A Hora do Chá ‘Resistindo a um Libertino – Aline Sant’Ana ‘

Oi ooooi gente! Estou chegando na minha amadíssima coluna de Romances de Época com uma novidade. Não só Resistindo a um Libertino é lançamento, como também é o primeiro livro do gênero que a Aline Sant’Ana escreve. Quem me acompanha por aqui, sabe que eu sou apaixonada por toda e qualquer coisa que ela escreva, quando soube que viria uma novidade dessas… eu surtei! Esse seria a última história da série Sem Fronteiras Para o Amor, mas acabou ganhando ares muito maiores. Antes que eu fale mais, fiquem com a sinopse…

Em uma reviravolta do destino, Matthieu se transformou no oitavo duque de Saint-Zurie, um título que nunca desejou ter. Era livre, um homem cheio de vida, que secretamente preferia a burguesia, se tivesse escolha. Ainda que seu sangue azul e nome falassem mais alto, não se sentia apto a assumir todas as responsabilidades de um ducado. Inclusive, casar-se com uma dama… Apenas a menção da ideia já o deixava tonto. Prender-se a alguém, ainda que fosse de comum acordo, parecia tão irreal quanto o céu cair sobre sua cabeça. Mas, no momento em que conheceu Lady Hawthorn… Parecia certo cortejá-la. Poderia casar-se com a dama em questão, ao menos por aparências. Entretanto, o que pareceu ser um enlace simples e perfeito para Matthieu se tornou um jogo complexo, quando Lady Hawthorn negou qualquer tentativa de tornar-se sua esposa. O que ela queria de Saint-Zurie não era o seu título, nem a sua fortuna, mas o prazer de sua companhia. Até que ponto você conseguiria resistir a um duque determinado a conseguir o que quer? Sejam bem-vindos à sociedade francesa do século XIX. Aqui, muito mais do que lidar com bailes, segredos e aristocracia, é necessário ter um coração preparado para não se apaixonar.

A primeira parte do livro começa em 1817, quando Gwen, Lady Hawthorn, tinha poucos anos morando na França. Depois de ficar viúva, ela foi morar com madame Isabel, a marquesa de Lussac, que vinha a ser a melhor amiga de sua falecida mãe. A senhora recebeu a jovem de braços abertos e um grande carinho e amizade cresceu entre elas. Em um certo dia, quando estava sozinha em casa, ela ouviu um grande estrondo na cozinha, quando chegou ao local, viu que um homem havia caído do telhado. Ela logo se preocupou com o desconhecido que estava acidentado e mandou chamar um médico. Ainda que não estivesse em seu melhor estado, era inegável que o rapaz também era muito bonito. E também era um conquistador. Mas, Lorde D’Auvray prometeu a seu amigo, que não tentaria conquistar aquela mulher, que seguiria sua vida. O que fez, sem imaginar que seus caminhos voltariam a se cruzar.

A segunda parte chega em 1825, oito anos do encontro entre Gwen e Matthieu. E reencontramos muitas coisas diferentes. O homem que era um lorde, o segundo filho de um duque, assumiu o ducado, após a morte de seus pais e do irmão mais velho. Precisou abdicar de muitas coisas e muitos comportamentos. Se tornou um homem que queria honrar o legado de Saint-Zurie. Ainda que saiba muito bem todos os seus compromissos, a duquesa viúva, sua avó, também está por perto para lembrá-lo que ele precisa se casar e gerar um herdeiro, então lhe dá um ultimato: isso precisa ser feito até o fim da temporada que se inicia neste momento.

– Não daria o nome de hospitalidade, monsieur. Não tive escolha. Sua visita, literalmente, caiu do céu.

Já Gwendolyn continua uma pessoa mais reclusa, mas Isabel decidiu que ambas deveriam ir ao baile do duque de Saint-Zurie, principalmente porque a própria duquesa que fez o convite para a velha amiga. Gwen fica encantada com Palais La Rouge e, enquanto observa fascinada o local, começa a ouvir as conversas falando sobre o homem por trás do título, sem ter ideia de que já o conhecia. Por isso, quando seu olhar se encontra com o de Matthieu, o reconhecimento entre eles é instantâneo. E ele faz questão de deixar claro que o caminho entre eles já havia se cruzado. Também a convida para uma dança, em que compartilham algumas das coisas que aconteceram durante os anos que se passaram.

Logo após o baile, Matthieu compartilha com seus amigos a ideia de sua avó sobre o casamento, assim como seu encantamento e desejo por Lady Hawthorn. Já ela, precisa conter a empolgação de Isabel, referente a troca entre ele e o duque, mas ouvindo que não precisava amá-lo, para ceder a luxúria. E o homem está muito interessado nessa parte e não vai esconder suas intenções de, até mesmo, cortejá-la. Só que, depois de tudo pelo o que passou, Gwen quer um pouco de controle e oferece uma proposta: os dois terão 11 dias para cederem aos seus caprichos, desejos e vontades.

– Afinal, é mesmo interessante – Matthieu ponderou. – A humanidade é incapaz de resistir aos encantos de um D’Auvray. Exceto ela, aparentemente. 

Essa não era a ideia inicial de Matthieu, mas ele aceita, porque só assim conseguirá se aproximar de madame. Os dias seguem e uma amizade nasce entre eles. Juntos, cuidam do jardim, passeiam a cavalo, fazem leituras e vão se sentindo cada vez mais atraídos. Os dois sentem vontade de ceder ao desejo que é latente entre eles. Só que ambos tem suas inseguranças, principalmente Gwen. E Matthieu não aceita nem mesmo a ideia de tomar a liberdade que ela passou a ter como viúva. Mas, também chegará o momento que nenhum dos dois será capaz de negar seus sentimentos e vão precisar descobrir uma forma de conseguirem superar seus medos, para então, poder encontrar a felicidade um no outro.

Sem mais falar da trama, quero falar sobre os personagens. Gwendolyn é uma mocinha que eu amei conhecer. Ela tem seus traumas do passado, especialmente, relacionados ao seu terrível falecido marido. É uma pessoa que, por um lado, é muito sozinha, desde que perdeu os pais, mas por outro, encontrou uma segunda mãe em Isabel. Inclusive, é a mais velha que vai aconselhar e tomar conta da jovem em vários momentos. Ao mesmo tempo em que ela é doce, também é uma pessoa desacreditada no amor. O que torna ainda mais bonito poder vê-la descobrindo o lado bom de um romance. Não só a cumplicidade que nasce entre um casal, mas o desejo, a paixão, a entrega. Até mesmo o ciúme. Ela é uma guerreira também, tem uma força da natureza dentro de si e isso também virá à tona quando necessário.

– Amor é um sentimento forte demais para ser vivenciado de maneira tão leviana… – Gwen ponderou. – Casamentos são acordos, e não dotados de sentimentos.

Já Matthieu levou um terrível revés da vida, quando perdeu os pais e o irmão, ainda mais em um fase em que estavam brigados, devido aos escândalos em que ele se envolvia. Se antes levava uma vida de libertinagem e diversão, ao assumir o ducado de Saint-Zurie, ele só queria honrar a memória daqueles que vieram antes dele. Mas, uma vez libertino, sempre libertino, apenas aprende a agir com muito mais cuidado. Só que reencontrar Lady Hawthorn vai mexer com seus sentimentos, porque ele a deseja demais. E não vai medir esforços para conquistá-la, para ficar perto dela e seduzi-la. Só que ele, que nunca pensou em um casamento como algo além de uma obrigação, vai descobrir como é se encantar e se apaixonar por uma pessoa. E isso o torna ainda mais sedutor e irresistível.

Não só os protagonistas são maravilhosos, como os personagens secundários também são uns queridos. Claramente, o meu destaque vai para as duas senhoras mais fofas e casamenteiras da França: a Marquesa de Lussac e a Duquesa e Saint-Zurie. A primeira é como se fosse uma segunda mãe para Gwen, a segunda é a avó de Matthieu. Ambas são amigas e querem muito bem os seus protegidos, cada uma tem seu jeito de agir, mas amam, cuidam, dão conselhos e tem o desejo de que os dois possam encontrar o caminho um do outro. Fiquei com vontade de apertar as duas. Temos ainda os melhores amigos de Matthieu, que não só estão ali para os momentos de diversão, mas para os tensos também. Eles acolhem Gwen com todo carinho e afeição, tratando-a como uma irmã. Por fim, o irmão D’Auvray mais novo, Léonard, que não aparece tanto, mas nos conquista assim que surge na história.

– O jogo de sedução se torna muito fácil quando somos nós que o comandamos. Tenha o controle da situação. Indique quando começar, quando parar. Esqueça que ele é um duque, Gwendolyn. E pare de temer as emoções que ele lhe causa. A humanidade ainda não descobriu, mas os homens são frágeis, e não nós.

Falar sobre a Aline, é muito fácil. Não só por tê-la como amiga, mas porque ela é, de fato, uma autora maravilhosa, seus livros são provas mais do que suficientes desse fato. Mas, ela sempre me surpreende de alguma forma, dessa vez, trazendo um gênero totalmente diferente do que tinha nos apresentado até agora. A ideia de ser um romance de época, começou quando Elimar foi a leitora sorteada para escolher a sua história, para a série Sem Fronteiras Para o Amor e acabou indo muito além do imaginado. Ainda que a o livro possa ser lido de forma única, sem o mínimo problema, quem conhece a história da série Viajando com Rockstars, consegue pegar várias referências a Zane e Shane, afinal, Matthieu é antepassado dos irmãos D’Auvray. Uma coisa também que não tenho como não elogiar, é o fato da autora ter mergulhado em pesquisas para nos apresentar essa história. Pode até ter acontecido uma licença poética, mas Aline se empenhou em trazer o seu melhor e, mais uma vez, ela conseguiu. Absurdamente apaixonante, em um ritmo delicioso e até mesmo com os plots que nos deixam quase arrancando os cabelos… foi de fazer o coração suspirar. Me peguei apaixonada por todos os personagens e querendo ver mais tramas de época escritas pela autora. Pode ter certeza, Aline, esse livro valeu cada segundo que você investiu nele!

Na parte da diagramação, a Editora Charme arrasou em mais uma capa com um lorde – lá vem o trocadilho – muito charmoso. Eu adorei, ainda mais combinado com o tom que foi escolhido para ser o fundo. Por dentro, o livro é divido em algumas partes, sempre aberto com alguma citação. Os capítulos são numerados, as folhas com um fundo suave, espaçamento e letras confortáveis para a leitura. Lembrando que a editora sempre envia o marcador junto com os livros.

Libertinos eram perigosos. Mas não pelo motivo que eram retratados, e sim porque deve ser difícil resistir à sua inteligência e à curiosidade crescente de provar, nem que fosse apenas por uma noite a razão de serem considerados amantes passionais. O conjunto da obra deveria ser formidável e…

Resistindo a um Libertino entrou para o meu hall de romances de época preferidos. Não só pelo desenvolvimento amoroso ser incrível, mas por fugir do comum da Inglaterra e nos apresentar os salões de baile da França. Por ser o primeiro livro do gênero que a autora escreveu, foi apaixonante. Sem dúvidas, espero que a Aline se aventure mais por esse universo. Gwen e Matthieu levam minhas cinco Angélicas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s