A Hora do Chá: ‘Alguém Para Amar – Mary Balogh’

Oi gente!! Hoje é dia de Mary Balogh, a autora fofa que adora criar histórias pra arrasar com o meu coração. Eu vim falar de Alguém Para Amar, primeiro livro dela a sair pela Editora Charme e mais uma oportunidade para conhecer sua escrita. Eu confesso que essa foi uma leitura que me surpreendeu porque não era bem o que esperava. Leiam a sinopse que já explico melhor o que achei dele…

“Humphrey Westcott, o conde de Riverdale, acaba de morrer, deixando uma fortuna e um segredo escandaloso que transformará para sempre a vida de todos em sua família, incluindo a filha que ninguém sabia que ele tinha… Anna Snow cresceu em um orfanato em Bath, sem nada saber de sua família de origem. Quando descobre que o falecido conde de Riverdale era seu pai, ela herda sua fortuna e também fica muito feliz em saber que tem irmãos. No entanto, eles não aceitam suas tentativas de dividir sua nova riqueza. Só que o guardião do novo conde está interessado em Anna… Avery Archer, o duque de Netherby, sempre manteve os outros à distância, mas algo o leva a ajudar Anna em sua transição de órfã à dama. Com a sociedade londrina e os parentes recém-descobertos de Anna ameaçando subjugá-la, Avery intervém para resgatá-la, mas se vê vulnerável a sentimentos e desejos que ele havia mantido escondidos muito bem, por muito tempo.”

Avery Archer, duque de Netherby, recebeu a responsabilidade de ser o guardião do novo conde de Riverdale já que Harry Westcott ainda não completou 21 anos e legalmente ainda não pode administrar sozinho toda a riqueza que herdou junto com o título. Ele imagina que tudo isso será tedioso, pois herdara essa responsabilidade por causa de seu próprio pai, já que o antigo duque e o falecido conde combinaram isso por escrito há muitos anos. Avery poderia recusar, pois não era o duque mencionado no documento, mas acreditou que aquilo seria uma inconveniência muito maior. Ele só não imaginava que a Condessa viúva fosse lhe pedir outro enorme e secreto favor. 

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Humphrey Westcott, o falecido conde de Riverdale, acabara de morrer e seu maior segredo veio a público. Aparentemente a Condessa viúva sempre soube sobre a bastarda que o marido mantinha em Bath, mas agora que o marido faleceu, ela pede a Avery que a encontre, para além de lhe dizer que seu pai está morto, lhe pague uma boa quantia para que se mantenha calada e longe da família Westcott. O duque deixa essa missão a cargo dos advogados, e tanto ele quanto a condessa, acreditam que este assunto está resolvido, até que a filha em questão é levada para Londres e todo o mundo aristocrático da família vem ao chão. 

Anna Snow viveu no orfanato desde que tinha mais ou menos quatro anos de idade e não tem lembranças de como era sua vida antes disso. Apenas alguns breves lampejos que lhe faz lembrar, mas nada faz muito sentido. Ela está com 25 anos e continua morando no mesmo orfanato, mas agora é professora na instituição. Apesar de receber um modesto salário e ter seu próprio dormitório, Anna continua tendo suas contas pagas por um benfeitor, que ela nunca soube quem era e do dia para noite toda a sua vida mudará, pois recebe a notícia que deverá ir à Londres para discutir seu futuro. 

“Ao longo de sua vida, Anna cultivara uma qualidade de caráter acima de todas as outras: a dignidade. Ela constantemente tentava incutir a importância dessa qualidade em seus órfãos sempre que estavam sob cuidados.”

Toda a família Westcott foi informada que deveria se reunir na casa de Avery com o advogado do antigo conde. Brumford tem notícias que mudarão a vida de todos e eles não estavam preparados para verem suas vidas ruindo. Primeiramente é revelado que Anna é filha do falecido, o que gera um grande alvoroço pela bastarda estar ali na presença dos filhos legítimos, mas o advogado revela que na verdade ela é filha legítima do conde já que muito antes de se casar com Viola Kingsley, ele teria se casado com Alice Snow e que Anna Snow se chama Anastasia Westcott, filha e herdeira do último conde de Riverdale. 

E se o choque já não fosse enorme, Brumford revela a última e pior parte deste segredo. O segundo casamento do conde não é válido, pois quando ele aconteceu, ainda era casado com Alice Snow. Eles não viviam mais juntos e Alice faleceu quase 5 meses após o casamento do conde com Viola, então, além de ser  uma união bígama e inválida, todos os filhos deste casamento são ilegítimos tornando apenas Anna sua filha legítima. Tanto Harry quanto suas irmãs são considerados bastardos e a Srta. Kingsley, na verdade, é uma mulher solteira. Sendo assim, o título que seria de Harry vai para seu primo, Alexander, e toda a fortuna não vinculada ao título vai para Anna. 

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Meu Deus, os dramas e escândalos na aristocracia precisam ser enormes e memoráveis, não é mesmo? Parece que eu já contei muita coisa do livro, mas tudo isso aconteceu bem no início da história. A grande protagonista dessa história é Anna e a mudança repentina de ser uma órfã sem família para se tornar muito rica e parte de uma família muito grande. Apesar ter dificuldades para se adaptar àquela vida de luxo, o que ela mais queria não aconteceu. Ela sonhava em encontrar sua família, mas ao fazer isso, seus meios-irmãos a renegam colocando a culpa toda em cima dela, mesmo que a culpa seja do pai deles, não só pelo casamento bígamo, mas por nunca ter alterado o testamento e os deixado totalmente pobres. 

“Sou rica, provavelmente além da imaginação, mas de certa forma estou mais empobrecida do que era antes, pois agora sei o que tinha e perdi.”

Do outro lado, suas tias, avó e o novo conde passam a trabalhar arduamente para torná-la apresentável á sociedade. Ela se tornou uma das solteiras mais ricas de Londres, mas já está com idade avançada para se casar, coisa que sua fortuna mudará rapidamente essa parte. O problema é que há alguém que desperta o interesse de Anna, mesmo que seja um homem misterioso e que fale muitos absurdos. Ela sempre foi simples e agora a família diz que ela precisa mudar sua forma de agir, vestir e até mesmo de pensar. Anna pode até ter virado uma aristocrata por direito de nascença, mas não abrirá mão de continuar sendo simples e principalmente de ser boa. Mesmo que seus irmãos não a aceite, ela continuará lutando para que sejam uma família. 

O homem que desperta todos os sentimentos femininos de Anna é o Duque de Netherby. Desde o início, ela sempre ficou se perguntando porque Avery sempre se mostrou interessado nela. Apesar de ter uma aparência pequena e até mesmo delicada, ele sempre se mostrou muito homem para Anna. Um romance muito lento e até mesmo respeitoso demais nascerá entre eles e aos poucos ela descobrirá que por trás daquela faixada de um lord importante e entediado há um homem que teve uma infância muito sofrida justamente por fugir dos padrões masculinos. Seu pai foi o primeiro a chamá-lo de afeminado e após a morte de sua mãe, os meninos do internato não o receberam melhor e logo ele teve que aprender a se defender. 

“Mas vida e dor andam de mãos dadas. Não se pode viver plenamente a menos que se sinta dor pelos menos ocasionalmente.”

Infelizmente esse livro não foi exatamente o que eu esperava. Acabei amando muitos aspectos e ficando muito confusa em outros. Mary Balogh nos deu uma trama com muitos personagens e que de certa maneira já quis desenvolver um pouco de cada um deles, pois teremos suas histórias contadas depois. O problema é que isso deixou muito pouco espaço para o romance de Anna e Avery. Eu conheci a escrita da autora por causa da série Clube dos Sobreviventes, então fiquei um pouco perdida na narrativa dela neste livro. O ponto alto pra mim foi ela manter a personalidade de Anna intacta. Ela é genuína e verdadeira mesmo num mundo de falsidade. Além disso, achei interessante ela trazer a tona a discussão sobre masculinidade, onde um homem só é considerado homem, se for grande, forte e até mesmo violento. Aqui tivemos um duque pra lá de afetado. 

Alguém Para Amar dá início a uma série enorme chamada Westcott. Ele é o primeiro a ser publicado no Brasil, mas lá fora já tem 7 livros + um conto, além do oitavo livro estar programado para 2021. A família Westcott é bem grande, então a autora ainda tem muita história para contar e como disse ali em cima, os personagens já nos foram apresentados neste primeiro livro. A edição nacional ficou a cargo da Editora Charme e eu gostei bastante dela. A diagramação é simples, mas bem bonita, com arabescos nas bordas de cada página. A fonte e espaçamento são bons para leitura, mas fiquei com a impressão de serem bem menores do que os demais livros da editora. 

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Alguém Para Amar começou num ritmo muito bom, revelando muitos segredos e tendo várias reviravoltas, mas do meio para o fim a narrativa vai mais devagar e confesso que isso realmente me desagradou. Fiquei naquela expectativa pelo romance dos protagonistas, mas ficou faltando química entre eles. Quero deixar claro que não é um livro ruim, mas acho que minhas expectativas estavam altas demais e acabei me frustrando. Apesar disso, eu realmente vou continuar a ler a série, pois quero saber o que vai acontecer com todos os parentes de Anna. Enfim, deixo minhas 3 Angélicas e querendo a história do próximo Westcott. 

CLASSIFICAÇÃO 3ANGÉLICAS

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