Resenha e Crítica: ‘Virgin River: Um Refúgio nas Montanhas – Robyn Carr’

Oi gente!! A Terceira Temporada de Virgin River já está na Netflix e, com isso, vim falar da temporada anterior e também do livro Um Refúgio nas Montanhas. Eu sei, tô um ‘tantinho’ atrasada, mas antes tarde do nunca, né? Já vou avisando que pode rolar alguns spoilers, pois teremos que reviver alguns fatos lá do primeiro livro, e também da primeira temporada, para poder entender as situações abordadas. Fiquem com a sinopse do livro que eu já falo um pouco mais das duas tramas…

“Pela segunda vez em um ano, uma mulher chega a Virgin River tentando escapar de seu passado. Numa noite chuvosa de outubro, John “Preacher” Middleton está prestes a fechar o bar quando uma mulher e seu filho de 3 anos aparecem buscando abrigo. Como um fuzileiro que já vivenciou sua cota de dor e sofrimento, Preacher percebe que Paige Lassiter passou por maus bocados, e seu instinto protetor imediatamente vem à tona. Mas Paige está em fuga, e a última coisa que deseja é ficar muito tempo no mesmo lugar. Mesmo que seja um local cheio de pessoas bondosas dispostas a ajudá-la, com um quarto para se alojar, uma oportunidade de trabalho e um homem gentil que parece ser capaz de protegê-la de qualquer coisa…”

LIVRO

IMG_20210723_162059

John ‘Preacher’ Middleton é um ex-fuzileiro, melhor amigo de Jack e também o cozinheiro do Jack’s Bar. Ele é um homem introspectivo e que pode assustar quem não o conhece, por causa do seu tamanho, das tatuagens e da cara de mau, mas assim como todos os moradores da pacata Virgin River, Preacher é um homem bom. Ele ficou órfão quando era adolescente e com a ajuda de seu treinador, conseguiu se alistar na Marinha e construiu seu futuro a partir daí. Foi lá que conheceu Jack e, quando ambos saíram das forças armadas, recomeçaram suas vidas na pequena cidade.

Paige Lassiter está fugindo de seu marido Wes. Cansada de ser agredida e de fazer denúncias que não dão em nada, ela decide abandonar seu casamento. Ela pega apenas algumas roupas e seu filho de 3 anos, Christopher. Como o menino está com febre e ela com muitas dores, devido as últimas agressões, acaba perdida. Assustada e sem saber o que fazer, Paige entra no único local aberto: o Jack’s Bar. Ela recebida e acolhida por um gigante com cara de mau, mas que demonstra gentileza desde o início. O problema é que Paige não confia nas gentilezas de um homem, então demorar a entender que Preacher está oferecendo ajuda sem pedir nada em troca.

“Ela é linda. O cabelo, macio e castanho-claro, caía em ondas sedosas sobre os ombros. A pele parecia um cetim cor de creme e a boca tinha um tom de pêssego, cm uma cicatriz bem fina no lábio inferior.”

Preacher percebe que Paige está fugindo e lhe oferece um lugar seguro para que possa, pelo menos, passar a noite. Ela claramente está cansada e com o filho doente, então ele a convence a ficar na cidade até que ambos estejam bem para viajar. Preacher não tem ideia do porque a mulher está fugindo, mas acaba vendo várias marcas roxas pelo corpo de Paige, então decide envolver Mel na situação. Como a esposa de Jack é enfermeira, e ainda por cima especializada em obstetrícia, ele acredita que ela possa ter mais abertura para ajudar a moça. Mal ele sabia que as marcas de Paige iam muito mais fundo do que as que marcavam sua pele.

Os dias vão se passando, as marcas no corpo de Paige vão desaparecendo e a moça começa a confiar nas pessoas daquela pequena cidade, mas ela teme pelo momento em que seu marido a encontrará. Ela abre o jogo com Preacher e ele aciona o amigo Mike, um investigador da polícia, para ajudá-los. Até Wes notificar o desaparecimento, eles terão tempo de montar o caso. Paige pode pedir a separação e a guarda do filho baseado no registro que Mel fez dela ao chegar em Virgin River. Enquanto isso não acontece, Paige pode viver, parcialmente, uma vida tranquila ao lado daquelas pessoas tão bondosas. O problema é Wes não é um homem bom e não vai deixar que Paige fuja dele.

“Quando vejo a diferença entre a vida que eu levava e a que estou vivendo agora, eu me sinto mais rica. Tenho tudo de que preciso.”

Em paralelo a trama envolvendo Preacher e Paige e o romance que aos poucos surgirá entre eles, nós temos os demais personagens. Temos muito de Mel e Jack, da vida deles de casados, deles individualmente com a comunidade. Apesar da história destacar mais o novo casal, a autora não deixou de abordar o casal anterior e os demais secundários. E aqui temos um destaque maior para o pequeno Rick, o jovem que trabalha no bar e que é quase filho de Jack e Preacher. O rapaz acaba se envolvendo no verão com Liz, a sobrinha de Connie e que veio passar um tempo com a tia e depois foi embora. Ele só não imaginou que a menina voltaria a cidade meses depois carregando o fruto do envolvimento deles.

Também temos uma participação mais ativa de Mike, amigo de Preacher e Jack. Ele acaba passando uma temporada na cidade para se recuperar de um atentado que sofreu. Em todos os anos que passou no exército, ele nunca levou um tiro e agora precisa se curar das sequelas de ter levado três tiros. Esse personagem será o principal no próximo livro, então foi bem interessante que ele já tenha começado a ser desenvolvido. Além disso, temos todos os outros personagens secundários que acrescentam muito a trama e acabam tornando a história mais interessante, sem falar que a gente não fica apenas no arco dos personagens principais.

IMG_20210723_162202

Eu não vou falar mais da trama porque como vou fazer uma comparação com a série, quero deixar algumas coisas sem comentar para não entregar tudo. O que vocês precisam saber é que a Robyn Carr nos entregou uma história recheada de temas interessantes. Assim como no livro anterior, a autora trouxe o tema maternidade para ser discutido. Paige chega a cidade com um filho pequeno, mas também carrega um outro bebê ainda em seu ventre. Mostra a força de uma mãe para manter seus filhos seguros. Além dela temos outras mulheres grávidas, mas vou destacar a gravidez de Liz por ela ainda ser uma menina e precisar lidar com todas as dificuldades de ser uma mãe adolescente e quase sem apoio nenhum da família. Do outro lado dessa gestação temos Rick, que também é muito jovem, que mesmo sem saber muito bem o que fazer, ele escolher fazer o certo pela Liz e o bebê.

“Conte para ele que a única coisa no mundo que faria você feliz, seria ficar aqui para sempre.”

Quanto a edição do livro, eu adoro que a Harlequin esteja mantendo as capas originais porque elas são a cara de Virgin River, mesmo que a cidade seja fictícia. A diagramação é simples, mas muito bem feita e com páginas amareladas. A narrativa da Robyn Carr é em primeira pessoa e apesar de termos Preacher e Paige como protagonistas e principais narradores, também é possível acompanhar a narrativa de outros personagens e isso enriquece muito a história. Um Refúgio nas Montanhas é o segundo livro de uma longa série, onde cada um conta a história de um casal de Virgin River.

Um Refúgio nas Montanhas é um livro muito mais dramático que o primeiro, mas não poderia ser outra forma já que abordou violência doméstica e relacionamento abusivo. É doloroso acompanhar a trajetória de Paige e ver o quanto Wes destruiu sua confiança, de como é difícil sair de um relacionamento como esse e principalmente, como é complicado se reerguer. Paige teve muitas pessoas ao seu lado e Preacher foi o responsável por lhe devolver a confiança. O relacionamento deles é lindo, baseado numa amizade real e o amor de Preacher por Chris é sem limites. Esse livro é pra quem gosta de histórias de superação e recomeços, daqueles de deixar a gente com um quentinho no coração e com lagrimas nos olhos por ver os personagens conquistando seus felizes para sempre.

SÉRIE

A Segunda Temporada de Virgin River chegou à Netflix em 10 novos episódios de 45 minutos cada e vamos acompanhar os personagens exatamente de onde tudo parou. Melinda Monroe ou Mel (Alexandra Breckenridge) deixou Virgin River ao descobrir que Jack Sheridan (Martin Henderson) vai ter um filho com Charmaine (Lauren Hammersley) e isso deixou os fãs da série apreensivos por uma nova temporada, felizmente o retorno foi confirmado e em 27 de novembro de 2020, pudemos conferir novos episódios. Apesar da enfermeira ter retomado à cidade, o relacionamento entre eles vai demorar a acontecer, pois Mel sente que pode estar atrapalhando as chances de Jack construir uma família com Charmaine.

Jack já tinha terminado seu relacionamento com Charmaine quando decidiu se envolver com Mel, mas com a descoberta da gravidez da moça, ele sente que precisa estar ao lado dela, principalmente por ser uma gestação de risco. Só que em nenhum momento ele dá esperanças de que eles voltarão a ter um relacionamento. Ele está apaixonado por Mel e vai esperar o tempo dela. Só que Charmaine não vai facilitar a vida dos dois, ela sabe como ambos se sentem e sabendo da possibilidade de não criar os filhos – isso mesmo, gêmeos – ao lado de Jack, isso desperta todo o seu lado desagradável. Sendo assim, uma personagem totalmente secundária na primeira temporada, passa a fazer parte da trama central desta temporada.

IMG_20210723_163415

Eu fiquei com medo da história se tornar um grande triângulo amoroso, mas apesar de Mel saber o que sente por Jack, ela tirou seu time de campo para que ele possa resolver suas coisas com Charmaine. Sem contar que Mel ainda está vivendo seu luto e não se sente preparada para embarcar num novo relacionamento, ainda mais com toda a carga que Jack traria. Ela estará lá para apoiá-lo e se torna até uma das enfermeiras a cuidar da gestação de Charmaine, o que deixa a situação mais difícil para a grávida, já que ela não consegue entender porque Mel cuidaria dela, quando na verdade se a situação fosse contrária, a própria Charmaine não faria o mesmo por Mel.

Esta temporada também trouxe a trama envolvendo Preacher (Colin Lawrence) e Paige (Lexa Doig). A primeira temporada já explorou o interesse que ambos sentiam, mas nunca deram um passo além da relação comercial que estabeleceram entre o Jack’s Bar e o trailer de doces da Paige. Somente no início desta temporada é que ficamos sabendo mais sobre o passado da mulher. Paige não é sua identidade verdadeira e ela se esconde atrás deste nome para que o marido, Wes (Steve Bacic), não a encontre. Ela fugiu de um casamento abusivo, pois todas as denúncias que tentou fazer não foram para frente porque o marido é policial. Agora ela acredita que está bem escondida até que Wes aparece em sua frente.

“Você é uma das razões pelas quais continuo aqui. Eu não teria durado dois dias em Virgin River se não fosse por você.”

Preacher acaba se envolvendo demais na história de Paige, ao ponto dela acabar precisando fugir novamente, e dele ficar sempre esperando que a bomba exploda. Felizmente ele vai contar com uma ajuda inesperada. Connie (Nicola Cavendish), uma senhora bastante fofoqueira, vai se tornar uma grande aliada de Preacher, e ambos estarão prontos para lidar com as consequências dos segredos de Paige. E falando de Connie, ela teve um destaque maior nesta temporada, pois além de aparecer no núcleo de costura de Hope (Annette O’Toole), se envolveu nas tramas de Preacher e Paige, e na de Liz, sua sobrinha recém-chegada a cidade e que é sinônimo de problemas.

IMG_20210723_162734

Os outros personagens também tiveram seus arcos mais explorados e foi o caso do casal, não casal, Doc (Tim Matheson) e Hope. Os dois estavam há anos separados e até já tinham acionado advogados para se divorciarem, mas resolveram dar uma nova chance ao relacionamento. Só que Hope não quer que ninguém saiba e acaba envolvendo Doc numa situação com Muriel (Teryl Rothery). A mulher demonstrava muito interesse no médico da cidade, mas nunca tinha tomado a iniciativa porque ele ainda era casado com Hope. Como a própria prefeita da cidade incentiva os encontros dos dois, Muriel acredita que realmente terá sua chance com o homem, mas Hope quase perdeu seu amado por medo do que as pessoas diriam deles retomarem o casamento.

“Olha nos meus olhos e diz que não gosta de mim como eu gosto de você, e te deixo em paz.”

Enfim, a série pode abordar a vida de vários personagens, mas não deixaram de continuar a abordar o trafico de drogas na região. Brady (Ben Hollingsworth), que serviu ao lado de Jack e Preacher, está envolvido até o pescoço e Jack ainda faz várias tentativas de acabar com o bando, mas nem mesmo conseguindo um informante conseguirá está a frente de Calvin (David Cubitt). Essa busca por justiça fará com que Jack se envolva com pessoas muito perigosas e tivemos um episódio final agonizante. Acredito que esse arco servirá para introduzir melhor o personagem de Mike (Marco Grazzini), também ex-fuzileiro e que atualmente é detetive, já que pela sinopse do livro ele poderia ser um dos personagens importantes no terceiro ano da série.

O segundo ano de Virgin River veio para consolidar o sucesso da série. Uma história que aborda tantos temas importantes e que ao mesmo tempo é leve e divertida. Ainda quero ver mais de Preacher e Paige, mas com ela fugindo novamente, não sabemos se a personagem voltará na próxima temporada. A série continua com uma fotografia impecável. As paisagens são de tirar o fôlego e só aumentam o potencial da produção. Ainda não sei o que esperar da terceira temporada, mas sabemos que ela foi filmada já nesse período pandêmico, o que pode ser um grande problema no produto final. Enfim, mais uma vez ela veio como uma confort série e que a gente assiste admirando a simplicidade no roteiro.

CONCLUSÃO

IMG_20210723_170934239_HDR

Como eu fiz na matéria anterior de Virgin River, aqui também vou aproveitar o espaço para comentar sobre as principais diferenças entre livro e série, então é possível que tenha alguns SPOILERS. Acredito que o maior deles é justamente sobre o fechamento da história de Mel e Jack. Nos livros, a autora trabalha a história individual de cada casal em cada livro, então ela amarra os finais mesmo que a gente continue os acompanhando nos demais livros. Na série, percebemos que os grandes protagonistas são Mel e Jack e os demais personagens acabam fazendo parte de um núcleo secundário da trama, então posso afirmar que a maior diferença é justamente ter tido o relacionamento de Mel e Jack sendo desenvolvido em mais de uma temporada, enquanto nos livros, eles acabam casados e felizes já no primeiro livro.

Na verdade o livro e a série são dois produtos completamente diferentes. Conforme ia lendo o livro, mas ia notando as diferenças entre as tramas. E o mais impressionante é que um não perde para o outro em qualidade e dá pra consumir um produto sem sentir falta do outro. A Robyn Carr, autora dos livros, esteve envolvida em todo o processo de criação da série, então acredito muito que ela tenha apoiado as mudanças. Os personagens foram muito bem representados na TV e mesmo que não tenham exatamente a mesma história que ela criou, ainda sim é uma ótima história. Como já entendi que a trama principal da série continuará focada no casal Mel e Jack, aqui nesta temporada isso não foi um problema. Não sei como será a partir da próxima, mas por enquanto eu vejo potencial nessa trama. Novamente fazendo um balanço entre livro X série, eu daria minhas 5 Angélicas, pois cada um é ótimo para o que foi proposto.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s