Crítica do Filme ‘Luca’

Oi ooooi gente! Hoje eu vim falar sobre o filme Luca, o último lançamento da Disney Pixar e que tem sido muito comentado. Inicialmente, foi planejado para os cinemas, como foi comentado no Disney Investor Day. Mas, devido toda a situação da pandemia, que não acabou, ficou decidido que o longa iria direto para o Disney+ e, para melhorar, ainda entraria como foi Soul, de forma “normal” para os assinantes, sem pagar o acesso premium. E, se desde de o início estava curiosa sobre a aventura de dois amigos, não podia imaginar que eu estava prestes a ver uma das animações – recentes, afinal, eu sou Millennium – que se tornaria um xodó. Antes de falar mais, fiquem com a sinopse e o trailer…

Em Luca, acompanhamos uma história de amadurecimento sobre um jovem que vive um verão inesquecível repleto de sorvetes, massas e passeios intermináveis de vespa. Luca compartilha essas aventuras com seu novo melhor amigo, mas toda a diversão é ameaçada por um segredo profundamente bem guardado: eles são monstros marinhos de outro mundo, logo abaixo da superfície da água.

Luca Paguro é um menino de 13 anos, que vive pacatamente com seus pais e avó. Embaixo d’água. Vive rotineiramente, cuidando dos peixe-ovelhas e amedrontado com os “monstros humanos”. Sua mãe, sempre muito protetora, o avisa para tomar cuidado com essas ameaças e que ele nunca pode se deixar ser visto, ou até mesmo fazer a transformação, saindo das águas. Coisa que a sua avó, sutilmente, diz que já fez. Mas, Luca, também é um menininho curioso, e vai ter esse lado ainda mais despertado quando algumas coisas caírem do barco de pescadores.

Enquanto ele coleta os itens, é que seu caminho vai cruzar com o de Alberto. Ele é um outro monstro marinho, mas não tem medo da superfície. Ele vive em um Farol abandonado e lida bem com a sua transformação em um menino humano. E incentiva que Luca perca o medo disso também. Ele apresenta várias coisas que os humanos gostam, mas nada conquista os dois novos amigos, como a vespa faz. Eles passam a sonhar em ter a sua própria, fazendo até mesmo vários projetos, um tanto quanto, descartáveis. Mas, quando a mãe descobre sua aventura e decide mandá-lo para longe, Luca se junta com Alberto e ousam ainda mais, eles vão em direção a vila dos humanos, Portorosso.

Assim que eles chegam por lá, descobrem não só o delicioso sabor de sorvetes e massas, mas também que, para conseguir uma tão sonhada vespa, eles precisam de dinheiro. E é depois dessas constatação, que eles começam uma amizade com Giulia Marcovaldo, para juntos, conseguirem vencer a competição anual de triatlo, contra o insuportável e provocador, Ercole Visconti. O cara que tem um legado de vitórias e de terror pela área, mas que os Excluídos, pretendem colocar um fim.

Juntos, os três começam o treinamento. Alberto fica responsável por comer o macarrão, Luca fará o percurso de bicicleta e Giulia irá nadar, afinal, os dois meninos não podem se molhar, ou irão voltar a serem monstros marinhos. E, em Portorosso, os cidadãos estão caçando eles, inclusive com recompensas sendo oferecidas. Entre esses momentos, eles também vão aprender o poder da verdadeira amizade e o que cada um pode acrescentar de aprendizado para o outro.

Falando de uma forma ampla, faz muito tempo desde que me peguei absurdamente envolvida com um longa de animação. Acho que o último foi Klaus – produzido pela Netflix e totalmente roubado no Oscar de Melhor Animação -, que me tocou tão profundamente e me fez querer ficar revendo e indicando para todos. Luca herdou esse posto. O filme começa de forma despretensiosa. Inicialmente, um alerta de como os humanos são as verdadeiras ameaças, nesse caso, para o mundo marinho. Então, a coisa vai evoluindo. Começa logo quando as três crianças se unem e, como diz Giulia, precisam se permitir ficar juntos, por serem “excluídos”. Aí, entra outra coisa que a Pixar costuma muito trazer em seus filmes, uma mensagem poderosa. Temos vários conceitos sendo aproveitados na forma de preconceitos e crenças locais – vale falar que Portorosso é movida pela pesca! -, mas na transformação que pode acontecer, quando o amor e a pureza falarem mais alto.

Para mim, essa é a grande mensagem do filme, quando apresenta o Luca como um tímido rapazinho, que vive numa bolha de proteção a base do medo, que fica encantado com o imenso mundo que tem pela frente. E o grande responsável por apresentar isso a ele, é Alberto. Mas, ainda que ele tenha o seu lado mais aventureiro, também tem o lado emocional que precisa de cuidado. E vi muito isso não só no próprio Luca, mas até mesmo com o pai de Giulia. Já Giulia, é a menina que busca se desafiar e mostrar que ela merece ser parte da comunidade, ainda que só esteja por ali nas férias. E, não só isso, mas ela deseja acabar com o bullying que acontece no local.

Indo além, a trama nos oferece o aprendizado da aceitação, da liberdade, o desejo pela liberdade, pela vontade de traçar seu próprio destino e pelo fim do preconceito. Com isso, muito se tem discutido nas redes sobre qual mensagem o filme quer passar, sobre qual grupo ele retrata e muito mais. Sem obrigação alguma de ser parcial, preciso dizer que o filme me tocou nisso. De que muitas pessoas no mundo podem nos aceitar da forma que somos, mas vamos encontrar aquelas que vão nos amar desse jeitinho mesmo, que será especial. De que nós também precisamos nos aceitar. Ou seja, isso pode atingir a todos os públicos, mas podem ser ainda mais recebidos em nichos específicos. Sim, estou falando de grupos LGBTQIA+, de grupos étnicos, qualquer que seja uma minoria que possa ser atacada. Não entra na minha cabeça o porque isso tem sido motivo de revolta para algumas pessoas. Cada pessoa vai se identificar com aquilo de lhe cabe. Veja bem, não estou dizendo que vejo motivo para sexualizarem ou romantizarem as crianças. Para mim, é um lindo trio de amizade. Mas não sou eu que vou dizer como um pessoa vai receber a mensagem de um filme. Não fazemos isso com livros, por quê sentimento a necessidade de fazer com uma coisa visual?

Luca pode até não ser considerada a animação mais revolucionária da Pixar, mas é a mais tocante e acolhedora desse verão americano e veio para nos aquecer do frio que tem feito no Brasil. Não só pelo seu visual impecavelmente lindo, onde o estúdio nos transporta mesmo para uma Riviera Italiana, ou pelo trabalho maravilhoso retratado até mesmo nas roupas dos personagens. Mas pelo amor e amizade que nasce entre aquelas crianças e o quanto cada um é importante para o outro, no amadurecimento e na realização de cada um. E, no mais, lembrem-se, “Silêncio, Bruno!”, não deixem que o medo impeça grandes passos que vocês possam dar.

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