A Hora do Chá: ‘Um Amor E Nada Mais – Mary Balogh’

Oi gente!! O livro de hoje é muito especial, porque vem encerrar uma série que estou acompanhando desde o lançamento do primeiro livro e que nem imaginava que amaria tanto. Está difícil dizer adeus está série, mas a Mary Balogh guardou para o final, justamente o livro do fundador de O Clube dos Sobreviventes. George, o duque de Stanbrook, vai contar sua história e já preparei meus sais, afinal, essa é uma história que sempre quis saber, mas a autora foi nos cozinhando. Enfim, fiquem com a sinopse…

“Pela primeira vez desde a morte da esposa, George Crabbe, o duque de Stanbrook, está cogitando se casar de novo. Quando pensa no assunto, tudo que lhe vem à mente é uma mulher que conheceu um ano antes e nunca mais viu.
Dora Debbins perdeu toda a esperança de se casar quando um escândalo na família a afastou dos salões da sociedade e a obrigou a se dedicar à irmã mais nova. Aos 39 anos, está resignada à rotina de professora de música em um vilarejo até que o inesperado pedido de casamento do duque vem mudar tudo o que planejou para seu futuro.
O que Dora não sabe é que aquele conto de fadas oculta um segredo terrível. Será que esse amor recém-descoberto sobreviverá aos erros do passado?”

George Crabbe, o duque de Stanbrook, está se sentindo solitário. Ao sair do casamento de Imogen, o último membro do Clube dos Sobreviventes a se casar, ele começa a questionar a vida solitária que vem vivendo nos últimos anos. Ele se casou muito jovem, foi pai e após quase 20 anos de uma vida feliz, o duque viu seu mundo desabar ao perder seu único filho e herdeiro nas Guerras Napoleônicas. Miriam, sua duquesa, não conseguiu suportar a perda e acabou tirando a própria vida. George ficou devastado, mas ainda sim, sobreviveu e fez de sua casa na Cornualha um local para receber os feridos da guerra. Seis dos muitos soldados que se refugiaram lá acabaram passando três anos na casa do duque e um relacionamento profundo nasceu entre eles e assim surgiu o Clube dos Sobreviventes.

“Sentia-se como um pai convencido e orgulhoso, que casara todos os filhos e os encaminhara para finais felizes. Talvez fosse esse o problema. Porque ele não era realmente o pai deles, não é mesmo? Na verdade, não era pai de ninguém.”

O duque sempre viu seus pupilos como filhos e, ao ver o último deles seguindo em frente, George começou a questionar sua própria existência. Ele tem 48 anos, mais de uma década vivendo como viúvo, e apesar de ter tido algumas amantes neste período, ele nunca pensou em se casar novamente. Nunca tinha percebido o quanto era solitário, mas ao ver que, em dois anos, cada um dos membros do clube se casou e construiu uma família, George começa a cogitar se esse não seria uma opção para ele também. Quanto mais pensa na ideia, mais ela vai criando raízes em sua mente. E há uma mulher que o duque começa a associar como uma esposa ideal para ele.

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Aos 39 anos, Dora Debbins já se acostumou a vida de solteirona. Ela construiu uma vida feliz e confortável, apesar de nunca ter se casado. Esse sonho lhe foi tirado ainda muito jovem, antes mesmo de ser apresentada a sociedade e teve muito tempo para se acostumar com a vida sozinha. Ela é filha de um baronete, mas ao 17 anos, Dora viu seu mundo ruir. Sua mãe fugiu deixando seus filhos para trás, incluindo a irmã, Agnes, com apenas 5 anos. A moça assumiu a casa e a criação da irmã. Os anos se passaram, ela viu a irmã se casar e a partir daí decidiu que poderia ter controle de sua vida. Com ajuda do pai e o dote que nunca foi usado, Dora se mudou para o pequeno vilarejo de Inglebrook para lecionar música.

Durante esses anos, ela construiu sua vida naquele vilarejo, se tornou parte da comunidade e deu aulas até mesmo para o Visconde e a Viscondessa Darleigh. Foi por frequentar Middlebury Park que acabou conhecendo o duque de Stanbrook. Ele estava hospedado na residência, junto com todos os outros Sobreviventes, para a reunião anual deles e Dora foi convidada para jantar e entreter os convidados do visconde. Na época, eles não imaginavam que Agnes e Flavian acabariam casados e que mais de um ano depois, o duque ainda se lembrasse dela, ao ponto de aparecer em seu chalé com uma proposta de casamento. E ela fica mais chocada, ao perceber que a impressão que ele deixou nela foi suficiente para que aceitasse o pedido.

“Todos os seus sonhos haviam, súbita e inesperadamente, se tornado realidade, ainda que aquilo estivesse acontecendo vinte anos depois do que ela esperara. Mas isso não importava. Nada importava a não ser o fato de que finalmente estava acontecendo. Agora.”

George está na chamada meia-idade, então não oferece um casamento baseado num romance grandioso e apaixonante. Ele deseja ter uma companheira e amiga, assim como uma mulher para aquecer sua cama. Como ambos já são maduros, o duque também menciona o fato de não querer filhos. Ele já tem um herdeiro, seu querido sobrinho Julian, então oferece uma vida confortável e uma companhia amigável. Dora tem consciência de sua idade e que realmente filhos seria algo grandioso para eles, mas como tem personalidades parecidas, a dama acredita que terão um casamento feliz. Pedido feito. Pedido aceito. O duque parte para Londres para começar os preparativos da cerimônia enquanto Dora resolve as coisas para deixar a vida no vilarejo para trás.

Um mês se passa muito rápido, principalmente para quem vai deixar a pacata vida de professora de música para se tornar uma duquesa, mas Dora vai se adaptando a sua nova vida. Porém, essa mudança trás de volta lembranças dolorosas de seu passado e que ela acreditava ter deixado para trás. Só que Dora não é a única a ter coisas inacabadas no passado, George também retém a maioria das coisas muito bem escondidas. Mas o anúncio de seu casamento vai trazer tudo isso a tona e fará com que o duque, finalmente, comece a falar sobre o que aconteceu durante os anos que foi casado com Miriam. Será que o peso do passado de ambos vai atrapalhar o relacionamento deles?

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“Os membros do clube haviam se tornado quase como sete segmentos de uma única alma enquanto viviam em Penderris, e haviam mantido aquele vínculo profundo. Ainda assim, George sempre se sentira um pouco diferente dos outros.”

Finalmente Mary Balogh e a Editora Arqueiro nos tirou do tormento que foi esperar por este livro. George é um personagem que vem aparecendo desde o primeiro livro, sempre como uma figura paternal e que esteve presente em momentos importantes na vida de cada Sobrevivente, mas ainda sim era nítido que algo o diferenciava dos outros. George é o conselheiro, está sempre a postos para ouvir e acalentar, mas nunca revelou de verdade a sua história. Nem mesmo para aquelas seis pessoas que amava tanto. Por baixo de todas aquelas camadas há um homem que sofre diariamente a perda do filho e da esposa. Sem falar que ele guardou um grande segredo por todos esse anos.

Do outro lado temos Dora, uma mulher que teve toda sua vida adulta moldada por ações de terceiros. Ela nunca perdoou a mãe por ter abandonado a família, mas após seu casamento acabou tendo o apoio de George para dar uma chance à mãe, afinal ela sabia que o pai não havia facilitado nada as coisas. Ela amadureceu muito rápido, mas ainda sim, se sente insegura para ultrapassar a uma barreira de vinte anos. Se casar com George também foi um ato de coragem, pois na idade dela, jamais imaginaria que poderia isso poderia acontecer. Sem falar que ela teve o melhor dos homens para ser seu marido. Um que ela já admirava pelo pouco que conhecia e que passou a amar a cada dia, independente de todas as suas cicatrizes.

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“Você é tudo o que esperei que seria para mim, Dora… Companheira, amiga, amante. Eu me lembro de dizer que não tinha paixão do amor romântico para oferecer, apenas um tipo mais tranquilo de afeto. E estava errado a esse respeito. Você é a minha única amada.”

A história é mais lenta, pois não estamos falando de um romance fugaz. O casamento deles vai sendo construído a cada dia e juntos transformam o que seria pra ser um casamento confortável num casamento amoroso e promissor. Os dois se completam e acabam curando suas feridas emocionais que muito tempo fingiam não existir. Além do nosso amado casal, os personagens secundários ajudaram a movimentar nossa trama, ainda mais aqueles que ressurgiram do passado do duque e da ex-duquesa, inclusive temos a volta de Vera Parkinson, a amiga que Gwen veio visitar na Cornualha e acabou conhecendo Hugo, lá em Uma Proposta e Nada Mais. Além disso tivemos todos os nossos Sobreviventes e suas famílias interagindo com o casal, e principalmente reafirmando o quanto George foi fundamental para recuperação deles.

A edição de Um Amor e Nada Mais está tão bonita quanto todos os outros livros e sou completamente apaixonada pela delicadeza das capas desta série. A diagramação é simples, mas que tem fonte e espaçamento confortáveis para leitura, mas infelizmente a revisão ficou a desejar desta vez. Tem alguns erros passáveis, mas há alguns bem ruins como trocar nome de personagem. E como estamos falando do último livro da série Clube dos Sobreviventes, a editora liberou na pré-venda um kit de marcadores imantados. Coisa mais linda. A narrativa continua em terceira pessoa e a Mary Balogh finalizou a série com uma história super densa.

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Ai Deus, como é difícil se despedir de uma série que você acompanha a tanto tempo né? Felizmente, Um Amor e Nada Mais não é aquele tipo de livro apenas para encerrar a série. Ele é necessário. Eu duvido que alguém que tenha lido todos os livros anteriores, não tenha se perguntado pelo menos uma vez: ‘quem realmente é Duque de Stanbrook?’. Infelizmente, demoramos a descobrir, mas os últimos capítulos estão regados por um plot twist atrás do outro. O que mais amo nesse livro é que a Mary escreveu dois personagens maduros, que já conheciam as dificuldades da vida, e lhes deu a felicidade de conquistar um casamento feliz, de rescreverem suas histórias. E para completar teve um epilogo que me levou as lágrimas e ao fechar o livro já sentia saudades de cada um dos personagens. Sem mais delongas, George o Dora peguem minhas 5 Angélicas.

CLASSIFICAÇÃO 5 ANGÉLICAS

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