A Hora do Chá: ‘O Príncipe dos Canalhas – Loretta Chase’

Oi gente! Hoje é dia de chá por aqui e eu estou muito feliz de finalmente trazer um livro da Loretta Chase para a coluna A Hora do Chá. O Príncipe dos Canalhas foi publicado pela primeira vez em 2015, mas este ano a Editora Arqueiro lançou a coleção Pop Chic e ele voltou nesse novo formato. Eu vou falar sobre o que eu achei dessa história, e também vou aproveitar para falar um pouquinho sobre essa nova coleção da editora. Mas antes disso, fiquem com a sinopse…

“Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent… Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.”

Sebastian Ballister tem uma reputação de canalha frio e sem coração. Apesar de ser filho de uma família influente, o antigo marquês se casou com uma italiana e Dain puxou todos os seus traços fortes e marcantes. Desde pequeno ficou conhecido como uma criatura estranha, já que ele não fazia parte do ‘padrão de beleza inglês’. Sua pele amendoada, nariz e estatura grande sempre chamaram atenção e assim que foi mandando para Eton, ele passou a sofrer preconceitos de seus colegas e passou a ser conhecido como lorde Belzebu, uma clara comparação ao filho do diabo. Demorou muito para menino franzino conquistar o respeito de seus pares, mas aí o apelido já tinha pegado e ele passou a gostar dele.

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O pequeno lorde logo se tornou um homem e apesar de continuar sendo rejeitado por seu pai, ele conquistou riqueza, foi embora de Londres e passou a circular pelos lugares mais pecaminosos de Paris. Lorde Belzebu não tem vergonha de desfrutar de uma vida super pecadora e nem dos olhares da sociedade conservadora. Assim que fica sabendo da morte do pai, ele dá uma grande festa na propriedade dos últimos marqueses, regada a muita bebida e depravação. Depois dessa grande celebração, ele fecha tudo e volta para sua vida cheia de desfrute na capital francesa, mas agora como o Marquês de Dain.

“Ele era Dain, o lorde Belzebu em pessoa. Não temia a fúria da Natureza nem a sociedade civilizada.”

Anos depois, Dain continua vivendo sua vida de devassidão e não espera se casar por amor ou porque é bonito. Ele sabe que se houver um casamento será por causa de seu título e riqueza. As moças bem criadas nunca direcionaram seus olhares à ele, então sabe que um possível matrimônio será apenas pelas conveniências. Mas isso muda quando ele se encontra casualmente com Jessica Trent no antiquário. Ela é irmã de Bertie, um homem que Dain apenas tolera, mas que circula pelos mesmos lugares que ele. Lorde Belzebu fica impressionado com a beleza de Jessica, mas é sua inteligência e personalidade que mais lhe chamam atenção.

Jessica acabou de chegar à Paris e seu maior objetivo é levar seu irmão Bertie de volta à Londres. O irmão é um grande bobalhão e a cada dia que passa na companhia de Belzebu, mas se afunda em dívidas e vícios. Ela nunca nem viu o famoso lord, mas só de saber de suas histórias já sabe que não é uma boa companhia para o tonto do irmão. Quando se encontra brevemente no antiquário, Jessica não consegue esconder que ficou muito impressionada com a imponência dele. Ela escutou tudo sobre ele, mas não estava preparada para todo o charme masculino de lord Belzebu. E esse encontro marcará não só o início de um desejo insano de ambas as partes, mas também de um jogo de quem pode mais.

“— Então, vamos dançar.
— Não, não vamos – retrucou ela. – Eu havia guardado duas contradanças
porque… Bem, não importa. Já tenho um parceiro para esta.
— Certamente. Eu.”

Dain está acostumado a ter tudo que quer, mas também sabe que nada de bom pode vir de uma dama respeitável. Ele sempre se esbaldou nos braços de mulheres que não vão julgar sua aparência e que não fossem cobrar um casamento depois, então tenta se manter longe de Jessica. Já ela não esperava se sentir não fascinada pela inteligência e arrogância de Dain. Ela sabe que sua reputação poderá ser arruinada de ficar perto dele, mas não consegue evitar provocá-lo. Logo, eles estabelecem um joguinho e toda a sociedade parisiense começa a fazer apostas sobre o possível relacionamento deles. E minha gente, eu não estava preparada para todo o jogo de sedução entre eles e nem no quanto essa mocinha seria uma mulher a frente de seu tempo.

“Jessica, nenhuma mulher com capacidade suficiente de analisar os homens de maneira objetiva quer um marido. E você sempre foi extremamente objetiva.”

E eu vou parar por aqui, pois quero deixar aquele gostinho de surpresa para vocês passarem enquanto estiverem lendo. Eu só digo uma coisa, esse livro tem vários elementos que o classificariam como um clichê, mas ao mesmo tempo tem elementos que o diferenciam da grande maioria dos romances de época. O maior clichê é que o próprio Dain fala sobre eles serem A Bela e a Fera já que ele sempre foi considerado um homem feio e bruto enquanto Jessica é linda e delicada – vou abrir um grande parêntese aqui para dizer que ela aparentemente é delicada rs -. Outro ponto já bastante debatido nos romances é a pegada de gato e rato, mas esses protagonistas vão levar essa guerra a outro patamar.

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Agora o elemento que trouxe um frescor foi simplesmente por mostrar Paris. A maior parte da história se passa lá e eu amei sair dos salões de baile londrinos para curtir a sociedade parisiense e acredito que essa questão deles fazerem apostas sobre o relacionamento de Dain e Jessica mostrou outro lado dos romances de época que quase não vemos. As apostas geralmente eram restritas aos clubes de cavalheiros, mas aqui temos as apostas sendo firmadas dentro dos salões de baile. Sem falar que senti que a Loretta criou uma sociedade mais fofoqueira, invejosa e manipuladora do que estava acostumada a ler.

“Você me fez desejá-la, disse ele na língua de sua mãe. – Você fez com que eu me sentisse solitário, apaixonado. Você me fez desejar o que eu jurei que nunca precisaria, que nunca procuraria.”

Saindo dos clichês, eu amei esses protagonistas. Dain criou uma personalidade imponente e até mesmo assustadora, mas que serviu para encobrir todas as suas emoções e inseguranças. Já Jessica serviu para levantar a questão da mulher na sociedade. Ela claramente está a frente de seu tempo, pois é uma mulher inteligente e que não leva desaforo para casa, mas que sabe que uma palavra pode lhe desonrar ao ponto de nunca se casar ou ter seu próprio negócio. Eu não vou dar spoiler, mas há uma situação, que mesmo ela sendo mulher, lutou muito para a sua vontade prevalecesse sobre a de Dain. Apesar de toda a sua arrogância, é divertido ver o gigante lorde Belzebu se rendendo aos encantos de Jessica. 

Como eu falei no enunciado, O Príncipe dos Canalhas, foi publicado pela primeira vez em 2015, mas ele não é o primeiro livro da série. Na verdade ele é o terceiro livro da série Canalhas, mas a Editora Arqueiro só publicou por aqui, o terceiro e o quarto livro, O Último dos Canalhas. Cada livro conta a história de um casal e podem ser lidos separadamente, mas eles são ligados pelo fato de todos os protagonistas se conhecerem. Enfim, a editora optou por não publicar a série completa e agora estamos recebendo essa história novamente, mas pela coleção #PopChic. Apesar de ser um formato novo e diferente, não deixa a desejar em nada comparado com as outras publicações da editora. O livro tem orelhas, páginas amareladas e do mesmo papel dos outros livros da Arqueiro. A diagramação não foi prejudicada, então temos uma leitura confortável, sem contar que o livro é super leve.

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O Príncipe dos Canalhas é divertido e provocador. Dain e Jess fogem do clichê de protagonistas de romances de época e eu gosto muito disso. Ele está muito longe de ser o príncipe montado no cavalo branco, assim como Jess está longe de ser a donzela em perigo. Ambos são inteligentes e sagazes, além de serem extremamente arrogantes e sensuais. Ele é o típico canalha que amamos tanto odiar e ela é a mocinha forte. É uma história extremamente viciante com passagens tristes sobre o passado de Dain, recheada de intrigas, traições, sarcasmo e humor, mas também é um livro com um romance ardente entre dos protagonistas maravilhosos. Eu não li esse livro em 2015 e me arrependo disso, mas agora tive a oportunidade de me jogar nessa história. Sendo assim deixo minhas 5 Angélicas. 

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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