A Hora do Chá: ‘A Filha do Coronel – Merline Lovelace’

Oi oi gente. Depois de algum tempo, estou de volta nessa coluna querida para trazer a resenha do segundo volume da série Os Garretys de Wyoming. Dessa vez a protagonista é Suzanne, uma personagem que já conhecemos no livro A Esposa do Soldado como a esperta filha de Júlia. Agora toda crescida e obstinada, Suzanne está pronta para contar sua história. Antes de saber mais, confere a sinopse:

“Sob a fachada elegante de uma jovem educada numa escola de boas maneiras está a filha de um soldado que sabe montar, atirar e apostar numa mesa de jogo com os melhores. É por isso que Suzanne Bonneaux embarca calmamente na infame diligência Cheyenne-Deadwood para procurar uma amiga de longa data antes que a neve do inverno apague sua trilha.
Quando a diligência é saqueada, um tiroteio mortal a coloca cara a cara com o notório Black Jack Sloan, um pistoleiro rude e atraente que exala o tipo de perigo que moças sábias se esforçam para evitar. Unidos por circunstâncias desesperadoras, Suzanne força Jack a escolher entre vingar seu passado ou encontrar um futuro em seus braços.”

Nossa história começa com Suzanne já dentro da diligência, rumo a reserva dos Arapaho, para encontrar sua querida amiga de infância, Águas Claras, a fim de fazê-la mudar de ideia quanto a migrar com sua tribo para um lugar mais afastado, onde corre o risco de perder contato total com a amiga. Suzanne foi teimosa como sempre e passou por cima do desejo de sua mãe de que esperasse o padrasto retornar para que pudesse ter uma escolta segura, e decidiu se aventurar sozinha, ciente que não detinha muito tempo antes que a tribo de Águas Claras seguisse viagem.

Mas não demora para que sua viagem seja interrompida por conta de um assalto ao transporte em que se encontrava, liderado pelo foragido Big Nose, resultando em Suzanne abandonada no meio da estrada, com outros três homens. Um deles sendo Black Jack Sloan, um famoso pistoleiro, que – se tudo que escrevem sobre ele nos jornais for verdade – é um sujeito perigoso, temido por onde passa e que não tem medo de usar sua arma. Mesmo que ele tenha protegido Suzanne no meio do tiroteio, esses dois começam a trocar farpas desde o primeiro diálogo, para irritação de ambos e para nosso divertimento rs.

Suzanne não demonstra medo do pistoleiro, para surpresa do mesmo, já que ela conhece muito bem homens desse tipo, pois viveu quase toda a sua vida junto a seu padrasto, o Coronel Andrew Garrett, e aprendeu diversas coisas junto a cavalaria. Esse pequeno grupo retorna a pé, o caminho que percorreram, esperançosos de que poderão pegar outra diligência, só para descobrir que não terá outra pelos próximos quatro dias, causando desespero em Suzanne, que não tem muito tempo para alcançar a amiga.

“Ele despertara algo nela que ninguém mais havia despertado. Algo profundamente, loucamente, gloriosamente feminino.”

Mas não é só Suzanne que tem pressa em seguir viagem. Jack Sloan está caçando um criminoso e precisa chegar a ele antes de perder seu rastro novamente. Ele é o último homem a ser morto de uma lista que Jack carrega desde a juventude, onde começou uma caçada a esses bandidos, dedicando toda a sua vida a isso. Sendo o único do pequeno grupo que não deixou seu dinheiro nas bagagens da diligência, Jack compra um cavalo e segue sua viagem na manhã seguinte, recusando a tentativa de Suzanne em lhe contratar para que a levasse em segurança até seu destino inicial. Ele só não contava com a obstinação de Suzanne, que dá seu jeito e o segue, a fim de convencê-lo a mudar de ideia. Ela e Matt – o garoto de seu pequeno grupo de assaltados, que se recusou a deixá-la viajar sozinha – alcançam Jack e Suzanne acaba o convencendo a levá-la, pelo menos até a próxima estação.

Só que essa viagem vai reservar muito mais confusão do que eles esperavam, e um encontro no meio do caminho com o criminoso Big Nose só complicará a situação dessa dupla. Em meio a tudo isso, Jack e Suzanne ainda terão de lidar com a forte atração que sentem um pelo outro. Ambos cederão a luxúria tão presente entre eles e vão precisar lidar com todas as consequências de suas decisões. Só resta descobrir se esse sentimento crescendo entre os dois será suficiente para que tenham um final feliz juntos.

Parece que eu falei demais da história, mas acreditem em mim quando digo que não comentei quase nada. Suzanne e Jack, e até mesmo Matt, tem muito mais do que isso para contar, então vou parar de falar da trama, porque é uma delícia ir acompanhando a trajetória desses personagens e descobrindo na leitura o que vem a seguir. Então focarei nos personagens e o que eu achei de tudo.

Começando por Suzanne, que me conquistou desde a primeira página. Que mocinha mais determinada, inteligente e obstinada. Quando coloca uma coisa na cabeça, nada a faz mudar de ideia. Eu adorei vê-la toda crescida, mas com sua personalidade mais aflorada do que nunca. Suzanne segue seus extintos como um verdadeiro soldado, mostrando que não é uma donzela indefesa e que pode ser útil em momentos de perigo. Mas também é esperta o bastante para saber quando recuar. Ela percebe que Jack é muito mais do que os jornais o pintam, e quando sente que a conexão entre ambos é mais do que atração física, ela vai lutar com unhas e dentes para mostrar isso a Jack.

“Jack sentiu os pelos da nuca se erguerem. No espaço de alguns dias, aquela mulher havia chegado mais perto do que qualquer outra pessoa, cavando-o tão profundamente em sua pele e o compreendendo de forma tão implacável.”

Já Jack é alguém que viu coisas ruins demais nessa vida desde a tenra idade, e isso o moldou em um homem duro, focado em sua vingança. E essa vingança é por algo muito forte e doloroso, que o cegou para a vida e não deixa com que ele pense em um futuro, principalmente depois de ter criado uma reputação tão grande e que sempre é motivo para que vários homens tentem derrubá-lo e serem conhecidos por isso. É uma vida que tende a ser curta e cheia de perigo. Por isso, quanto mais tempo passa com Suzanne e mais ela fica em sua pele, mais ele nega seus sentimentos, pois sabe que não tem muito mais a oferecer e que não pode abandonar sua vingança. Só que ele vai acabar se abrindo para Suzanne e percebendo que não será tão fácil se afastar dela quanto desejava.

Alguns personagens secundários também tem seu destaque na história. Matt, o garoto inocente e prestativo que saiu de sua casa na fazenda em busca de uma vida melhor nos campos de ouro, vai pegar esse desvio com Suzanne e, no meio do caminho, se envolver com uma garota, que conhece ao acaso, e ter seus planos adiados.  Só preciso destacar que não gostei do final que foi dado a ele. Matt merecia mais. Temos também a aparição de Andrew e Julia, casal principal do livro anterior, e mãe e padrasto de Suzanne. Por mais que eu desejasse ter visto mais interação entre Andrew e Julia, eu amei como a autora deu destaque a relação entre enteada e padrasto. Essa conexão de pai e filha não foi algo que aconteceu facilmente, no início, então ver esse elo tão forte agora é muito incrível.

“Ela nunca o chamara de papai. Isto fora reservado para o risonho e bonito jogador que ela tanto adorara quando criança. Mas ao longo dos anos aquele oficial alto e esguio conquistara seu amor e se tornou seu pai em todos os sentidos da palavra.”

Eu simplesmente sou apaixonada por esse universo de Velho Oeste que a autora nos traz e fiquei feliz em retornar a ele. Toda a vibe faroeste é um ambiente diferente, e bem vindo, de muitos outros livros de época que costumo ler e que são ambientados em Londres, com toda a pompa de chás da tarde e bailes grandiosos. Neste livro somos envolvidos em tiroteios, sequestro, tropas da cavalaria, junto com uma mocinha destemida e um mocinho fora da lei. Tudo entrelaçado de uma forma tão cativante que te deixa preso a trama.

A autora continuou nos presenteando com personagens baseados em pessoas reais, como é o caso do criminoso Big Nose e a prostituta Mother Featherlegs, e eu amei ir lendo e pesquisando sobre eles, descobrindo suas verdadeiras histórias e enriquecendo ainda mais minha leitura. Quem disse que não posso aprender um pouco sobre o Velho Oeste lendo um livro de romance? rs. Junto com a escrita fluida da autora, essa foi uma leitura muito gostosa e proveitosa.

O livro foi publicado somente em e-book pela Cherish Books Br e segue o padrão da editora. A capa é criação da querida Gisele Souza e eu adoro o trabalho que foi feito. Infelizmente encontrei vários errinhos de revisão no texto que, mesmo não afetando minha compreensão da história, me incomodaram um pouco. O livro conta com uma narrativa em terceira pessoa com pontos de vista intercalados, em sua maioria, entre o casal principal.

A Filha do Coronel foi uma leitura envolvente e que me deixou com um sorriso bobo no rosto diversas vezes. Nosso casal cabeça dura e fervoroso fez com que fosse impossível não torcer e se apaixonar por eles. Eu ri, me emocionei e desejei demais que fossem felizes. É um livro fácil de ler, ideal para passar o tempo e que deixa um quentinho no coração. Apesar de não ter gostado de um detalhe do final, a história ainda vale minhas 5 Angélicas e irei esperar ansiosa pelo próximo livro da série. Até a próxima!

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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