Resenha e Crítica: ‘Virgin River: Um Lugar Para Sonhar – Robyn Carr’

Oi gente!! Mais uma vez eu estou aqui, não só para comentar sobre o livro, mas também sobre a adaptação da história. Virgin River chegou à Netflix em dezembro de 2019 e logo chamou atenção, não só por ser uma história apaixonante, mas por se tratar de uma adaptação da série de livros da autora Robyn Carr. Em março de 2020, a Harlequin publicou o livro por aqui e só se concretizou o sucesso dessa trama e hoje chega à Netflix, a segunda temporada da série, então não existia dia melhor para falar de Virgin River, não é mesmo? Mas, antes, fiquem com a sinopse…

“Mel sentia que estava sem forças, em frangalhos. E isso não se comparava à solidão da sua cama vazia. Os amigos tinham implorado a ela que ignorasse o impulso de fugir para uma cidade desconhecida, mas nem os grupos de apoio nem a terapia a dissuadiram da ideia. Frequentara mais a igreja nos últimos nove meses do que nos dez anos anteriores, mas nada ajudara. O único alento era sua fantasia de fugir para algum vilarejo no interior, onde os moradores não precisavam trancar as portas e a única coisa a temer era a possibilidade de um cervo comer as plantas do jardim. Um lugar que parecesse um cantinho do paraíso. Agora, olhando as fotos à luz pálida do interior do carro, Mel se deu conta do quanto fora ridícula. Recostou-se no banco e fechou os olhos. Um rosto muito familiar surgiu em sua mente: Mark. Às vezes, a vontade de vê-lo mais uma vez, de falar com ele só por um momento, era esmagadora. Não se tratava apenas da dor, mas da simples falta que ele fazia; sentia saudade de ter um companheiro em quem se apoiar, de esperar sua chegada e de acordar ao seu lado. — O que existe entre nós é para sempre. O ‘para sempre’ tinha durado quatro anos.”

LIVRO

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Melinda Monroe deixa Los Angeles para recomeçar numa cidade pequena chamada Virgin River. Ela é enfermeira, especializada em partos, e comandava a enfermaria de um grande hospital, mas após perder seu marido Mark, Mel não consegue lidar com o luto e de ver seu marido em todos os lugares que vai. Mark era médico no mesmo hospital, então eles passavam muito do seu tempo juntos. Ele foi assassinado por um tiro ao sair para ir ao supermercado e ser uma das vítimas de um assalto que acontecia no momento. 

Virgin River é uma pequena cidade e Mel foi contratada para ajudar o único médico já que ele já está muito velho e não dá conta de atender todos os moradores. É Hope McCrea quem coloca o anúncio e trata todos os detalhes com Mel. Além de vir trabalhar como ajudante do médico, Hope promete que ela terá um lugar adequado para morar, mas a enfermeira encontrará sérios problemas quando chegar a cidade. Primeiro é que Dr. Mullins não tem interesse algum na ajuda dela e segundo, e não menos problemático, a casa onde ela deveria morar está num estado caótico. 

“Sabe, é mais fácil quando as pessoas não enxergam você assim…Quando não sabem que você carrega uma dor constante.”

Mel decidi ir embora, pois a principio essa fuga parecia o certo a fazer, mas a cada minuto que ela passa em Virgin River ela nota como tomou a decisão errada ao deixar tudo pra trás ir para lá. Só que um momento muda tudo para Mel. Um bebê é abandonado na porta do consultório do Dr. Mullins e ela, como enfermeira obstetra, já fica logo preocupada em cuidar do bebê e, principalmente, descobrir quem é a mãe e lhe oferecer os cuidados médicos necessários. Saber quem é mãe da pequena menina vai levar um tempo e isso servirá como pano de fundo da história assim como mudará a decisão de Mel de ir embora da cidade. 

Como estamos falando de uma trama em cidade pequena, logo corre o boato da chegada de Mel assim como da bebê abandonada e ela logo perceberá como as coisas funcionam nas cidades pequenas. Todos se conhecessem e estão sempre dispostos a ajudar uns aos outros. Os dias vão se passando e a cada dia Mel conquista mais seu espaço não só no consultório, mas na vida daquelas pessoas. Depois do trabalho, o lugar mais frequentado é o Bar do Jack. É para lá que todos vão para tomar café ou jogar conversa fora. Jack se tornará uma pessoa super importante para Mel.

“Concentre no bem que você pode fazer, não se atormente com casos sem esperança. Isso só vai te deixar infeliz.”

Jack é um ex fuzileiro naval e que após passar por muitas missões decide se aposentar e viver na calmaria que Virgin River lhe oferece. Ele abre um bar e que logo se tornaria o ponto de encontro de todos os moradores da cidade. É um homem bom e que já viveu muitos traumas enquanto servia seu país e agora só deseja viver em paz. Tem um relacionamento casual com uma mulher mais velha que mora numa cidade próxima, mas isso mudará com a chegada de Mel. Jack é aquele tipo de pessoa que está sempre ajudando as pessoas e era exatamente o que pequena moça da cidade estava precisando.

Os dois vão se conhecendo e Jack estabelece como meta manter Mel na cidade, já que ela é uma pessoa que pode ajudar toda a comunidade. Ele decide dar um jeito no chalé e deixar o lugar habitável assim Mel terá onde morar, sem precisar ficar no quarto de hospedes de Dr. Mullins. Jack se mostrará um bom amigo e além de ajudar com o chalé, está sempre disposto a dar uma mão com a bebê, que logo será chamada de Chloe. Apesar de ter seus próprios traumas, ele vai ajudar Mel a superar seu luto e mostrará a ela que ela está tendo sua segunda chance para mar.

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Como eu disse no enunciado, até a série ser lançada na Netflix, a grande maioria dos leitores brasileiros desconheciam essa história, mas felizmente a Harlequin Books Brasil não demorou a trazer os livros. Em poucos meses, eles lançaram não só o primeiro livro, mas também Um Refúgio nas Montanhas, o segundo livro de uma série que já conta com 19 livros publicados lá fora, além de pequenos contos. Cada livro conta a história específica de um casal de moradores de Virgin River, mas sem deixar os secundários de lado. 

A escrita da Robyn Carr é bem fluida, então você lê muito rapidamente. A Harlequin fez um belo trabalho nesta edição nos dando um capa que remete a calmaria nas montanhas de Virgin River, mas não deixou de pegar carona no pôster da série da Netflix. Apesar de ser um livro com o protagonismo forte de Mel e Jack, a história ainda vai abordar outros temas importantes, como: sexo na adolescência, maternidade em geral, uso de drogas, traumas, além do conceito de família. Foi uma leitura super positiva mesmo que eu já conhecesse a história por causa da adaptação. 

SÉRIE

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Eu vou usar esse espaço para comentar das principais diferenças entre livro e série, mas antes disso vale ressaltar que Virgin River é uma série com apenas 10 episódios de cerca de 45 minutos cada. É para maratonar super rapidinho e já correr pra assistir a segunda temporada. Sem falar que é uma série calma e gostosa de assistir, do tipo que a gente precisa ver quando não quer pensar muito e nem ficar teorizando sobre nada. Enfim, bora lá descobrir quais foram os principais pontos de diferença entre livro e série. 

Então vou começar falando da personagem Hope (Annette O’Toole, de Smallville), pois acredito que tenha sido uma das grandes mudanças. Na série, ela tem um protagonismo enorme, não só por ser responsável de trazer Mel para Virgin River, mas por ser uma das principais incentivadoras do casal Jack (Martin Henderson, de Grey’s Anatomy) e Mel (Alexandra Breckenridge, de This Is Us), além de ser a prefeita da cidade. Então temos muito de Hope na adaptação. Já no livro, ela não tem esse protagonismo todo e, tirando o fato de que também foi a responsável pela vinda de Mel, acredito que as mudanças que fizeram para a série foram importantes para que a personagem se tornasse mais querida. 

“As pessoas pertencem ao lugar onde se sentem bem. E cada um pode pertencer a uma porção de lugares, por razões muito diferentes”

Outra personagem que teve sua história bastante modificada na série foi Charmaine (Lauren Hammersley, de Orphan Black), a mulher que Jack tem um relacionamento casal. Enquanto no livro, ela é uma mulher mais velha e que já tem filhos em idade adulta, na série ela é uma mulher mais jovem, na mesma faixa etária de Jack e que não tem filhos. No livro, Jack termina com Charmaine logo que percebe que está se apaixonando por Mel e a personagem leva numa boa. Já na série, teve mais drama nesse rompimento, o que até de certa forma, prejudicou o relacionamento de Jack com Mel. É uma personagem que ainda estará presente na segunda temporada.

Agora uma das coisas que serviu de pano de fundo e até mesmo de motivo para Mel se manter na cidade foi a história da bebê que é abandonada na porta do consultório. No livro, o mistério envolta de quem é a mãe da bebê demora mais tempo para ser descoberto, enquanto na série é uma coisa que é logo solucionado. Sem falar que na série, Mel e Doc (Tim Matheson, de Hart of Dixie), como é chamado na adaptação, vão brigar bastante, porque ela quer chamar o serviço social enquanto o médico, já sabendo que levaria dias para que eles aparecessem, tenta resolver o problema dentro da cidade mesmo. No livro, Mel entende rapidamente que a maior parte das coisas acabam sendo resolvidas internamente.

Agora a maior diferença entre livro e série é justamente sobre o relacionamento de Jack e Mel e o mistério envolta da morte de seu marido. No livro, o relacionamento deles foi construído muito mais rapidamente do que na série, já que Mel se sente culpada pela morte de Mark e acaba sempre se retraindo aos avanços de Jack, mesmo que ela também esteja sentindo algo por ele. No livro logo é revelado que Mark morreu num assalto, enquanto na série há um mistério sobre o marido de Mel e aos poucos vamos descobrindo como aconteceu. Como é um dos pontos chaves da trama, eu não vou contar a modificação que foi feita.

Foram algumas mudanças e, como a própria Robyn Carr participou ativamente da adaptação, eu acredito que ela tenha aprovado a maneira que a história seria contada na televisão. A série de livros Virgin River é enorme e cada livro conta a história de um personagem da cidade, então todas as histórias são fechadinhas. Já na série, eles optaram por fazer uma trama mais cheia de mistério e com isso, nada foi encerrado permitindo ter sequência, o que de fato aconteceu com o lançamento da segunda temporada.

“Não estou sozinha… Tenho uma cidade inteira ao meu lado. Nunca tive isso”

Nós já tivemos um gancho para essa continuação e tudo indica que o cozinheiro do Bar do Jack, seu amigo e ex fuzileiro, Preacher (Colin Lawrence), terá um protagonismo maior na segunda temporada, o que acaba remetendo ao que a autora faz em seus livros. Ele foi um personagem que já me despertou atenção e saber que agora poderíamos saber um pouco mais sobre ele já me deixou feliz. O que vale ressaltar é que Virgin River é uma série de conforto e pode até parecer ter um enredo batido e, que eu vi sendo muito comparada a Hart of Dixie (uma série semelhante, mas que foi ao ar anos depois do lançamento do primeiro livro de Virgin River), mas que se faz necessária e que tem um elenco de peso.

Além das diferenças que eu já mostrei, eu gosto muito dos dois produtos. Tanto o livro quanto a série nos carregam para aquela vida de interior, onde todos se conhecem e sabem o que se passa na vida dos outros. A história vai nos inspirar e ao mesmo tempo nos levar ao debate de temas importantes. Virgin River é uma confort série e encanta tanto seus leitores quantos seus telespectadores. Eu estou com as expectativas super altas para essa continuação, então se eu tivesse que dar uma nota para o livro + série, eu daria 5 Angélicas já que cada uma atingiu seu potencial, cada uma da sua maneira.

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