Especial Halloween: ‘Ratched – 1ª Temporada’

Oi gente!! O Halloween foi ontem, mas o nosso Especial Halloween continua. Nós já falamos de livros além de uma matéria recheada de dicas de filmes, mas hoje vamos falar de uma série que foi muito esperada assim como muito assistida. Eu estou falando de Ratched, uma série inspirada na Enfermeira Mildred Ratched, do clássico dos anos 70, Um Estranho no Ninho. No longa, a enfermeira está bem mais velha, mas aqui na série estamos em 1947 e vamos acompanhar como o mito do filme se tornou a sádica enfermeira. Fiquem com o trailer e a sinopse…

Sinopse: Ratched se passa em 1947, enquanto a jovem Mildred Ratched (Sarah Paulson) iniciava sua carreira profissional no sistema de saúde mental. No entanto, com o decorrer dos anos ela passou de uma simples enfermeira para um verdadeiro monstro, realizando uma série de assassinatos.

Ratched chegou ao catálogo da Netflix no dia 18 de setembro como uma de suas produções originais e desde então tem sido bastante comentada nas redes sociais, seja para elogiar ou para dizer que esperava mais. A série é uma produção de Ryan Murphy, criador de sucessos como Glee e American Crime Story, e faz parte de um acordo milionário firmado entre ele e a Netflix. E a ideia de trazer um personagem icônico, como Mildred Ratched, foi algo que logo despertou a curiosidade do público que consumiu Um Estranho no Ninho. Em 8 episódios, de quase 1h cada um, somos levados a entender como esta enfermeira se tornou a enfermeira do clássico.

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Mildred Ratched (Sarah Paulson) está determinada a trabalhar como enfermeira no Hospital Psiquiátrico de Lucia assim que fica sabendo que o assassino de padres, Edmund Tolleson (Finn Wittrock), será transferido para lá porque precisará passar por uma avaliação psiquiátrica para saber se ele é apto a ir à julgamento ou se é considerado mais um dos pacientes ‘excêntricos’ do Dr. Richard Hanover (Jon Jon Briones). E é nessa trama de assassinatos, doenças mentais e julgamento que a personagem é apresentada e já ficamos nos perguntando o porque de Ratched querer tanto estar ali.

Ela é uma mulher muito educada e bem vestida e que com poucas palavras convence as pessoas a fazerem o que ela quer e ela quer estar no hospital. E não demora muito para sabermos quais são as suas motivações. E realmente são muitas. No entanto a maior delas, manterei em segredo pra não dar spoiler indevido, mas vale ressaltar que Ratched tem um interesse genuíno pela saúde mental. Ela se dedica aos pacientes e acredita realmente nos tratamentos do Dr. Hanover. Até porque ela é uma personagem com muitas camadas e ao longo dos episódios vamos descobrindo algumas delas e sabendo os traumas que ela carrega do passado.

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O elenco dessa série está sensacional e começa pela escolha da protagonista. Sarah Paulson é incrível em sua interpretação, eu realmente fiquei em dúvida sobre o caráter da Ratched em muitos momentos e isso não foi apenas por causa do roteiro, mas por causa da interpretação dela. Paulson tinha a responsabilidade de reinterpretar uma das maiores vilãs do cinema e apesar de não se comportar como vilã o tempo todo, eu diria que ela realmente tomou o papel pra si. A atriz já trabalhou em outras produções de Murphy, então ele já conhecia o tamanho do talento dessa mulher, tanto que ela também faz parte da produção da série. É possível sentir todos os sentimentos por Ratched e isso acaba nos deixando confusos sobre quem é verdadeiramente Mildred Ratched.

Uma das coisas que mais me impressionou nessa série foram a fotografia e figurinos. A paleta de cores usadas durante toda a temporada é linda demais e isso prende o seu olhar, sabe? Como se passa no final dos anos 1940, foi muito legal como a produção se preocupou nos detalhes da época. O figurino é impecável, principalmente da Ratched. Cada hora que ela aparecia, eu babava nas roupas dela. Sem falar nos carros, móveis e afins. O próprio hospital tem ares de um grande spa, super moderno e a sala do Dr. Hanover é belíssima e muito elegante. Daí não vamos para a outra extremidade com a casa da excêntrica e milionária Lenore Osgood (Sharon Stone), onde tudo é extravagante e beirando quase a cafonice. Pra mim foi um ponto super positivo e que vale ressaltar.

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Mais essa série não seria esse HINO todo se não tivesse colocado como tema central as doenças mentais. Dr. Hanover é um defensor fervoroso de que ninguém nasce um monstro, que qualquer trauma pode te levar a um transtorno e acredita que o tratamento adequado pode curar seus pacientes. E é aí que vamos acompanhar os tratamentos, alguns muito bizarros, em busca da cura. A maioria de seus pacientes reclama de sentir uma grande melancolia, o que no futuro chamaríamos de depressão, e é por isso que estão no hospital, mas eu vou realçar dois casos que foram de extrema importância para a trama, um deles nem se trata realmente de uma doença, mas trazer o assunto foi importante para o desenvolvimento de Ratched.

Estamos falando de uma série que se passa no final dos anos 1940, então muitas coisas eram contextualizadas como doença por que saiam da ‘normalidade’ em que aquela sociedade vivia. É o caso Lily Cartwrite (Annie Starke) e Ingrid (Harriet Sansom Harris) que passam por vários tratamentos cruéis, inclusive a lobotomia, para que abandonasse suas predileções, ou seja, para deixarem de serem lésbicas. A homossexualidade foi tratada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como doença mental até 1990, mas apesar disso até hoje vemos muita gente falando em ‘cura gay’, não é mesmo? Enfim, as personagens acabam servindo de gancho para discutirmos a sexualidade de Mildred e a relação que está desenvolvendo com Gwendolyn Briggs (Cynthia Nixon). Que por sinal achei que foi desenvolvida e espero que seja algo com mais destaque na próxima temporada.

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O outro caso que preciso destacar é de Charlotte Wells (Sophie Okonedo) que passou por um grande trauma e desenvolveu transtorno dissociativo de personalidade. A personagem será de grande importância, pois mais uma vez o Dr. Hanover fala sobre gatilhos e em como cada pessoa pode reagir à um trauma. O médico precisa provar que seu tratamentos dão resultado e Charlotte se torna sua principal paciente já que o caso de Edmund está fugindo de suas mãos. Ele seria o caso que manteria o investimento do Governador, mas sabendo agora que o homem que levar Edmund a receber pena de morte, Dr. Hanover se agarra na possibilidade de curar Charlotte. O problema é que o caminho será tortuoso e digamos apenas que a personagem será de extrema importância para o desenrolar dos últimos episódios.

E quanto a Edmund? Digamos apenas que o personagem é importante para trama e para Ratched, mas acredito que o arco deles é o maior spoiler da série. Digamos apenas que até mesmo ele não é de todo o monstro descrito no início. Ele matou sim. Foi cruel sim. Mas ao longo dos episódios podemos perceber a extensão de seus traumas e de um passado marcado por violência, abuso e abandono e aí voltamos ao ponto inicial da trama: o que um trauma pode causar numa pessoa? Somos seres humanos únicos e cada um de nós reagimos de maneiras diferentes. Edmund conheceu todo o tipo de violência durante toda a sua vida e se tornou um assassino. Charlotte passou por um episódio que marcou completamente a sua vida ao ponto de desenvolver múltiplas personalidades e enquanto Ratched, as vezes, parece nem mesmo se conhecer. 

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Mas aí vocês vão me perguntar do porque trazer Ratched num especial de Halloween e a minha resposta é simples: não é uma série de terror, mas é um thriller psicológico dos mais potentes, pois podemos perceber que nada e nem ninguém é totalmente bom ou ruim, com algumas exceções é claro. A trama tem um nível bom de suspense e o que fica ao longo dos episódios é que ninguém é exatamente o que parecer ser e todos tem seus próprios segredos e traumas. Nem mesmo Dr. Hanover, o homem de aparência frágil, está livre de seus traumas. Em resumo, estamos falando de uma série que retrata o mal que pode estar em todos nós e que floresce diferente ao logo do nosso cotidiano, além do debate do que é normal, loucura e até mesmo imoral. Ratched veio para nos mostrar o passado da infame vilã do clássico, mas nos deu muito mais e eu já espero pela Segunda Temporada. 

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