A Hora do Chá: ‘Era Uma Vez No Outono – Lisa Kleypas’

Oi gente! Chegamos ao outono e como prometido lá na resenha de Segredos de uma Noite de Verão, eu votei para continuar falando dos livros da série As Quatro Estações do Amor, uma das queridinhas da Lisa Kleypas. Eu cheguei a comentar na resenha anterior que as minhas leituras e resenhas serão todas baseadas na edição #popchic que é um novo formato que a Editora Arqueiro vem usando para resgatar livros mais antigos. Os nossos protagonistas já foram apresentados no primeiro livro e digamos apenas que ambos não se suportam, então é claro que seria um livro que eu gostaria muito de ler e saber se essa relação é completamente de ódio. Enfim, fiquem com a sinopse…

“A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa. Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar. Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?”

Lillian Bowman é a mais velha das irmãs Bowman. Sua família é uma das mais ricas em Nova York, mas eles não fazem parte da aristocracia e, visando misturar sua linhagem com a da nobreza londrina, eles embarcam para Londres a fim de casar as duas filhas. Como Lillian é a mais velha e também mais impetuosa das irmãs, ela precisa se casar primeiro que a irmã Daisy. Ambas estão sempre se metendo em confusão, possuem espíritos livres e tem zero de doçura para conquistar um lord e por isso acabam sempre nos cantos dos bailes e foi num desses cantos que fizeram amizade com Annabelle Peyton e Evangeline Jenner e nasceu o acordo de que tentariam arrumar bons casamentos para cada uma delas.

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Annabelle já encontrou seu amor, então agora é a vez de Lillian. Apesar de possuir um dote milionário, nenhum homem se interessou por sua natureza impetuosa e muito menos por sua falta de habilidade quanto aos costumes sociais impostos a toda moça. Então, para que ela conseguisse despertar o interesse de um aristocrata, Lillian precisaria ser ‘madrinhada’ por uma das matronas nobres, mas ninguém se ofereceu para o cargo. Como as Flores Secas, o grupo de amigas que nasceu no último livro, se reencontraram novamente em Stony Cross, propriedade do conde de Westcliff, Lillian terá uma nova chance de conhecer um candidato à marido. Ela só não esperava que seu grande desafeto seria seu principal obstáculo nessa busca por um casamento.

“Lillian sabia que era uma garota de língua afiada, com uma fortaleza erguida entre ela e o resto do mundo — uma garota com um ceticismo persistente e um senso de humor mordaz.”

Marcus Marsden, conde de Westicliff, não poderia ser mais aristocrata. Ele possui um dos títulos mais antigos da Inglaterra, então desde pequeno sempre soube o tamanho da responsabilidade que seria ser o novo conde. Ele se tornou um homem reservado, controlado e com um senso de honra extremo. Está acostumado a comandar suas propriedades e durante sua gestão, os Marsdens se toraram ainda mais ricos. O conde conheceu a Srta. Bowman na última festa que deu na sua propriedade de campo, mas ele tinha sido apresentado à ela, pois faz negócios com o pai de Lilian. Todos os encontros a partir daí foram marcados por hostilidade entre eles. Ela é insolente demais e ele, literalmente, não sabe lidar com o jeito dela.

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Na última reunião em Stony Cross, ele presenciou Lillian vestida apenas com as roupas de baixo jogando rounders. As outras Flores Secas estavam juntas, mas é claro que a única que chamou sua atenção foi Lillian. E agora ele precisará lidar novamente com ela já que a família Bowman foi convidada, mas, aparentemente, nessa temporada as coisas serão um pouquinho diferente. Mesmo fugindo, para adiar o encontro que teriam em algum momento, Marcus acaba reencontrando a moça novamente numa situação comprometedora. Lillian e Daisy convenceram os cavalariços do conde a deixarem as duas jogarem rounders com eles. Felizmente, dessa vez, elas mantiveram as roupas. E dessa vez, o conde não vai embora, ele joga com todos e ainda tem vários momentos de flerte com Lillian.

“A extraordinária insolência de Lilian a tornava diferente de todas as mulheres que Marcus já conhecera. Isso e o rounders que elas tinham jogado em roupas íntimas o convenceram de que Lilian Bowman era um demônio.”

E esses flertes acabam resultando num beijo apaixonado, um beijo que vai deixar ambos mexidos e que jamais se repetirá. O que sabemos que é uma grande mentira, certo? Os dois são grandes opostos, então é claro que serão constantemente atraídos um para o outro. Apesar de serem diferentes em muitos aspectos, ambos tem personalidades marcantes e a autora não poupou o leitor de diálogos afrontosos e de embates entre eles. E se já não fosse difícil ter que lidar com os sentimentos que ambos vem sentindo um pelo outro, os dois ainda precisarão lidar com um pretendente inusitado: Sebastian, o Visconde de St. Vincent, um libertino conhecido entre as camadas mais altas da sociedade e também um dos amigos mais próximos de Marcus.

Lillian e Marcus são o clássico casal gato e rato, mas do jeito que ambos são beeemmm mandões, estão mais para dois caçadores. Nenhum deles quer abrir a guarda para o outro, ainda mais por saberem que jamais poderiam ser um casal. Ela é uma americana, sem um pingo de sangue nobre, enquanto Marcus é um nobre de linhagem impecável. Ele poderia ter a esposa que quisesse, contanto que seja nobre. Suas irmãs já se casaram com americanos, então cabe a ele manter a linhagem do próximo conde intacta, mas como manter tudo isso, se o que mais deseja é ter Lillian para ele? Será que finalmente Marcus poderia tomar uma decisão baseada apenas no que ele quer e não no que o título precisa?

“A vida de Marcus havia sido moldada por rígidas expectativas e obrigações- e a última coisa de que ele precisa era distração. Ainda mais na forma de uma garota rebelde.”

A atração entre eles é real, mas por muito tempo Lillian acreditou que poderia ser resultado de um perfume que funcionaria como uma porção do amor. Ela tem um faro muito aguçado para perfumes, então criou uma fragrância exclusiva para ela, mas o perfumista decidiu colocar um segredinho nela. Depois disso, Lillian ficou tentando descobrir se o encantamento de Marcus por ela era resultado do perfume, mas logo isso cai por terra e ela saberá que o conde está completamente encantado por quem ela é. Uma moça impetuosa sim, mas muito forte e inteligente. Ela poderia se tornar a perfumista da empresa do pai, mas por ser mulher, isso jamais seria possível. Sua força se revela também todas as vezes que Lillian não reprimiu sua fala diante de Marcus, apenas por ele ser homem ou de uma classe social acima da dela. É uma personagem que revelou camadas mais sensíveis, mas sem deixar sua impetuosidade de lado.

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“Medo de você? – disse Lillian sem pensar. – Meu Deus, eu nunca teria. Westcliff inclinou a cabeça dela para trás e a encarou, e um sorriso se espalhou lentamente pelo seu rosto. Não, não teria – concordou. – Você seria capaz de cuspir no olho do demônio, se quisesse.”

Quanto à Marcus, eu só tenho algo a dizer: QUE HOMEM, BRASIIIILLL!! Ele lutou muito para admitir que o que sentia por Lillian, mas eu amo a forma que se rende à ela. Marcus é um personagem carregado de obrigações e deveres e a chegada de Lillian em sua vida, trás uma vivacidade e até mesmo uma rebeldia, que ele jamais perceberia que estaria faltando. Quando ele decide abandonar todas essas camadas de autocontrole, ele é lembrado por sua mãe, a Condessa Viúva, de que Lillian é completamente inadequada para assumir a posição de sua esposa e de Condessa de Westcliff. E preparem-se porque essa mulher vai aprontar muito, e nos deixar com o coração na mão assim como Marcus ficou.

Lisa continuou a abordar a situação dos novos-ricos e da decadência dos nobres e aqui isso se concretiza com o fato de Lord St. Vincent querer se casar com Lillian. E vou deixar um pequeno spoiler aqui: Sebastian, o personagem mais amado desta série e quiçá das demais, é o vilão nesta história e responsável por parte de um plot que me deixou completamente histérica. Sebastian é um dos principais personagens secundários neste livro e eu já estou bastante curiosa para saber como a autora vai salvar a pele dele ao ponto de fazer com que ele seja o ‘queridão’ das leitoras. Ele é o protagonista no próximo livro ao lado da mais tímida das Flores Secas: Evie Jenner. E falando das amigas, eu sinto que a participação delas foi um pouco menor do que no livro anterior, mas todas as vezes que estavam juntas, percebemos o tamanho da amizade que elas construíram.

“Porque você precisa de mim – respondeu, prendendo a respiração quando ela se contorceu contra ele. – Como eu preciso de você. – Ele pressionou sua boca contra a de Lillian. – Eu preciso de você há anos.”

As primeiras edições de As Quatro Estações do Amor são verdadeiras raridades e na resenha passada, eu contei para vocês a saga que foi consegui-las. Assim que consegui completar a coleção, a Editora Arqueiro divulgou o relançamento da série, mas num novo formato. A #popchic é menor, mais leve, mas mantém as principais qualidades de um livro de formato ‘normal’: diagramação confortável para a leitura, papel de qualidade e orelhas. Eu já sou uma grande adepta do novo formato e venho garantindo alguns livros da coleção. As capas tem rendido alguns comentários, pois a maioria dos fãs são apegados as capas antigas. Eu gosto do trabalho do arabesco e fonte das capas, mas confesso que também gosto mais das anteriores. Apesar que gosto muito dessa aqui, pois acho que a Lillian foi representada muito arrumadinha na última capa e aqui já temos os cabelos mais soltos.

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Era Uma Vez no Outono me conquistou completamente, eu não conseguia largar, e eu já tinha certeza que isso aconteceria, pois já tinha ficado curiosa por eles desde as trocas de farpas no livro anterior. Eu amei o jogo de conquista que eles acabaram estabelecendo e o quanto Marcus foi assustado por perder Lillian. Adoro o fato da Lisa Kleypas sempre trazer um assunto importante para abordar e nesta série ela discute muito a mudança que a aristocracia vinha passando, sem falar de colocar uma mocinha que poderia ter tido uma profissão, se não fosse pelo fato de ser mulher. Como estou lendo esse livro muito depois de ter sido publicado, eu acredito que não deveria ‘passar pano’ para uma certa cena entre Marcus e Lillian, mas não enxerguei como abuso. Acredito que todo o flerte entre eles foi consensual, então segui com a leitura e acho que esse livro é muito melhor do que o primeiro. Mas após o epilogo, minha concentração se volta toda para Sebastian. Será que já devo preparar meu pano? Enfim, deixo minha 5 Angélicas e volto no inverno. Até lá. ❤

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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