trabalhar em fábricas e limpar a casa de homens ricos.”

Ela esconde o livro, mas acaba mostrando para Serina. Ali em Bellaqua, ela só poderia contar com a irmã, então não pode manter o livro como segredo. Serina é claro que se assusta ao saber que Nomi pegou algo que pode arruinar as duas, mas promete que juntas darão um jeito. Serina não sabe ler, mas já ouviu aquela história tantas vezes que já decorou toda a história. Ela segura o livro e vai recitando a história para Nomi e é assim que ambas são encontradas pela Graça-Maior, Inês.

Serina logo é levada ao Superior e acusada de saber ler. Ela não desmente porque se não Nomi seria condenada, sendo assim, Serena que veio a Bellaqua para se tornar uma das Graças do herdeiro, acaba condenada a viver para sempre em Monte Ruína, a pior cadeia de Viridia e na qual ninguém poderia fugir. Primeiro porque fica numa ilha e segundo que os crimes cometidos pelas mulheres não tem perdão. Serina terá que aprender a viver num mundo carcerário onde ela precisa lutar pela própria comida. Enquanto isso, Nomi tenta descobrir o que aconteceu com Serina e aprender como viver sendo uma Graça.

“Tudo naquele mundo, até as prisões, colocavam as mulheres umas contra as outras enquanto os homens só observavam.”

Apesar da separação repentina das irmãs, tudo que Nomi faz no palácio é na esperança de poder salvar Serina. Paralela a trama de Nomi, Serina está vivendo a difícil vida em Monte Ruína. Nenhuma prisão é um lugar legal, mas Monte Ruína foi feito para que as mulheres lutassem pela própria sobrevivência. Elas são divididas em grupo e precisam lutar entre elas para receber comida. O grupo que ganha, pode sobreviver por mais tempo, enquanto as outras vão passar fome até a próxima disputa. Elas foram colocadas lá para morrerem, mas antes disso acontecer podem servir de diversão para os guardas.

A trajetória dessas irmãs serão bem diferentes e apesar de ter simpatizado inicialmente mais com Nomi, foi Serina quem foi me conquistando durante a leitura. Nomi sempre foi tida como ‘rebelde’, mas em vários momentos, eu a vi como uma medrosa. Eu entendo que ela estava numa posição diferente de tudo que ela sonhou, mas ela não poderia fraquejar já que a irmã tinha sido banida para Monte Ruína por causa de um erro dela. Mesmo que ela não gostasse de ser uma Graça, a vida ali no palácio ainda era melhor do que ter que lutar pela própria sobrevivência.

“Somos inteligentes e perigosas. Os guardas sabem disso. Sabem que temos o poder de derrubá-los se trabalharmos juntas. Precisamos parar de nos matar e lutar contra eles.”

Já Serina, a menina meiga e submissa, foi ganhando uma força de viver que me impressionou muito. A cada novo capítulo, eu pensava que ela poderia ter uma recaída e voltar a ser aquela menina boazinha e ingênua, mas Serina não poderia morrer sem lutar. Ela logo percebeu que o resto da sua vida não seria fácil, então ela só tinha duas coisas a fazer: ficar se lamentado ou lutar contra o sistema. E ela lutou. Ela despertou toda a sua fúria e foi contra um sistema opressor. Ela finalmente percebeu o quanto ela tinha permitido ser silenciada, mas isso não aconteceria mais.

São duas tramas em uma e as duas são importantes para a derrocada de Viridia. Nomi vai tentando derrubar de dentro para fora já Serina vai tentando conseguir aliadas dentro da prisão. Essa história tem muitos personagens importantes e bem construídos, mas o destaque ainda é a sororidade que vai sendo construída durante a trama. A primeira a perceber isso é Serina já que tenta unir as mulheres na prisão no lugar de lutarem para entreterem os guardas. É claro que não será nada fácil, mas o trabalho de resistir a opressão precisa ser contínuo.

“Mas sua irmã sempre estava certa. Valia a pena se rebelar. Só o ato de resistir podia mudar o mundo.”

Eu comecei a ler sem muita expectativa e o início é até bem arrastado, mas a história vai ganhando fluidez e a gente não consegue largar. O interessante de ler histórias como Graça & Fúria é de perceber pequenas e sutis semelhanças com o mundo em que vivemos. Quando o ápice da história acontece, nós percebemos o porque de Viridia ter virado aquele tipo de sociedade opressora e pra dizer bem a verdade, eu não fiquei tão abismada, pois livros como este estão sempre nos mostrando como a nossa sociedade ainda é muito patriarcal, misógina e machista. Aqui em Graça & Fúria, a sociedade faz de tudo para manter as mulheres separadas, o mais submissa possível e distante do que realmente acontece. É isso que Serina percebe e tenta mudar. Se todas se unirem, elas podem derrubar aquele governo.

Graça & Fúria veio numa edição belíssima com capa e contra capa muito bem trabalhadas. Nomi e Serina não são gêmeas, mas estão parecidas nas imagens. Isso nos dá impressão de uma seria a Graça e a outra Fúria. As edições da Editora Seguinte vem com o marcador preso ao livro, mas eu não tive coragem de tirar. A diagramação é bem simples, mas tem fonte e espaçamento confortáveis para leitura e as páginas são levemente amareladas. A narrativa é feita intercalada entre Serina e Nomi, então é possível se aproximar das duas personagens e foi assim que Serina me conquistou.

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Graça & Fúria é um livro jovem adulto, mas com temas bastante interessantes a serem abordados. É claro que teremos um clima de romance, pois o mundo pode tá caindo mais eu quero ver o povo se amando rs, mas também temos as questões políticas sendo abordadas. É impossível não vibrar com um livro tão envolvente. Pra quem ama uma distopia com protagonistas muito Girl Powers, com certeza vai curtir Graça & Fúria e ainda vai ficar surtando com um final eletrizante. Eu fico imaginando quem leu esse livro lá em julho do ano passado e está até hoje querendo saber o que aconteceu com Serina e Nomi. Eu li tem um mês e ainda não consegui parar de pensar nessa história. O bom é que a editora já confirmou o segundo livro para os próximos meses. Deixo minhas 4 Angélicas com muita expectativa para a continuação.

CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

9 comentários em “Resenha: ‘Graça e Fúria – Tracy Banghart’

  1. Esse livro têm tudo o que me prende. O enredo é super envolvente e até mesmo a sinopse nos deixa cheios de curiosidade. Só de saber que tem romance (muito) e é uma série já fico apaixonada. Amei essa super dica e parabéns pela linda postagem.

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  2. Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
    Vamos ver se eu entendi: Elas estudam para se tornar Escravas? Estudam no sentido que treinam. Não podem ler? Mas está tudo louco?! Eu ia para a ilha. Vou servir um troglodita que nem sabe tratar uma mulher direito? Acho que é esta revolta que eu estou a sentir que faz ler até ao final do livro ahaahah
    Beijokitaz

    http://www.devaneiosdemissl.com

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  3. Olá,
    Achei a história bem interessante, ele me fez recordar um livro futurista que também fala da tentativa de submeter as mulheres: O Conto da Aia, que virou série e é muito intenso.

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  4. Oiiii! Primeiramente, que lindo o seu blog! Também não conhecia a escrita de Tracy Banghart. Fui apresentada por você, aqui, agora! Parece uma bela trilogia, e me lembrou um pouco (corrija-me se estiver enganada) o estilo de escrita de Sarah J. Mass. Gosto muito de trilogias, séries literárias, mas tenho dificuldades em dar continuidade se não estiver com todos os volumes em mãos.
    Te digo que super leria, de verdade!
    Parabenizo você pelo lindo trabalho! Cada foto, cada quote, cada carinho! Quero voltar!
    Grande beijo!

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