Resenha e Crítica ‘A Última Carta de Amor – Jojo Moyes’

Oi ooooi gente! No dia 23 de julho, a Netflix lançou a adaptação de A Última Carta de Amor, da autora Jojo Moyes. Eu tinha o livro há um tempo, mas sempre acabei deixando de lado. Só que quando o trailer foi liberado, tive uma certeza: eu precisava fazer a leitura o quanto antes. Então, vou aproveitar para falar sobre os dois produtos. Preparem seus lencinhos e seus corações, porque a emoção corre forte. Mas, antes de qualquer coisa, fiquem com a sinopse…

Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembrar de nada. De volta a casa com o marido, ela tenta, em vão, recuperar a memória de sua antiga vida. Por mais que todos à sua volta pareçam atenciosos e amáveis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por “B”, e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com seu amante.
Quatro décadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma dessas cartas endereçadas a Jennifer durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido – em parte por estar ela mesma envolvida com um homem casado –, Ellie começa a procurar por “B”, e nem desconfia que, ao fazer isso, talvez encontre uma solução para os problemas do próprio relacionamento.
Com personagens realisticamente complexos e uma trama bem-elaborada, A última carta de amor entrelaça as histórias de paixão, adultério e perda de Ellie e Jennifer. Um livro comovente e irremediavelmente romântico.

LIVRO

A história desse livro começa com um prólogo, onde conhecemos Ellie Haworth, que está tentando decifrar as frases de uma mensagem de texto, enquanto se encaminha para encontrar seus melhores amigos. Quando chega ao local, mostra o que John enviou e eles não tem muito tato para falar as verdades sobre o caso que ela vem vivendo, especialmente porque ele é casado. E é até questionado se ela não pensa na mulher dele. Ainda que isso a aborreça, também não dedica muito tempo a esse fato, afinal, precisa focar no trabalho. Ainda mais agora que o jornal Nation está se mudando para um novo local e um modo de comemorar esse fato é passear pelas histórias que eles já contaram. E, quando ela começa a olhar os arquivos antigos para a matéria que vai fazer, Ellie vai encontrar uma carta de outubro de 1960, que a deixará emocionada e nos levará a outra história…

Quando voltamos para 1960, encontramos Jennifer Stirling no hospital, se recuperando de um grave acidente que sofreu. Tudo está muito confuso, principalmente porque sua memória lhe escapou. Jenny não lembra nem mesmo de seu marido, seu modo de agir e tudo mais recente. Mas, a hora de ir para casa chega e ela precisa superar esse fato. Vai rever seus amigos, voltar a se envolver com jantares e festas. Mas, a verdade é que algo está diferente. Não só pelo fato dela não lembrar quem é de verdade, mas é como se um vazio estivesse por ali, além de muitas coisas para descobrir.

E, enquanto vamos acompanhando a Jenny pós acidente, também voltaremos para começar a entender quem é o B., que assinava as cartas que ela recebia. Anthony O’Hare é um jornalista que cobria a crise no Congo, mas que acabou voltando para casa, depois de ficar doente. Preocupados com a sua saúde física e até mesmo mental, os seus chefes querem que ele permaneça em Londres e mude um pouco o rumo de suas matérias, mesmo que o próprio não deseje. Mas, é depois de muita insistência que ele acaba indo para a Riviera Francesa, escrever o perfil de um industrial, Laurence Stirling. E, depois de um começo desastroso, Anthony e Jennifer vão começar uma amizade, que logo vai evoluir, devido a atração entre eles.

Aquelas eram cartas apaixonadas: aquele homem se abrira para ela de um jeito que Laurence nunca conseguiria. Quando lia os bilhetes dele, Jennifer sentia a pele formigando, o coração disparado. Ela reconhecia aquelas palavras. Mas, apesar de tudo o que sabia, ainda havia um grande vazio no seu coração.

Os capítulos entre o pré e o pós acidente de Jenny vão se intercalando. Ou seja, ao mesmo tempo em que vamos vê-la se apaixonando por Anthony, vamos ver a sua tristeza e vazio, sem entender quem verdadeiramente é e também descobrindo cartas assinados por B., de quem ela não consegue se lembrar. Laurence, seu marido, não vai facilitar em nada as situações, até mesmo quando contar o que aconteceu com ele. Ou, o que ele quer que sua esposa acredite que tenha acontecido. Anos vão se passar, enquanto ela tenta melhorar como esposa, para superar a traição que causou, mas seu casamento é só uma sombra agora. Mas, em uma festa, tudo vai mudar, quando a verdade vir à tona. Mas Jennifer tem mais coisas em jogo agora. E, talvez ela não esteja disposta a arriscar tudo, em um primeiro momento. Não até ter garantias. Mas o destino pode ser mais traiçoeiro do que ela imagina.

Depois de um certo acontecimento na vida de Jennifer, a história volta os dias atuais, durante a pesquisa de Ellie, que se vê cada vez mais envolvida na história daquelas cartas, ela precisa encontrar aqueles protagonistas. Jennifer será mais fácil, e a mulher, agora mais velha, ainda irá revelar muita coisa. Mas, o fato é que o final feliz não existe. Ela não está com Anthony. A jornalista, sabendo que precisa fazer uma matéria sobre a história daquela senhora que a tratou muito bem, precisa de respostas sobre o que aconteceu com o grande amor da vida de Jenny.

Só que, além de descobrir sobre a história de amor de Jennifer e Anthony, Ellie precisa lidar com a sua própria. Seu relacionamento com John, sabendo que ele é casado, que ele não pode lhe dar mais. E, não será fácil ser confrontada com várias verdades que vão tropeçando em seu caminho. A verdade é que ela precisa se redescobrir também, se valorizar, lembrar quão boa ela era em sua profissão, antes que toda essa história ocupasse a sua mente. E, talvez, aprender também que outras pessoas podem acrescentar muito mais a sua vida. Basta ela se permitir.

Quando você me olhava com aqueles seus olhos ilimitados, deliquescentes, eu me perguntava o que você podia ver em mim. Agora sei que isso é uma visão tola do amor. Você e eu não podíamos deixar de nos amar, assim como a Terra não pode parar de girar em torno do sol.

Eu sei, eu sei. Parece que eu falei demais. Mas, de verdade, não contei nem um terço do que acontece nesse livro, da história de Jennifer e de Ellie. É tanta coisa, tanta emoção, tantos amores e desamores, encontros e desencontros. Talvez a vida não tenha sido muita justa e tranquila para elas. Jenny sofreu toda a pressão que uma mulher passava nos anos de 1960, de ter ser submissa ao marido, não ter voz ativa e, quando decide seguir seu sonho, ainda ter algo que ameace a sua felicidade. Ela foi a minha personagem preferida durante a história, desde a fase inicial, até quando a reencontramos mais velha. Ela ainda era apegada àquela caixa postal, a possibilidade, mesmo que remota, de que ela receba o contato que passou a vida esperando. Já Ellie é uma mulher atual, dedicada ao trabalho, que nunca teve planos de formar uma família. Seu grande problema é o fato dela se relacionar com um homem casado. Ainda que John seja o maior babaca da história, afinal, era ele quem tinha um compromisso, não consigo deixar a Ellie passar sem responsabilidades. Ela sabia que ele era casado e que tinha filhos pequenos, acho que o fato dela não ter sororidade pela outra mulher é algo que me incomodou bastante.

A ala masculina, temos Anthony O’Hare. Ele tem um passado, não foi um bom marido, nem mesmo um bom pai. Focava demais em sua profissão e isso atrapalhou as outras áreas de sua vida. Mas, quando começa a se apaixonar pela sra. Stirling, sinto que sua vida mudou também. Ele sabia o quanto era arriscado, o quanto ela estaria abrindo mão, mas seu desejo era poder ficar com ela. Assim como foi com Jennifer, o destino também não foi bom para ele. Já nos dias atual, um outro homem que faz parte da vida de Ellie é Rauridh, que trabalhava nos arquivos do jornal e a ajuda durante a pesquisa.

Falando sobre a escrita da Jojo Moyes, já é algo que eu conheço bem, já tendo lido diversos livros da autora. Ela mistura momentos mais engraçados, coisas para nos fazer pensar e aqueles dramas que nos fazem precisar de muitos lenços. Apesar de ter gostado muito da trama, confesso que demorei um pouco a engrenar, principalmente devido a forma como ela escolheu apresentar os fatos de 1960. Até entender a alternância de capítulos, fiquei um pouco confusa. Mas, superado isso, a história é muita linda, emocionante e até mesmo angustiante em alguns momentos. Fiquei torcendo muito pelos personagens, para que eles pudessem ser felizes, pudessem realizar seus sonhos e desejos. E, apesar de até ter o livro mais recente da autora, eu ainda não li, por sinal, fazia um bom tempo desde que meu lado Jojolover não vinha à tona. E, sem sombra de dúvidas, A Última Carta de Amor foi uma lindíssima maneira de reencontrar a autora. Tanto que me deu vontade de correr e ler – ou reler – outros livros dela. A narrativa dela é em terceira pessoa.

E, se sentir que foi a decisão acertada, saiba ao menos isso: em algum lugar deste mundo há um homem que a ama, que entende quão preciosa e inteligente e boa você é. Um homem que sempre a amou e que, por mais que ele tente evitar, desconfia que sempre a amará.
Seu, B. 

Na parte da diagramação, preciso começar falando o quanto eu amo as capas criadas para os livros da Moyes. São tão delicadas, tão lindas. Fora que, só consigo lembrar do cenário lindo que Intrínseca montou na Bienal de 2017. Os capítulos são numerados e antes que eles comecem, tem sempre o trecho de uma mensagem trocada entre o casal, seja carta, cartão postal etc. As páginas são amareladas, com espaçamento e letras confortáveis para a leitura.

A Última Carta de Amor é um livro lindo. Ainda que tenha achado confuso num primeiro momento, devido a decisão de narrativa da Jojo, não acho que isso tire pontos sobre o quanto amei e me apeguei a essa trama. O livro é lindo, me tocou profundamente, me fez chorar, me fez rir, me fez enxergar um amor grandioso. Sem dúvidas um livro para quem quer aproveitar o friozinho que tem feito, para tentar aquecer o coração.

FILME

Antes de começar a falar, preciso dizer que a cada ano que passa, tenho me tornado cada vez mais mente aberta as adaptações. Claro que, existem aquelas que foram tão drásticas, que não tem como passar nem um mísero paninho, mas de forma mais ampla, consigo entender que são necessárias algumas mudanças, principalmente para adequar a nova mídia. Afinal, não tem como, a liberdade de ler um livro de quase 400 páginas, nunca vai chegar perto de um filme de 2h. Os estúdios não tem investido em filmes muito além dessa metragem. Então, vamos aos comentários sobre o filme.

No filme, ao invés de começarmos com Ellie, no dias atuais, temos Jennifer voltando para casa, após seu acidente. O motivo pelo qual a jornalista encontra a carta também acaba sendo um pouco diferente, mas não a deixa menos interessada e conectada com aquela história de amor atrás da escrita. O modo como foi montado tanto a parte atual, quanto a antiga, foi feita para melhor entendimento dos espectadores, principalmente considerando, que muitos deles não devem ter lido o livro.

E, funciona. Você se pega ainda mais envolvido, tanto na pesquisa e encantamento de Ellie, quanto na angustia e necessidade de entendimento de Jenny. Claro que, aliado a trama, tem as interpretações magníficas dos atores. Shailene Woodley brilha demais como Jennifer Stirling. Desde os figurinos que a deixaram ainda mais linda, quanto em suas expressões. Ela está perfeita! E o que a complementa, é a química maravilhosa com Callum Turner, que faz Anthony O’Hare. Eu não sei vocês, mas fiquei arrepiada em alguns momentos dos dois. O ator é charmoso, tem um jeito conquistador que combinou com o personagem. Não nego, fiquei suspirando por ele. Jow Alwyn assumiu o papel de Laurece Stirling, e seu jeito mais fechado combinou com o personagem. Ele não tem tanta participação quanto no livro, mas acho que o ator deu o jeito sisudo necessário. E Felicity Jones é Ellie Haworth. Ela não é como imaginei a personagem dos livros, mas para o que foi proposto no filme, achei que combinou demais. Eu gosto muito dessa atriz e acho que ela sempre se entrega.

– Por que acha que ninguém mais escreve cartas de amor como essa? – Puxou uma da bolsa. – Quero dizer, hoje temos torpedos e e-mails e essas novidades, mas ninguém escreve por esses meios usando uma linguagem assim, certo? Ninguém expõe mais as coisas, como o nosso amante desconhecido expunha.

Agora, vou começar uma parte com um pouco mais de spoilers, por comparações mais gráficas sobre livro e filme. Verdade seja dita, o filme ao mesmo tempo que não é absurdamente fiel, tem alguns diálogos que pareciam ter saído direto das páginas. Outras mudanças, foram realmente precisas para fazer o filme andar num ritmo agradável e que prendesse que não conhecia nada da história. E, sinto que não só isso. Acho que foram feitas algumas mudanças pensando como seria o entendimento do público sobre a atitude de alguns personagens, ainda mais se pensado que não teríamos contato direto com seus pensamentos e sentimentos.

Uma das maiores, se não A maior mudança, é referente a vida amora de Ellie. Se no livro, tenho sérios problemas com ela não se importando tanto com o fato de ocupar o papel de amante, no filme seu problema é outro. Ela terminou um relacionamento de muitos anos, porque não tinha o desejo de formar uma família e ainda está lidando com esse fim. É uma ótica totalmente diferente de olhar para ela, mas que, particularmente, eu gostei muito mais. Torna mais fácil gostar dela. Por isso mesmo, é menos complicado para ela se envolver com outra pessoa, ainda que não saia de forma perfeita. Isso fez com que o seu final também fosse mais bonito e, porquê não dizer, fofo.

Outra mudança é referente a Jennifer e Anthony mais velhos. E, sendo muito verdadeira, foi essa a única coisa que me incomodou no filme. No livro, Ellie vai procurar Jenny, que a recebe muito bem e conta mais detalhes dos desencontros de sua história de amor. As duas acabam desenvolvendo uma grande amizade e a jornalista passa a ter a necessidade de dar uma resolução para a senhora. Já o modo como ela encontra Anthony é engraçado e incrível ao mesmo tempo e ela tem a ajuda de, ninguém menos do que, o próprio filho dele. Ela estava mais perto do homem do que jamais imaginaria. Já no longa, Jenny não aceita muito bem a ida de Ellie a sua casa e nem mesmo a recebe. A jovem precisa ser persistente até falar com ela. E a amizade que acaba desenvolvendo é com Anthony, a quem encontrou de forma diferente também. Esses eram os meus pontos preferidos nas páginas e não vi muito sentido nas mudanças feitas para a mídia visual. Mas o final… ai, estão ouvindo os meus suspiros daí? Porque o final é absurdamente primoroso.

– Sim. – Mais uma vez, ela está mergulhada em outra época. – Ele me dizia tudo. É incrível receber uma carta assim. Saber que se é amada tão plenamente. Ele sempre foi fenomenal com as palavras.

A Última Carta de Amor conquista tanto como livro, quanto como filme. Ambos podem funcionar muito bem sozinhos, mas sinto como se o longa fosse um complemento gostoso daquelas páginas escritas por Jojo Moyes. Claro que existem as mudanças, umas que acabam importando mais do que outras, mas que a sua maneira, funcionam muito bem. Os dois produtos são emocionantes demais, lindos demais, queridos demais. Cada um deles terá um espaço no meu coração, deixando ele quentinho e cheio de amor. Recomendo que assistam ao filme, que leiam o livro e se apaixonem por Jennifer, Anthony e Ellie de maneiras diferentes. E, não nego, fico esperando que logo mais um novo livro da Jojo ganhe vida. Somando os dois, deixo minhas cinco Angélicas para essa histórica, tanto escrita, quanto visualmente.

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