Resenha ‘Amores, Trens e Outras Coisas que Saem dos Trilhos – Jennifer E. Smith’

Oi ooooi gente! Essa semana aconteceu o lançamento oficial de Amores, Trens e Outras Coisas que Saem dos Trilhos, da Jennifer E. Smith, então aproveitei para trazer a resenha logo. Tive acesso antecipado a essa edição, porque esse foi o livro inédito da terceira caixa do Clube da Carina. Confesso que eu fui surpreendida com essa história, muito mais do que eu esperava, só que isso é coisa para falar depois. Antes, fiquem com a sinopse…

Jennifer E. Smith, autora best-seller de A probabilidade estatística do amor à primeira vista, retorna com Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos, um romance sobre família, futuro, autoconhecimento e a jornada de um novo amor na estrada. Antes do ingresso na universidade, Hugo e sua namorada tem a ideia perfeita: passar uma semana inteira juntos em uma viagem de trem pelos Estados Unidos. Mas, então, ela termina o relacionamento e lhe devolve, como presente de despedida, as passagens para a viagem planejada de última hora. O único problema: está tudo – passagens, reservas de hotéis – registrado no nome de sua agora ex-namorada, Margaret Campbell. Intransferível e não reembolsável. Enquanto isso, em outro continente, Mae está ligeiramente sem rumo, tendo terminado recentemente um relacionamento que parecia caminhar a lugar nenhum e sofrendo por não ter sido aceita no curso de cinema na universidade. Quando o destino faz sua mágica e ela se depara com o anúncio de Hugo buscando uma substituta para Margaret Campbell (por coincidência, seu nome completo), ela tem certeza de que esta é exatamente a aventura que precisa para se livrar da recente decepção, alimentar a mente com ideias para seu próximo filme e, principalmente, sair da zona de conforto composta pelos pais e a avó. Uma longa viagem de trem com um completo desconhecido pode não parecer, realmente, a melhor das ideias. Mas para Hugo e Mae, ambos ávidos por escapar da rotina de suas vidas normais, faz todo o sentido… E o que começa como um improviso conveniente logo transforma-se em algo mais. Mas quando a vida fora do trem ameaça romper com esta nova – e já tão forte – conexão, será que eles conseguirão evitar que seus sentimentos um pelo outro fujam dos trilhos?

Hugo é um britânico que é um tanto famoso na cidade onde vive, afinal, ele é um sêxtuplo. Por isso não ser muito comum, atraí muita publicidade e curiosidade. A ponto dele e os irmãos, desde que nasceram, já terem bolsas garantidas na universidade local. Também precisa lidar com o fato da mãe já ter escrito livros e manter um blog sobre a situação. Mas o jovem tem questionado cada vez mais sobre as coisas que já estão escolhidas para ele, sem ter a chance de poder fazer o que quer. E tudo vai piorar, as vésperas da viagem que ele tem para fazer com a namorada, porque ela resolve terminar tudo. Só que, ainda sim, Margaret decide deixar as passagens e tudo mais, para que ele possa fazer essa aventura de trem. O problema é que tudo está no nome dela e não é transferível. E, com uma brincadeira de um de seus irmãos, surge uma ideia: ele precisa achar outra Margaret Campbell.

Do outro lado do Atlântica, temos Mae, uma nova iorquina, que está nos preparativos para ingressar na faculdade, mesmo que não seja no curso que ela sempre desejou. Desde que se entende por gente, a menina adorava fazer filmes e estava levando isso a sério, a ponto de escolher como carreira. Mas, apesar de ter mandado um lindo vídeo para a banca, ele não foi o suficiente para que ela fosse aprovada para fazer cinema. Então, ela tem um plano: seguir para a universidade e depois tentar mudar de curso. Quando ela vai se despedir de Garrett, alguém que compartilha da mesma paixão por filmes e que foi seu caso de verão, a jovem deixa que ele veja o filme, mas a crítica que recebe é que ele é impessoal e isso lhe caí como uma bomba. Mas, no meio da despedida, sua amiga Priyanka manda um mensagem que pode mudar muita coisa.

– Você é obviamente supertalentosa. Mas a diferença entre um filme bom e um filme ótimo não tem nada a ver com corte e técnicas maneiras. É sobre mostrar às pessoas quem você é. 

A mensagem mostra um post que Hugo fez, procurando por alguma Margaret Campbell. Ele explica toda a sua situação e pede que ela possa ajudá-lo, dividindo essa viagem, que está toda paga, mas com o nome de sua ex namorada. Basta responder apenas três perguntas e ele irá escolher uma. Mae decide arriscar tudo e manda um vídeo para o rapaz, só que, inicialmente, ela não é escolhida. Como seu vídeo mexe muito com Hugo, ele decidi ir por um caminho mais seguro e escolhe uma senhora de 84 anos, que acaba não podendo ir e então, ele volta para Mae. Ambos acabam escondendo de seus pais com quem estão viajando. Do lado do menino, apenas seus irmãos vão estar cientes da aventura, já da parte dela, apenas a sua avó e melhor amiga.

O dia da viagem chega e os dois se encontram na plataforma da estação. Ainda que um certo constrangimento aconteça, num primeiro momento, eles logo vão começar a conversar e descobrir algumas coisas em comum. Quando a hora do jantar chega, eles dividem a mesa com um casal idoso, então Mae tem uma súbita inspiração e decide entrevistar a senhora. E, ali, a grande inspiração que ela procurava, parece nascer. Hugo também começa a se abrir sobre o porque dele decidir seguir com a viagem, mesmo depois de todos os por menores que aconteceram, além disso, o rapaz também passa a ajudar a jovem em suas entrevistas.

– Todo mundo cresce sonhando com alguma coisa diferente, Hugo. E tudo bem. É o que torna a vida tão interessante.

E assim eles vão seguir, entre trens, decidas e subidas e novas cidades e experiências. Nem tudo dará certo, é claro. Hugo vai perder a carteiro, Mae receberá notícias preocupantes… mas os dois jovens vão crescer muito. Vão ficar mais dispostos e apaixonados por seus próprios sonhos, assim como vão descobrir laços muito profundos, mesmo que se conheçam a pouco tempo. Talvez, nenhum dos dois pudesse imaginar, quando embarcaram no primeiro trem, o quanto essa viagem os marcaria, em vários sentidos possíveis. E vamos torcer para que eles descubram o caminho para a felicidade e realização e nunca mais saiam dele.

Claramente, eu não falei tanto da trama assim, então tem muitas coisas para vocês descobrirem, mas quero agora falar dos personagens, começando por Hugo, um rapaz de 18 anos, que a vida toda esteve acompanhado, afinal, ele é um sêxtuplo. Apesar de amar demais seus irmãos e seus pais, ele também sente falta de ficar um pouco sozinho e poder decidir o que quer fazer, afinal, até mesmo a sua faculdade já está esquematizada. Ele sabe que isso magoa os sentimentos da família, então acaba se retraindo. Quando a namorada termina o relacionamento e a viagem se aproxima, é a grande chance dele fazer algo por si e, o jovem vai se agarrar a isso. Ainda que bata momentos de incerteza, Hugo também vai se descobrindo, vai aprofundando suas vontades e vê que vale a pena tentar certas coisas. Com certeza, o menino que saiu de Surrey, não é o mesmo que pegou o último trem.

– O amor é como esta pizza – declara Mae, passando a mão sobre a mesa. – Quentinho, suculento e delicioso, mas não dura muito.

Assim como também aconteceu com Mae. A garota, com os mesmos 18 anos, viveu sempre a sua paixão pelo cinema e sempre foi incentivada por Papai, Papi e vovó. Mas ela sente o baque da “rejeição” da faculdade dos seus sonhos e, mesmo com o filme que fez ser motivo de grande orgulho, ela passa a vê-lo de outro modo. Quando decide responder a mensagem procurando uma Margaret Campbell, sente a vontade de, não só poder se jogar em algo diferente pela primeira vez, mas também tentar achar uma nova inspiração. E a jovem consegue. Ela encontra tantas histórias e sentimentos, que percebe que algumas coisas são muito mais do que imaginava. Assim como seu companheiro de viagem, também sinto que ela cresceu muito, mesmo em poucos dias, aprendeu tanto sobre si, que ela deixa inseguranças de lado e mostra como ela pode ser gigante.

Na parte de secundários, temos muitos personagens, porque Hugo e Mae conversam com muitas pessoas durante as trocas de trem. Nesse ponto, meu destaque vai para o primeiro casal, Ida e Roy. A história deles é muito triste e linda, que me fez derramar algumas lágrimas. Falando de pessoas próximas aos protagonistas, Mae tem dois pais maravilhosos, que são super engraçados e dão todo o apoio possível a ela. Assim como sua melhor amiga, Priyanka, e sua avó, que eu gostaria de colocar em um potinho e salvar para sempre. A senhorinha é super sapeca, com várias histórias de vida e incentivos para sua neta. Já Hugo tem uma família enorme, com seus cinco irmãos e os pais. Todos são muito queridos, cada um a sua maneira. Destaco o irmão Alfie, que é linguarudo e divertido e a mãe deles. Achei muito tocante algumas falas dela, inclusive como a vontade de sempre proteger e cuidar dos filhos, em especial, de Hugo.

– A maioria das coisas é mais fácil do que você pensa – diz ela. – O difícil é decidir fazê-las.

Falando sobre Jennifer E. Smith, confesso já ter lido o famoso A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, muitos anos atrás. Mas, além do fato de ser um romance água com açúcar adolescente, não me lembrava de muita coisa, então foi como se esse fosse o primeiro contato. E, eu adorei! Como comentei lá em cima, fui muito surpreendida pela história, porque esperava algo mais bobinho, bem adolescente, mas me senti emocionada em vários momentos. Não só pela evolução dos personagens principais, mas com conversas entre eles, seus familiares e os viajantes dos trens. Ela ainda trouxe representatividade, com o Hugo e a família sendo negros, inclusive serve para uma conversa entre ele e Mae; assim como os pais gays da menina, que também conta como foi crescer com falatórios ao redor. Achei interessante ela não temer abordar esses temas e nem fazer de forma forçada. A leitura foi uma delícia de fazer, me peguei querendo estar no trem juntos deles, visitar cidade em cidade e viver essa aventura.

Na parte da diagramação, a Galera Record trouxe uma capa totalmente diferente da original, assim como a tradução do nome também não é parecida. Mas, confesso que, apesar de achar as duas capas lindíssimas, a nossa me ganhou na fofura, fiquei apaixonada assim que vi. Por dentro, os capítulos são numerados e com a sinalização de quem terá destaque, Hugo ou Mae, mas mesmo com isso, a narrativa é em terceira pessoa. As páginas são amareladas, com espaçamento e letras confortáveis para a leitura. Como a minha edição veio no Clube da Carina, na capa, tem o adesivo com a logo do clube. Além disso, também tenho marcador, cards e brindes que tem relação com a leitura.

– […] Pense em quantas outras pessoas estão neste trem agora, quantas outras histórias de amor. Quero que meu filme seja sobre isso. 
– Amor e trens?
– Amor e trens.

Amores, Trens e Outras Coisas que Saem dos Trilhos foi mesmo uma grata surpresa. Esperava um romance bobinho adolescente e recebi uma história que, além disso, também é um caminho para o auto conhecimento, realização e aprendizado. Recomendo a leitura não só para adolescentes, mas para adultos também. Sem dúvidas, deixo cinco Angélicas.

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