A Hora do Chá: ‘Guia de Mecânica Celeste para Damas – Olivia Waite’

Oi gente!! No dia 28 de junho é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, e por causa deste dia tão importante para a comunidade, o mês de junho ficou conhecido como o mês do orgulho e com isso vários eventos, palestras e manifestações são realizadas a fim de reforçar a importância de se respeitar toda uma comunidade. Dentro da literatura já é possível ver alguns livros que trazem personagens LGBTQIA+ e um deles foi lançado recentemente pela Harlequin e eu vim aqui falar dele. Eu fiquei louca por ele não só pela representatividade, mas também porque estamos falando de um romance de época. Antes de dar spoilers da história, fiquem com a sinopse…

“Assistir ao casamento de sua ex-amante não é uma experiência agradável, e Lucy Muchelney deseja estar em qualquer outro lugar do que na cidadezinha de Lyne. Quando recebe uma carta da condessa de Moth buscando um tradutor para um revolucionário artigo francês sobre astronomia, ela sabe aonde deve ir. Mas, ao aparecer na porta da casa da condessa, em Londres, esperava encontrar um desafio, não uma artista incompreendida capaz de tirar seu fôlego.
Catherine St. Day está ansiosa para desfrutar de uma vida pacata como viúva assim que concluir o legado científico de seu marido. Sua intenção era encontrar um tradutor e lhe passar a responsabilidade do projeto, mas ela fica intrigada pela jovem que bate à sua porta, implorando por uma chance, e deixa Lucy ficar. Mas, quando Catherine começa a se sentir atraída pela astrônoma apaixonada pelas estrelas, tudo em que acreditava sobre si mesma é posto à prova.”

Lucy Muchelney é uma astrônoma. Há mais de uma década ajuda o pai com os trabalhos dele, mas por ser mulher nunca assinou nenhum dos trabalhos como co-autora. Agora que o pai faleceu, Lucy não sabe muito bem como vai continuar trabalhando na área, ainda mais quando seu irmão, Stephen, fala sobre vender as coisas do pai. Para completar, Priscila, sua amante e amiga, decidiu se casar e ter uma família, deixando Lucy completamente arrasada. A moça não sabe como vai sobreviver na pequena cidade tendo que ver Pris casada e ainda sem poder trabalhar com o que mais ama.

“Lucy colocara as mãos em torno das de Pris para as acalmar. — Você não está sozinha. Você tem a mim. — Eu sei — dissera Pris —, mas, Lucy, não posso me casar com você.”

A moça acaba vendo a oportunidade de sair da cidade ao receber uma carta da Condessa de Moth. Ela está procurando alguém que possa traduzir um dos livros mais famosos de astronomia, mas que só existe em francês. Será um grande feito trazer um livro como este para os cientistas ingleses, então Lucy sem pensar duas vezes parte para Londres para se oferecer para o trabalho. A moça sabe que pode ser rejeitada já que nunca insistiu com o pai para que também assinasse as pesquisas. Ainda sim, ela espera que a condessa não lhe diga não sem que ela prove ser capaz de assumir a tradução.

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Catherine St. Day, Condessa de Moth, herdou o título da falecida mãe, sendo assim um dos raros títulos que podem ser herdados por mulheres. Após o casamento, ela explorou o mundo com o marido já que ele era um cientista. Por muitos anos, ela foi vista como uma assistente e também como uma financiadora dos estudos marido, mas foi deixada de lado como esposa. Ela acabou se sentindo cada vez mais solitária e criou um ressentimento muito grande pelo marido. Agora viúva, Catherine continua financiando alguns estudos e acredita que a tradução do Oléron será um grande feito para a Sociedade Refinada de Ciências.

As duas apresentam a proposta, mas logo é recusada pelo simples fato de Lucy ser mulher e por isso não poderá se tornar membro da sociedade. A condessa fica indignada e decide retirar a oferta de financiar metade do projeto. Com isso, Lucy começa a traduzir e expandir o livro de Oléron, apenas com o financeiro de Catherine. Será uma longa aventura já que as duas estão sozinhas nesse empreendimento, mas ambas estão confiantes de que a tradução de Lucy será um grande sucesso. E isso se concretiza, pois assim que a moça publica sua versão do livro, as edições são vendidas imediatamente. Só que Lucy não assina com seu nome, mas faz uma abreviação dele e depois vamos ver o grande público descobrindo que aquele livro foi feito por uma mulher.

“Aquela era sua única grande chance, e ela a perdera. Tudo porque, como Stephen disse, ninguém contrataria uma astrônoma mulher.”

Em paralelo a trama profissional de Lucy temos o romance entre elas. As duas se tornam grandes amigas e grande incentivadoras uma da outra. Com o passar dos dias vai ficando cada vez mais claro os sentimentos delas, mas as duas sempre ficam com receio de tomar iniciativa. Enquanto Lucy percebe que Catherine talvez nunca tenha se envolvido com uma mulher e talvez não saiba reconhecer seus desejos por ela, então a moça vai deixando rolar a atração entre elas sem nunca tomar a iniciativa. Enquanto isso, a condessa está planejando como poderia seduzir Lucy já que ela chegou à Londres com o coração partido. Felizmente, quando ambas se permitem ficar juntas é maravilho ver o quanto uma faz bem à outra.

“— Não nos deixam ter a coisa completa, sabe. Se você não segue o padrão. É preciso encontrar a felicidade em partes e pedaços. Mas eles ainda podem formar algo belo.”

Sem querer comentar mais sobre a trama para não correr o risco de dar spoilers, eu vou falar das minhas impressões sobre esse livro. Vou começar falando que a Harlequin tá de parabéns por ter trazido um romance LGBTQIA+, ainda mais sendo um romance de época. Só isso já seria fantástico, mas a história vai muito além da representatividade. Esse livro é uma surra no patriarcado além de mostrar toda a dificuldade que uma mulher tinha para conquistar um lugar que não fosse o de esposa e mãe. Aqui temos duas mulheres diferentes, mas ao mesmo tempo buscando pela mesma coisa: amor e aceitação. Além de um romance incrível entre elas, eu amei que a autora trouxe diálogos inteligentes e duas mulheres fortes e guerreiras como protagonistas. Levantou discursões super importantes e mostrou que mesmo naquela época existiam homens com pensamentos mais futuristas e que enxergavam as mulheres como iguais.

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Lucy sempre soube quem ela era e a parte que adorava a ciência sempre foi encorajada pelo pai. Desde criança, ela ficava envolta do irmão para saber o que ele estava estudando e quando o pai recebeu reclamação dos tutores dos filhos, ele pagou mais e ambos receberam a mesma educação. Agora, adulta e sem o pai, ela não sabe como vai conquistar seu espaço entre os cientistas simplesmente pelo fato de não ser um homem como os outros. Já Catherine sempre foi a típica dama da sociedade. Se casou por amor, mas logo percebeu que o marido não era o homem que ela esperava. Mesmo ele se tornando cada vez mais duro com ela, a condessa continuou financiando seus projetos e viagens. Solitária e infeliz, Catherine usou seu dom para fazer bordados maravilhosos de tudo que via. Isso a salvo e futuramente seria seu grande trabalho.

“Amar você é completamente diferente. Você me faz sentir maior, como se meu coração fosse grande e forte o bastante para caber o mundo. Como se eu pudesse me tornar quem preciso ser, ou quero ser, sem medo. Consigo chegar mais alto e mais longe e não perder você pelo esforço. Ah, meu amor, sabe como esse presente é grandioso?”

A edição de Guia de Mecânica Celeste para Damas chegou com essa capa maravilhosa. Não sei nem explicar o quanto achei linda, delicada e ao mesmo tempo sensual. O trabalho incrível e a Harlequin fez muito bem de manter a capa. Infelizmente, o livro chegou apenas em ebook e não sabemos se a editora vai lançar a edição física depois. Seria maravilhoso ter esse livro na estante. A diagramação do ebook é simples, mas não encontrei erros. Quanto a escrita da Olivia, eu realmente não conhecia, e fui surpreendida. Ela nos agraciou com uma narrativa super interessante e que trás um toque de novidade para o nicho já que são poucos os livros de época que trazem mulheres como cientistas, sem falar de ser um romance entre pessoas do mesmo gênero.

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Guia de Mecânica Celeste para Damas chegou de surpresa, mas já conquistou seu lugar no meu coração e também entre os melhores livros de época do ano. A autora não pegou um tema super importante, como um romance entre mulheres, e jogou uma história qualquer. Ela nos deu conteúdo de verdade. Uma história rica em conversas científicas, discursões sobre machismo, além do fato que sempre vemos em romances de época, que é a importância da mulher na sociedade. Eu amei esse livro, achei linda a forma que a autora usou para construir o romance entre Lucy e Catherine. Não achei nada apelativo, nada fora do lugar, todas as cenas sensuais entre elas foram colocadas no momento certo. Sem falar que o amor delas é daquele tipo onde uma apoia e encoraja a outra. Enfim, vocês já perceberam que eu amei, né? Então tá aqui minhas 5 Angélicas.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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