A Hora do Chá ‘Retrato do Meu Coração – Patricia Cabot’

Oi ooooi gente! Estou voltando para a coluna mais gostosa desse blog. Dessa vez, trouxe um livro que eu não conhecia e que foi uma surpresa incríveeeel! Eu conheci Retratos do Coração, porque ele veio na terceira caixa do Clube de Romance da Carina, como a joia da coleção do Grupo Editorial Record e eu fiquei chocada em descobrir que ele já tem SETE anos de publicação e eu nunca tinha nem visto! Antes de falar qualquer coisa, vamos a sinopse…

Em Retrato do meu coração, ela conta a história de Margarethe Herbert. Quando menina, magricela, alta e desengonçada, era o alvo de brincadeiras e provocações das outras crianças. Em especial do futuro duque de Rawlings. Mas não há nada que o tempo não mude, e com Maggie não foi diferente. Passados cinco anos, a Srta. Herbert não é mais a mesma, e os vestidos que antes ficavam largos agora enfeitam belas curvas. Mas o mais engraçado é que ela não se dá conta disso. O que não quer dizer que todos os outros, inclusive os homens, já não tenham percebido a transformação. Principalmente o conquistador Jeremy Rawlings, que, ao retornar da universidade, descobre que a implicante amiga de infância tornou-se uma linda mulher. E qual não é a surpresa de Maggie ao reparar que o menino para o qual não perdia nenhuma luta subitamente se tornou um homem tão atraente. Em Retrato do meu coração, Meg “Patricia” Cabot encontra Jane Austen, e cria um divertido romance, repleto de intrigas,ciúmes e perigo.

Maggie Herbert nunca foi aquela dama que conquistava uma legião. Ela era bem alta e desengonçada, com vestidos sobrando em seu corpo, alvo de provocações e se dedicava a pintura. Isso era seu sonho e sua maior vontade, ainda que não fosse visto com bons olhos pela sua família, com exceção de sua mãe. Sua família era muito próxima da de Jeremy, futuro Duque de Rawlings.

Após ser expulso de Oxford, Jeremy retorna para casa, bem em um dia em que Maggie estava visitando seus tios. Como está há um bom tempo sem ver o amigo, ela decide surpreendê-lo. Mas, logo vai perceber que o rapaz está muito mais bonito do que se lembra. E eles vão acabar se envolvendo numa confusão, extrapolando limites que poderiam causar a ruína da reputação de Maggie.

– Amigo? – repetiu ela, pigarreando em seguida. – Desde quando nós somos amigos? Inimigos seria uma palavra mais adequada.
– Quem abrigava todo o sentimento de hostilidade era você – corrigiu Jeremy, com uma expressão zombeteira de mágoa. – Nunca entendi o motivo. Você tornava minha vida um inferno, quando eu só queria…

Enquanto os familiares pensam em soluções para reverter o quadro, vamos ver os dois tendo uma discussão com isso. Com tudo o que aconteceu, Maggie, finalmente, consegue realizar seu sonho de ir estudar em uma escola de artes em Paris. Já Jeremy, tenta pedir a dama em casamento, ao passo que ela recusa. Com isso, ele decide entrar pro exército, até para mostrar que pode ser uma pessoa com responsabilidades, como pede seu título. Mas, existe uma promessa suspensa de que eles posso trocar cartas e até mesmo se reencontrar.

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Cinco anos vão se passar depois de tudo isso e reencontramos os personagens bem transformados. Jeremy um homem honrado, cheio de condecorações, mas que volta para casa por um motivo e com um objetivo. Já Maggie é uma mulher mudado. Depois de anos estudando em Paris, ela amadureceu bastante suas ideias e ideias. Além disso, seu corpo mudou drasticamente, deixando a dama belíssima.

[…] e aprenda uma valiosa lição: que não se deve confiar nos homens e, mais importante ainda, que também não podia confiar em si mesma do lado de um. A partir de agora, seria muito fácil previr incidentes parecidos.

Mas, a conquista de sua independência teve uma preço caro a pagar. Sua mãe acabou falecendo e ela acabou sendo deserdada pela família, afinal, não estava em seus planos construir seu próprio lar, mas sim, seguir pintando seus quadros. Com isso, mais do que nunca, ela precisa de trabalho para poder pagar o aluguel de seu atelier, enquanto vai morando na casa da família de Jeremy, em Londres.

O tão aguardado encontro entre os dois acontece, mas junto dele, vários desencontros e confusões. Jeremy acredita em certas coisas como verdade, Maggie em outras e, conforme vão conversando, acabam confirmando as dúvidas um do outro, sem saber o tamanho que o rolo está ficando.

Eu não quero falar muito da história, porque é muito legal mesmo ir descobrindo as coisas no decorrer dos capítulos e como um romance de época, ele é repleto de seus encantadores clichês, que poderiam ser grandes spoilers. Mas, confesso, surpresas também rondam essa trama.

– Tem razão – observou Jeremy. – Você é um pouco difícil. Para sua sorte, sou generoso e a perdoo. Um homem menos seguro a esta altura poderia se sentir indesejado. Quando dizer, depois de esperar por você durante cinco longos anos.

Vamos falar sobre os personagens. Magie é uma pessoa muito doce, com muitos sonhos e, até mesmo, inocente. Conhecemos ela mais nova, quase se envolvendo em um escândalo, mas que acabou conquistando o direito de fazer o que amava. Mas, é bem triste o modo como a reencontramos. Ela está bem, tem uma certa fama, até mesmo pessoas especiais em sua vida, principalmente uma amiga bem fiel, mas acabou renegada pela família por causa do que escolheu fazer.

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Confesso que essa foi a minha maior surpresa com a trama. Até hoje, todos os romances de época que li, mesmo quando as mocinhas faziam coisas que não seriam aceitas na sociedade, elas acabavam bem. As famílias acabam, ou não descobrindo, ou lidando bem, respeitavam suas decisões e, porque não, dizer que apoiavam certos pontos. Mas isso não aconteceu aqui. Maggie foi totalmente ignorada, isolada e deserdada por aqueles com quem compartilha o sangue. E isso me fez detestar eles. A irmã dela é cruel e tão desnecessária. Sei que minha opinião é baseada na visão “século XXI” e comparada com outras histórias que li, mas não dá. O pai é outro, que só piora com o fato que se deixa manipular – oh como é cômodo – pela filha mais velha. Sinto pena da Maggie, porque ela não perdeu só a mãe que a apoiava. Ela perdeu todos. Eu foi encontrar refúgio com Pegeen e Edward, tios de Jeremy. Mas tudo isso, sem perder seu jeito doce, batalhadora e sonhadora. Acho que é por isso que ela se tornou a minha personagem preferida do livro e até mesmo uma das minhas mocinhas preferias.

– Caso você se lembre, da última vez que saí de cima de você tive que esperar cinco anos para conseguir uma chance de subir novamente. Uma coisa que eu aprendi na cavalaria, minha querida: oportunidade é tudo, e bater em retirada leva a exatamente lugar nenhum.

Já Jeremy é um libertino, daquele tipo que a gente ama se apaixonar. Desde o início percebemos como ele se interessa pela Maggie que reencontrou e que queria que eles já ficassem juntos ali. Mas, ambos precisavam passar por experiências e amadurecer principalmente ele. Ele volta com muita coisa na bagagem e uma certa ‘Estrela de Jaipur’, que vai rende muita confusão, sem que ele nem saiba do que se trata. Acho que ele vai se esforçando, não só para mostrar que ele não é a mais o jovem inconsequente, como também provar que quer que Maggie seja feliz, ele começa a bolar maneiras de mudar o que está errado e conquistar de vez o coração da mulher que ele já havia pedido em casamento.

É muito gostoso ver que a vida deles, a relação entre eles, é divida em duas partes, ao menos para gente. E conseguimos ver o quanto eles mudam durante todo esse tempo, mas com o sentimento muito presente. Já falei que Maggie colocou o nome de seu cachorro como Jerry? Para vocês verem como ela é espirituosa. O romance entre os dois, só cresce e nos cativa. Eles ainda tem aquele sentimento jovem, imaturo, mas que é tão forte, que nem anos e anos separados foi capaz de dar fim. Eles brigam, discutem, são super teimosos, com humores afiadíssimos, mas se completam em suas diferenças e igualdades. São personagens que erram e acertam, que crescem, evoluem e sempre encontram o caminho em busca de seus sonhos. São perfeitamente imperfeitos e apaixonantes.

[…] Só Jeremy e Maggie, como sempre deveria ter sido, e teria sido, não fossem pelos cinco anos de teimosia de ambas as partes. Pois bem, isso nunca mais aconteceria, não enquanto ele estivesse vivo. Afinal, Maggie era sua..

Eu já conhecia a escrita da Meg Cabot, com toda a história de Diário da Princesa e não sabia muito bem o que encontraria no seu pseudônimo. Mas, acredito que podemos ver a linguagem um pouco mais madura, mais voltado para outro público. Ainda sim, ‘Patricia’, escreve um texto muito gostoso, suave e doce, enquanto nos envolve em sua história e seus personagens, suas camadas e evoluções. Esse lado ‘de época’ da autora me arrebatou. Já corri para comprar outro, ainda que publicado por outra editora, assim como coloquei as edições da Record na wish list também.

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A diagramação, por dentro, é bem simples. Folhas amareladas, letras e espaçamento confortáveis para a leitura. Acho que o que dá o toque de lindeza total para a edição é a capa e a contra capa. Eu fiquei completamente apaixonada pelo trabalho da editora. Tão delicada, tão chamativa aos olhos. O título vem em uma espécie de alto relevo.

É impossível não dar todas as Angélicas possíveis para Retratos do Meu Coração. A história tem camadas, é gostosa, leve e apaixonante. A leveza e beleza do romance de Maggie e Jeremy tocou meu coração. E Patricia Cabot conquistou de vez meu coração e um espaço para seus livros de época na minha estante.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

6 comentários em “A Hora do Chá ‘Retrato do Meu Coração – Patricia Cabot’

  1. Ainda não tinha visto esse livro, mas só pela sua resenha eu já fiquei muito interessada em ler.
    Adoro leituras que sejam mais leves e vai sendo construída aos poucos… essa, parece ser uma historia muito boa.

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  2. Gostei demais da sua resenha,essa obra parece ter uma história emocionante e repleta de surpresas. Senti também que é uma leitura leve e rápida. Excelente dica.

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  3. cada vez que eu vejo um romance de época (que não é bem o genero que eu costumo ler) com personagens mais reais e diferentes, eu fico super tentada a ler, eu sempre tive uma ideia de romance de época que era uma coisa meio irreal, pelas resenhas que eu via eu sentia muito isso sabe, mas tô realmente curiosa com esse livro, parece ser super emocionante! Adorei!

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