Resenha ‘As Três Partes de Grace – Robin Benway’

Oi ooooi gente! Hoje eu trouxe a minha última resenha desse 2019 para vocês! Nossa, como voou esse ano e o bom é que o saldo de leituras foi mais positivo do que qualquer coisa. E, para fechar com chave de ouro, vou falar sobre um livro vencedor do National Book Award. E que vem com uma trama tocante, sobre a busca pela família. Antes de mais nada, vamos a sinopse…

Três adolescentes muito diferentes, unidos pelo mesmo laço de sangue, estão prestes a embarcar em uma jornada para descobrir o significado da família em suas muitas formas. Grace sempre soube que era adotada, mas, criada como filha única, nunca se preocupou em conhecer a família biológica. Até descobrir que estava grávida e tomar a difícil decisão de dar a filha à adoção. Agora, ela quer entender suas origens e conhecer os irmãos que nem sabia que tinha. Maya é a caçula. Desde a infância, ela se sente deslocada por ser o único pontinho castanho nos álbuns de fotos daquela família ruiva perfeita… ou não tão perfeita. Reconhecer-se nos traços daqueles semi desconhecidos é um alento quando seu lar adotivo parece prestes a desmoronar. Diferente das irmãs, Joaquin, o mais velho, nunca encontrou um lar adotivo e não tem nenhum interesse em procurar pela mãe biológica. Aos dezessete anos, calejado por muitas experiências de abandono, ele vai precisar da ajuda das irmãs para superar a recusa em estabelecer laços afetivos. Juntos, Grace, Maya e Joaquim protagonizam uma emocionante história sobre como encontrar uma família, preservá-la e aprender a amar.

Grace é uma menina de 16 anos. Ela acreditava que várias coisas eram eventos certos, inclusive o de ir ao Baile de Boas Vindas com seu namorado. Mas, ela estava, na verdade, dando a luz a sua ‘Pesseguinha’. E sozinha, já que o Max terminou com ela e abriu mão de todos os direitos sobre a filha. Mas, Grace sabe que não pode ficar com a bebê, então se encarregou de encontrar a melhor família possível para a pequenina.

Depois de voltar para casa, sem a sua neném, Grace começa a sentir um vazio sem fim e muita tristeza, mesmo sabendo que foi a melhor decisão. A vida toda ela soube que foi adotada, mas nunca tinha se interessado em procurar sua família biológica, mas isso muda. Então, a primeira coisa que ela descobre é que tem dois irmãos: um mais velho e uma mais nova. Sendo que a caçula mora a poucos minutos dela. Assim começa o encontro de todos eles.

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Maya também sempre soube que era adotada. Até porque, não teria como mentir, sendo a única morena numa família de ruivos. Logo depois de sua chegada na casa, seus pais descobriram que estavam esperando Lauren. Mas isso não mudou em nada o amor que eles sentiam por ela e assim as irmãs cresceram muito bem. Mesmo que problemas normais tenham surgido durante a adolescência, é óbvio que as irmãs se amam.

Houve um curto silêncio depois disso, enquanto os três olhavam de um para o outro antes de Maya abrir um sorrisão.
– Estamos começando a estabelecer um vínculo! – exclamou ela. – Um vínculo com base em condimentos!

A menina se assumiu lésbica e tem uma namorada, mas, ao contrário de todos os problemas que ela enfrenta em casa, isso foi muito bem aceito e apoiado por seus pais. Só que ela precisa lidar com as brigas e gritarias constantes do casal, assim como com o fato de que a mãe tem bebido cada dia mais. Maya recebe o email que Grace envia e aceita encontrar a irmã e, mesmo com diferentes personalidades, elas se aproximam.

Quando elas se encontram, decidem contactar o irmão mais velho delas, Joaquin. Diferente das irmãs, que foram adotadas assim que nasceram, o rapaz de 17 anos ainda ficou com a mãe por um tempo, até ser levado para um abrigo. Passou por diversas casas, quase foi adotado uma vez, mas tudo se desfez. Com isso, ele acabou ficando no sistema, até encontrar um casal que se encantou com ele.

Mesmo com o menino quase completando a maior idade, Mark e Linda tem muita vontade de adotar Joaquin. O problema é que depois de tantos traumas, ele ainda tem muita relutância em se render. Não só quanto a adoção, mas aos presentes que ganha, aos atos do casal, a chamá-los de mãe e pai. Ele não tinha a menor noção da existência das duas irmãs, mas aceita se encontrar com elas e fica feliz que elas tenham sido bem cuidadas e sejam felizes.

– Acho que alguém que passou por tanto sofrimento deve ter um coração enorme. – A voz de Grace estava pensativa. – E não importa o que aconteça, Maya e eu nunca vamos devolver você.
– Não mesmo – concordou Maya. – Esse negócio já foi fechado. Sem devoluções, nem reembolso.

Eles começam a se encontrar e criar laços entre os três e entre as famílias. Todos acabam satisfeitos de ver que os três irmãos se reencontraram. Cada um deles tem uma personalidade e um modo de encarar as coisas e, claramente, isso fica evidente em vários momentos em que eles estão juntos. Mas, a verdade é que cada um deles acaba mantendo segredos um do outro. Nada que seja absurdamente grave, mas são coisas que eles sofrem em seu interior e tem medo de contar e serem julgados e até deixados de lado.

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Mas, conforme forem abrindo seus corações, eles vão fortalecendo uns aos outros e mostrando que eles vão estar ali para tudo. Ou quase tudo. Grace insiste que eles devem procurar a mãe biológica deles e tentar entender porque ela os deixou. Só que Joaquin e Maya não estão com a mínima vontade de fazer esse encontro acontecer. Entre decidir se vão atrás da progenitora deles, uma amizade crescente, superação de medos e segredos, nós vamos acompanhar esses três irmãos entenderem e descobrirem tudo sobre si mesmos e os laços puros de amor.

Quanto mais velha ela ficava, mais humanos os seus pais pareciam, e isso era uma das coisas mais apavorantes do mundo. Ela sentia falta de ser pequena, quando eles eram deuses que sabiam de tudo, mas, ao mesmo tempo, vê-los como seres humanos tornava mais fácil para ela se ver assim também.

Não quero me estender na trama, porque é muito interessante ver os caminhos, resoluções e emoções que esses três tem pela frente. Grace é quem dá o pontapé em tudo. Talvez por ser a primeira que conhecemos, eu me apeguei demais a ela. Sofri junto com ela, fiquei com medo e raiva e tive esperanças de que tudo poderia se resolver. Acho que fiquei com o coração em paz. Ela é uma menina tão querida, que acredito que seja muito difícil não se sentir tocada por ela.

Maya é a mais nova e, talvez por isso, a mais mimada dos três. Ela tem um jeito bem maluquinho de ser e que pode, algumas vezes, ser até meio irritante. Por ter um jeito explosivo e, ao mesmo tempo, reservado, acaba brigando com as pessoas. A verdadeira forma de ataque como defesa. Vai lidando com a situação dos pais, especialmente da mãe, junto com Lauren. Enquanto afirma para a irmã mais nova que nem mesmo com os seus irmãos biológicos aparecendo, elas vão se afastar.

– Ela está certa.
– Está mesmo? – perguntou Grace para ele. – Tem certeza?
– Não faço ideia. Eu só tenho medo de discordar dela.
– Ela é sua irmã caçula – explicou Grace.- É você quem manda nela.

Joaquin é outro que eu senti muita vontade de proteger. Ele passou por muita coisa, pulando de casa em casa e sendo devolvido várias vezes, enquanto nutria total vontade de ficar. O trauma é tão enraizado nele, que mesmo quando aparecem pessoas que o querem, ele não consegue dizer a palavra ‘sim’. Acho que o maior desafio dele é aceitar o amor das outras pessoas. Inclusive das irmãs.

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Temos os pais de cada um deles, além da irmã e da namorada de Maya e uma amigo de Grace como secundários e todos tem um toque complementar e encantador para a história. São peças que deixam um conjunto ainda melhor. Ainda que, particularmente, eu tenha escolhido os acolhedores do Joaquin os mais maravilhosos.

– É exatamente isso que uma família é, Joaquin – gritou Maya. Isso significa que não importa para onde você vá nem a distância. Você ainda é parte de mim e de Grace e nós ainda somos parte de você também. […] Então, você pode continuar e achar que é um lobo solitário, mas não é. Você tem a gente agora, gostando ou não, e a gente tem você.

Nunca tinha lido nada da Robin, mas desde que vi essa capa, foi amor à primeira vista, pela delicadeza que ela trás. E a história casa com ela, nesse quesito. A trama é leve, ainda que a carga dramática esteja ali. Vamos rir, mas vamos chorar, vamos ficar com o coração apertado, vamos ficar com raiva, vamos estar vulneráveis. Verdadeiramente, conseguimos sentir tudo o que esses três adolescentes sentem. E isso é graças a escrita apaixonante da autora. Ela conta tudo intercalando entre Grace, Maya e Joaquin e nos fazendo entender todos os lados que eles apresentam.

Quanto a diagramação da editora, temos a capa lindíssima, que trás o título em alto relevo. Por dentro, temos simplicidade, mas como gostamos. Páginas amareladas, com letras e espaçamento bons para a leitura. Como os capítulos são intercalados entre os personagens, na abertura de cada capítulo, temos o nome do narrador do mesmo. Além disso, quem garantiu o exemplar em pré venda, ainda recebeu um marca de página.

Não vou mentir que já comecei o livro com muita expectativa, afinal, ele tinha vencido um prêmio e estava sendo bastante elogiado por quem tinha recebido o V.I.B. da Editora. E ela foi alcançada. As Três Partes de Grace me tocou de forma profunda, com a busca desses irmãos e do amor familiar. Não tem como não dar as cinco Angélicas.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

10 comentários em “Resenha ‘As Três Partes de Grace – Robin Benway’

  1. Oi Raíssa, tudo bem?
    Primeiramente, muito obrigado por compartilhar.
    Sua escrita é muito boa então foi fácil construir as imagens durante a leitura.
    Penso que esse tema é muito complicado tanto para o adotado quanto para quem adota. O fato da adoção implica mudança de sentimentos? Torna-se mais difícil, como você coloca, a aceitação de ser amado sem ter o mesmo sangue? Complicado responder sem ter passado por isso. E parece que a trama joga alguma luz sobre essa questão.
    Novamente obrigado e um abraço.

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  2. Muito bom quando a nossa expectativa, principalmente grande, é alcançada. Nem sempre livros premiados me atraem, mas achei esse enredo bem fechado pelo que você resenhou. Vou colocar na lista.

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  3. Esse é o tipo de livro que lemos e imaginamos toda a história, ligando todos os personagens. Ainda não li esse livro, mas achei super interessante conhecer um pouco de cada personagem. Acho que vou adquirir esse livro pra mim hehehe….Bjus

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  4. Olá Raissa, tudo bem?
    Eu amei sua resenha, estou doida para ler esse livro, já tinha amado a capa e agora com seu relato quero mais ainda ler. Eu acho tão tocante a questão de irmãos, por não ter sido criada com as minhas de sangue, e toda essa questão de adoção e devolução, deve ser realmente traumatizante. Eu já senti vontade de acolher eles, só por sua resenha.
    Abraços

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  5. Olá, tudo bem?
    Uau! Parece ser uma ótima dica de leitura. Gostei muito dos perfis das personagens e da forma como você destacou os aspectos da história. Já quero ler! ❤
    Obrigado pela dica!

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