A Hora do Chá: ‘O Duque Que Eu Conquistei – Scarlett Peckham’

Oi gente! A resenha de hoje é de um livro que eu amei assim que vi a capa, daí veio a pré-venda com um Pin da Coleção Arqueiro e eu quis mais ainda. O Duque Que Eu Conquistei é um romance de época pra lá de diferentão e eu não estava preparada para ser tão surpreendida, então foi eita atrás de eita. Enfim, vamos a sinopse antes que eu entreguei a história toda apenas na introdução…

“Depois de superar a ruína financeira, redimir o nome de sua família e se tornar o mais lendário investidor de Londres, o duque de Westmead precisa garantir a continuidade de seu título e de sua fortuna. A única forma de fazer isso é gerar um herdeiro.
Para isso ele tem que arranjar uma esposa que não interfira nos anseios sombrios que ele satisfaz na calada da noite nem faça exigências ao seu coração trancado para o amor.
Poppy Cavendish, a ambiciosa florista contratada pela irmã de Westmead para decorar seu salão de baile, não é esse tipo de mulher. Ela sempre lutou contra as convenções sociais para manter a própria independência e, por isso, o matrimônio nunca esteve em seus planos.
Mas agora Poppy precisa de capital para expandir seu negócio de plantas exóticas. E a atração que sente pelo duque é tão irresistível que, quando um escândalo acidental torna o casamento com ele o único meio de salvar seu ganha-pão, ela teme querer mais do que o título que ele oferece.”

Archer Stonewell, duque de Westmead, herdou um ducado quase falido e com o nome da família arrastado na lama. Com muito trabalho, ele se tornou um grande investidor e recuperou não só a fortuna como o bom nome de sua família. Mas todo esse trabalho pode ir por água abaixo, se não tiver um herdeiro. Atualmente, o homem que está na linha de sucessão do título é cruel, inapropriado e que pode deixar, tanto sua irmã Constance, quanto seus arrendatários, na ruína caso aconteça algo à ele, então é ela quem decide que está na hora de Archer se casar e fazer um herdeiro.

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Ele não deseja amor, muito menos uma esposa que interfira em seus assuntos pessoais, principalmente quando se trata de seus desejos mais sombrios e perversos. Archer tem um passado doloroso, que esconde a sete chaves e que não espera compartilhar com sua futura esposa. Constance planeja um baile em Westhaven, a propriedade ducal, para que ele escolha a esposa ideal. Ela já fez a lista incluindo todas as moças solteiras e de boa família, então Archer só precisa escolher uma delas. Mas um baile não fica pronto sem uma florista não é mesmo? E é assim que o destino do duque cruza pela primeira vez com o de Poppy Cavendish.

Poppy é filha de uma lady e neta de um visconde, mas nada disso impediu que ficasse conhecida com uma mulher excêntrica. Ela viveu por muitos anos sob a guarda de seu tio, mas agora que ele faleceu, está correndo contra o tempo para transferir seu horto para a propriedade que herdou. Bantham Park foi herdada por um primo e ela está fazendo tudo que pode para que quando ele chegue, todas as suas plantas já estejam fora da propriedade. O problema é que o tempo é curto, ela não tem mão de obra e nem dinheiro para contratar ajudantes. É aí que o trabalho no baile do duque vai ajudá-la.

“A primeira chicotada foi um choque, embora ele já esperasse recebê-la e a desejasse. Pressionou a palma das mãos no chão e arqueou as costas para o golpe seguinte. Sua mente clareou. Pela primeira vez em muitos dias ele sorriu. Fechou os olhos de alívio e sentiu que finalmente começava a despertar.”

Constance deseja transformar o salão de baile da residência ducal numa grande floresta e os serviços de Poppy foram muito indicados. Inicialmente, ela não quer aceitar o trabalho na casa da família Stonewell, pois tem muito trabalho fazendo a mudança de seu horto, mas Constance insiste muito, além de oferecer um ótimo pagamento e a promessa de que o duque vai enviar homens para trabalhar na mudança enquanto ela estiver trabalhando para eles. Com tudo acertado, Poppy não vê mais motivos para não aceitar, além do fato de ficar extremante inquieta ao lado de Archer.

A preparação do baile começa, assim como a mudança do horto de Poppy. Enquanto ela trabalha para trazer a floresta para dentro do salão de baile, Archer fica cada vez mais intrigado com a personalidade tão marcante dela. Há uma atração entre eles, mas o objetivo do baile é encontrar uma duquesa e Poppy está ali para garantir que a decoração esteja à altura disso. Mas será que vão conseguir resistir? A noite do baile chega e as atenções de Archer estão apenas em Poppy, mas o que os unirá de verdade será uma nota bastante sensacionalista acabando com a reputação que ela demorou tanto parta construir. Archer propõe um casamento de conveniência e assim ambos conquistariam seus objetivos.

“Pretendia ser a senhora do próprio destino. E, por observar os caminhos do mundo, havia algo de que tinha certeza: não se obtém esse tipo de poder através do casamento.”

Eu encerro por aqui a minha explanação pela trama, pois acredito que esse livro precisa ser lido antes de qualquer spoiler. Poppy e Archer tem desejos muito diferentes e apenas um muito em comum: o desejo que sentem um pelo outro. Além disso, ambos são negociantes, então tudo com eles é discutido e resolvido como se fosse uma transação comercial. E o casamento se torna um deles. Archer quer um herdeiro e uma esposa que não o importune. Poppy deseja expandir seus negócios e ser conhecida como uma proprietária de hortos com plantas exóticas.

Apesar de estarmos falando de um romance ambientado no século XVIII, Poppy tem uma mente empreendedora. Seu maior problema foi o fato das mulheres não serem levadas à sério, mas nada impede que ela tenha ambição. O casamento trouxe à ela a autonomia e o dinheiro necessário para investir em seu negócio e tudo porque Archer não queria prendê-la à posição de uma duquesa dócil. Ele reconhece a alma negociadora dela assim como seus receios sobre tudo que ela tem se tornar dele após o matrimônio, mas o duque demonstra toda a sua afeição ao ceder o poder à ela.

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Archer ficou conhecido por ser frio e um tenaz negociador, mas isso tudo é uma máscara para encobrir o verdadeiro homem que ele é. O duque já sofreu perdas enormes e por isso vive uma vida de culpa. Além disso tem um segredo tão obscuro que não deseja que ninguém, nem mesmo sua esposa, descubra. Mas Poppy chega trazendo luz para sua vida tão escura, despertando desejos que há muitos anos não sentia. Sem contar que os dois se completam totalmente. Ela é força e determinação. Ele é carinhoso e dedicado.

A trama trás BDSM, mas nem de longe é o foco principal da história. Achei as cenas muito bem conduzidas e foram colocadas em momentos chaves. O que parecia ser algo importante na vida de um dos protagonistas, acabou sendo mais um elemento de ligação entre eles. O casal é pura sedução e eu amei o quanto a autora nos presenteou com uma mulher segura de sua sexualidade e de seus desejos e com um homem tão seguro de si mesmo, que não precisou diminui-lá. Poppy não se esconde atrás de Archer e eu só sei enaltecer o quanto esse dois são apaixonantes. Devo destacar também os diálogos inteligentes entre eles. Nada é monótono e chato.

“Eu estou lhe dando permissão para fazer o que quiser. Você pode ser misericordiosa ou me fazer sofrer. Recusar prazeres ou dá-los em tamanha abundância que seja uma tortura. Quero que você me use de qualquer maneira que possa imaginar.”

Temos alguns personagens secundários que ajudam a dar movimento à trama, mas ninguém se destaca mais do que Constance, a irmã de Archer e protagonista do próximo livro da trilogia. Eu amei as motivações dela e seu espírito casamenteiro. Morri de rir com ela em vários momentos, principalmente por ela não ter dó nenhuma de gastar o dinheiro do duque e em justificar seus atos. Ela enxerga um mundo da sua própria maneira e não ter vergonha de estar sempre aprontando. A editora liberou uma introdução de sua história em O Conde Que Eu Arruinei e essa degustação só me deixou querendo mais. Infelizmente o livro só chega no próximo ano por aqui.

A edição de O Duque Que Eu Conquistei é perfeita. A Editora Arqueiro manteve a capa original não só desse primeiro livro, mas de toda a trilogia Segredos de Charlotte Street, o que com toda certeza foi incrível já que tem tudo a ver com a personagem. Poppy numa estufa e segurando uma icônica chave. Sensacional. Como eu disse lá na introdução, esse livro veio com um Pin muito lindinho e apaixonante. Esse livro é o debut da Scarlett Peckham no Brasil e eu só posso dizer uma coisa: quero mais livros dela. A autora tem uma escrita envolvente e trouxe uma trama bastante inusitada para um romance de época, então não tem como não amar.

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O Duque Que Eu Conquistei só não é mais perfeito porque ele acaba. Scarlett Peckham trouxe um frescor ao gênero além de trazer dois protagonistas que fazem jus à história. Um homem com um passado sombrio, mas que não o usa para punir os outros. Uma mulher curiosa e inteligente o suficiente para ser dona do próprio destino. É uma trama surpreendente, sensual, mas acima de tudo é inusitado. Peckham pegou o clichê do casamento de conveniência e nos entregou um relacionamento com BDSM, regado com doses iguais de confiança, consentimento e nada de violência. Tivemos zero de relacionamento abusivo e acho isso muito importante a ser mencionado. Enfim, deixo minhas 5 Angélicas e pra mim já é um dos melhores romances de época de 2020.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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