A Hora do Chá: A Torre do Amor – Eloisa James

Oiii oi gente. A Torre do Amor é o quarto volume da série Contos de Fadas, publicado pela Editora Arqueiro. Eu sei que dei uma pequena pausa nessa série ano passado, mas agora estou de volta. Nessa série, Eloisa James já nos apresentou releituras de A Bela e a Fera em Quando a Bela Domou a Fera, da Bela Adormecida em Um Beijo à Meia-Noite e Patinho Feio em A Duquesa Feia. Agora vou falar tudo o que achei dessa releitura de Rapunzel. Mas antes de saber mais, confere a sinopse:

“Quando Gowan, o magnífico duque de Kinross, decide se casar, seu plano é escolher uma jovem adequada e negociar o noivado com o pai dela. Ao conhecer Edie no baile de apresentação dela à sociedade, ele acredita que, além de linda, ela também seja a dama serena que ele procura e imediatamente pede sua mão.
Na verdade, o temperamento de Edie é o oposto da serenidade. No baile, ela estava com uma febre tão alta que mal falou e não conseguiu prestar atenção em nada, nem mesmo no famoso duque de Kinross. Ao saber que seu pai aceitou o pedido do duque, ela entra em pânico. E quando a noite de núpcias não é tudo o que podia ser…
Mas a incapacidade de Edie de continuar escondendo seus sentimentos faz com que o casamento deles se desintegre e com que ela se recolha à torre do castelo, trancando Gowan do lado de fora.
Agora o poderoso duque está diante do maior desafio de sua vida. Nem a ordem nem a razão funcionam com sua geniosa esposa. Como ele conseguirá convencê-la a lhe entregar as chaves não só da torre, mas também do próprio coração?”

Gowan é o duque de Kinross e chefe do clã dos MacAulays e, com tantas propriedades e negócios para tomar conta desde muito cedo, esse escocês turrão se tornou um administrador deterninado, inteligente e metódico. Que aprendeu, desde a morte de seu pai, que não se deve perder nenhum segundo de seu precioso tempo, vivendo seus dias baseado em um cronograma acirrado, onde nada nunca sai fora do lugar. Todos os empregados fluem muito bem nesse cronograma, sempre prontos para atender a todas as suas necessidades. Gowan só conhece privacidade quando está dormindo, porque todo o restante do tempo, ele aproveita da melhor forma, sempre fazendo quantas coisas forem possíveis ao mesmo tempo, sempre recebendo relatórios de tudo ao seu redor, até mesmo sobre a origem do vinho na hora das refeições.

Sendo prático assim, Gowan aproveita a viagem que precisa fazer para Londres, e comparece a um baile na casa do conde Gilchrist, onde poderá tratar de negócios e também procurar por uma noiva. Ele sente uma necessidade de encontrar uma esposa, ainda mais depois de sua meia-irmã, Suzannah, de apenas 5 anos, ter se mudado para seu castelo na Escócia, após a morte de sua mãe. O único problema com seu plano é que o baile está lotado de inglesas – obviamente – e para ele, os ingleses são indolentes, com suas damas que só pensam em xícaras de chá e em ler romances. Ao contrário das escocesas, que colocam a mão na massa e não tem problema em cuidar de uma propriedade com mil coisas para fazer, além de criar uma penca de filhos – o que Gowan acredita ser uma esposa ideal. O que Gowan não esperava era conhecer Lady Edith, filha do conde de Gilchrist, e se encantar por ela, a ponto de pedir a sua mão em casamento no dia seguinte. Ele nunca tinha agido de forma tão impulsiva, mas a dama tranquila, com um ar de anjo, que só sabia sorrir e acenar, era tudo o que ele estava procurando.

“Pensara nela como se fosse um gole de água pura. No entanto, naquele momento, encarando-a, ela era um rio turbulento, vívido e perigoso. Ela mudaria a vida dele. Ela o mudaria por inteiro.”

Acontece que Edie – como Edith prefere ser chamada – estava tão adoentada, que no dia seguinte ao baile, nem se recorda do rosto do duque. E, quando ela encontra com ele, para fecharem o acordo de casamento, a moça ainda não está bem e fica o tempo todo de cabeça baixa, reforçando mais ainda a aura submissa que passou no baile. O que não poderia estar mais longe de sua real personalidade. Ela só aceita o casamento com tanta tranquilidade, pois tinha um acordo com o pai, que só a deixou debutar tardiamente, aos 19 anos, para que ela pudesse se dedicar a sua paixão – tocar violoncelo – se ele ficasse incumbido de decidir com quem ela se casaria.

Edie é bem prática em relação ao casamento ou qualquer outro assunto pra falar a verdade, só se importa com seu violoncelo. Ela acompanhou de perto os erros que seu pai e sua madrasta, Layla, cometeram ao longo dos anos e sabe que deve evitar cometer os mesmos erros, para poder ter um casamento pleno e feliz com o Duque de Kinross. Única coisa que a preocupa é que Gowan parece estar a procura de uma mãe para sua meia-irmã, então ela resolve escrever uma carta educada, mas honesta e esclarecedora, onde ela vai opinar sobre o que espera de seu casamento e como acha que algumas medidas precisam ser tomadas para viverem em harmonia.

Gowan fica perplexo quando recebe a carta. Definitivamente, a pessoa que a escreveu não parece em nada com aquela dama delicada que ele dançara no baile. Mas conforme começa a se corresponder com ela, mais ele se encanta por Edie e começa a desejá-la ainda mais. Edie também começa a se encantar pelo duque, que parece ter o senso de humor que ela sempre desejou em um marido. Quando finalmente os dois se encontram pessoalmente de novo, em um casamento na propriedade do conde de Chatteris, agora com Gowan vendo-a de verdade e Edie sem a febre nublando seus sentidos, a atração deles será como uma combustão espontânea.

“–O que quer dizer “mo chrìdh”?
Meu coração. – Ele ergueu-a com facilidade e a colocou em no colo, empurrando-a para seu braço. – Você é deslumbrante. – comentou ele. – A garota mais linda que eu já vi.”

Tudo irá fluir muito bem para essa casal, até que a noite de núpcias chega, para quebrar esse encaixe perfeito. Não sendo nada do que os dois esperavam, principalmente para Edie, que sofre mais do que pensou ser normal. Gowan tenta de tudo para agradá-la e acredita que, quando estiverem em sua casa, no Castelo, tudo ficará bem. Só que não é apenas a intimidade sexual que será um problema entre esses dois, pois o cotidiano metódico de Gowan será apresentado a Edie e ela não vai aprovar nada, principalmente a falta de privacidade que, para Gowan, não parece ser um problema, mas que para Edie será.

Começa então a jornada desse casal pela descoberta da vida de casados, algo que vai se desenrolando aos poucos e, onde será um grande aprendizado, com ambos se adaptando um ao outro, pelo menos antes das coisas se complicarem. Ambos são teimosos e geniosos, mas os fatores que trabalharão contra eles, será a falta de honestidade em revelar o que realmente sente e o temperamento explosivo capaz de proferir palavras dolorosas. Isso tudo culminará em uma viagem de Gowan para as Terras Altas, e a reclusão de Edie na Torre da propriedade.

“Foi o tipo de momento que separa o passado do presente e que transforma o futuro para sempre”

Logo no início eu fiquei com um pé atrás com Gowan, achando que ele seria um tanto embuste, mas essa impressão não demora a se desfazer. E assim que ele se mostra um mocinho atencioso, amoroso e capaz de ceder em suas tradições para fazer Edie feliz, eu já o amo. Ele nunca teve um bom exemplo familiar, então ter se tornado um homem de 22 anos responsável que é hoje, é de se admirar. Ele tem sim os seus defeitos, mas o mais importante é que consegue aprender com eles. Preciso comentar que eu não consegui evitar de imaginar Gowan como Sam Heughan, do papel de Jamie Fraser em Outlander, por conta de todo o pacote: escocês ruivo, com seus ombros largos e totalmente sexy em seu kilt. Foi mais forte que eu rs. Mas tirando alguns detalhes aqui e ali de semelhança na personalidade, são personagens bem distintos.

Edie é uma jovem talentosa e determinada, que sempre soube se adaptar ao seu pai exigente e suas obrigações como uma dama da alta sociedade londrina. Isso significa que ela compreendeu os motivos de só poder tocar seu amado instrumento na segurança de sua propriedade, sem mostrar ao mundo seu talento. Eu a adorei logo de cara e também compreendi seus momentos de erros e inseguranças. Ela soube aceitar, com o tempo, sua madrasta Layla e respeitar seu jeito espalhafatoso de ser, e por mais que sejam próximas em idade, considera Layla como uma mãe. Falando em Layla, ela é uma das personagens que eu mais gostei, e teve um grande destaque em toda a história, principalmente com o laço forte que irá desenvolver com Suzannah, meia-irmã de Gowan, uma menininha que pode parecer uma pestinha no início, mas só precisava de amor.

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Esse livro segue o padrão de diagramação dos demais, com páginas amareladas, fonte e espaçamento ideais para uma leitura confortável. A capa é bem simples, mas com o detalhe em destaque tendo tudo a ver com a trama. Temos um pequeno crossover neste livro: O evento na propriedade do conde de Chatteris, que eu citei ali em cima, tem relação com Marcus Holroyd e Honoria Smythe-Smith, protagonistas do primeiro livro da série Quarteto Smythe-Smith da autora Júlia Quinn. Sabemos que as autoras são amigas e foi bem legal e divertido ter essa participação aqui, mesmo que pequena.

A Torre do Amor é uma história leve, fluída e cativante. Assim como os livros anteriores da série, essa história traz uma criativa releitura de um conto de fadas adorado. E cumpre seu papel de entreter e aquecer o coração. Eu me diverti muito com Gowan e Edie, que compartilham um humor provocante e torci muito para que tudo se resolvesse entre eles, além de torcer por outro casal também. Vou deixar minhas 4 Angélicas para essa história e já correr pro quinto e último volume dessa série: Esse Duque é Meu. Até mais.

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