A Hora do Chá: ‘Amante por uma Tarde – Lisa Kleypas’

Oi gente!! Outro chá, outro livro da Lisa Kleypas. Eu não reclamo nadinha porque amo os livros da autora e hoje vamos continuar a falar de Os Mistérios de Bow Street. Apesar da Editora Arqueiro só vir a publicar esta série recentemente, são livros escritos e publicados nos EUA, entre os anos de 1998 e 2003, e estão entre os primeiros da Lisa, então é bem perceptível a evolução da escrita da autora, assim como a construção de seus personagens, seus posicionamentos, além de toda a diferença social da época. Eu estou mencionando tudo isso porque, ao longo da resenha, vou me aprofundar um pouco mais sobre isso, ok? Por enquanto, fiquem com a sinopse…

“Lady Sophia Sydney tem um grande objetivo na vida: se vingar de sir Ross Cannon. O ilustre magistrado condenou o irmão dela à morte e agora o plano é causar um escândalo e arruinar a reputação dele. Para isso, Sophia dá um jeito de trabalhar para Ross e, aos poucos, vai ganhando sua confiança. Todas as manhãs, ela o instiga com sua presença exuberante. A maneira como se inclina sobre a mesa para servir-lhe as refeições e o modo como suas mãos tocam-lhe a pele com suavidade desafiam o bom senso dele. E todas as noites, ela faz promessas com os olhos e com o corpo, tentando convencer Ross de que, em vez de se entregar a um sono agitado, ele poderia passar a madrugada fazendo coisas bem mais interessantes… Sophia sabe que Ross está se apaixonando por ela a cada dia. Mas há uma coisa que seu plano não previa: que ela se apaixonasse por ele também.”

Sir Ross Cannon ficou conhecido como o Monge da Bow Street depois de ficar viúvo e se jogar completamente no trabalho de magistrado-chefe e nunca se render aos prazeres mundanos. Sempre foi considerado muito sério e profissional, não participa de eventos sociais e tem pouca interação com pessoas fora do escritório. Ao longo dos anos conquistou a confiança da sociedade e de seus patrulheiros. Mesmo vindo de uma família influente, vive modestamente e, depois que enviuvou, nunca sentiu que precisava de mais. Ele já é um homem de idade mediana, então não se casaria apenas para sucumbir aos prazeres, não depois de prometer a sua falecida esposa que jamais se casaria novamente. Isso foi até conhecer a Srta. Sophia Sydney. Um desejo arrasador tomou conta dele, mesmo sabendo que aquilo era inapropriado.

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Lady Sophia Sydney é uma moça de 26 anos que poderia ter sido criada como uma dama, mas ainda muito jovem ficou órfã junto com seu irmão John. Os dois eram filhos de um visconde totalmente falido, então, depois que o pai morreu, eles fugiram e passaram a viver nas ruas de Londres. Parentes distantes conseguiram levá-los para viver de forma mais descente, mas em troca de trabalho. A moça aceitou, mas John já tinha ganhado o gosto de viver livremente e voltou para Londres. Quando tinha 14 anos, o rapaz foi preso, condenado e enviado para um navio prisional e, meses depois, acabou morrendo de uma das várias doenças que acometia a população prisional. Sophia ficou devastada e, desde então, prometeu que se vingaria do homem que condenou sem piedade o irmão à morte. Agora ela está no escritório da Bow Street convencendo seu inimigo a lhe dar um emprego, mesmo que Ross nem soubesse disso.

“Pretendia seduzir o homem conhecido como o Monge da Bow Street e levá-lo a se apaixonar por ela. Então viraria o mundo dele de cabeça para baixo.”

Normalmente, Sir Ross não contrataria uma mulher para o cargo de sua assistente, não seria nada adequado, mas ele se sente seduzido pelo magnetismo de Sophia. Ele tem certeza de que será um grande erro, mas, ao longo dos dias, a moça vai se mostrando muito eficiente, não só na sua função como assistente, mas para conduzir os criados que também trabalham no local. O que ele não sabia é que tudo isso fazia parte do plano de vingança de Sophia. Todos os dias ela ganha um pouco da confiança do magistrado enquanto tenta juntar provas suficientes para desacreditar, tanto o homem como todo o trabalho de seus patrulheiros. O problema é que, conforme os dias vão se passando, ela vai conhecendo o verdadeiro Sir Ross Cannon e o conflito de seus sentimos lhe faz querer desistir de seu plano inicial. Mas como ela viveria com o homem que condenou seu irmão?

Eu não vou falar muito da trama porque como estamos falando de uma história que envolve investigação, fico preocupada de entregar muitos fatos importantes, então vamos falar da relação entre Ross e Sophia porque isso é um terreno mais fácil de andar rs. Está sendo bem interessante ler uma história super diferente da Lisa Kleypas e, apesar de ter me decepcionado um pouco lendo Cortesã por uma Noite, eu sinto que este livro veio para apagar um pouco da impressão ruim do livro anterior. A trama continuou envolvendo uma área bem menos glamorosa de Londres, mas, como Ross vem de uma família influente, tivemos pequenas nuances do que estamos acostumadas a ver nos demais romances de época. Tivemos até mesmo um baile de máscaras na propriedade da família Cannon. No início da resenha, eu mencionei o fato dessa trilogia ter sido escrita e publicada há mais de 20 anos e é perceptível a evolução da escrita da Lisa, assim como os posicionamentos masculinos e femininos diante de algumas situações. Sinto uma enorme diferença entre o livro um e dois justamente nesses posicionamentos.

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“Mas a verdade era que se sentia profundamente desconfortável, quase assustada, como se o plano de seduzi-lo e destruí-lo talvez acabasse fazendo o mesmo com ela.”

A começar por Sir Ross Cannon. Ele é um homem descrito como frio e autoritário, que tem suas vontades atendidas sem questionamento, mas, no decorrer da leitura, percebemos que ele não é nada disso. Ross conquistou sua autoridade e respeito com muito trabalho e, como estava diante do seu luto, se dedicou totalmente a isso. A chegada de Sophia mudará tudo para ele, pois aquele homem, aparentemente indiferente, se mostrará capaz de sentir tudo. Eu citei ele muito rapidamente na resenha anterior e a própria Lisa mostra muito pouco dele, então tudo que sabíamos era da sua fama de monge. Foi uma grata surpresa ver a forma que a autora construiu sua personalidade: um homem íntegro e com um enorme senso de justiça. Em vários momentos sentimos sua masculinidade e autoridade sendo impostas diante das situações, mas não achei Ross machista com Sophia.

Quanto a Sophia, ela é uma mocinha enérgica e cheia de vida. Foi um equilíbrio bem legal para fazer par com Ross. Apesar da pouca idade, já passou por muitas dificuldades e seu passado é marcado por muitas dores e traumas. A maior delas foi justamente perder o irmão da maneira que foi e isso moldou muito sua versão adulta já que viveu com um desejo de vingança tão grande. Assim como Sophia, a gente caiu da cadeira ao perceber que Ross está longe do que ela imaginou. Ele é alto, tão bonito e masculino, sem falar é que atencioso e um homem justo, muito longe da imagem de um homem velho, chato e intransigente que ela tinha criado em sua mente. Mesmo que não se envolvam num primeiro momento, ela sabe que está sob a proteção dele e que nada a aconteceria enquanto trabalhasse ali.

“Não é disso que eu preciso, Sophia. Não sou o tipo de homem que mantém uma amante. E você não é o tipo de mulher que ficaria feliz com um arranjo desses. Não há motivo para transformar o nosso relacionamento em algo vergonhoso. Quero você seja minha esposa.”

Inicialmente existe uma tensão sexual enorme entre eles, e, apesar de Ross se sentir completamente atraído por ela, ele se mantém distante, já que ela é uma funcionária da Bow Street e aquilo poderia ser visto como uma imposição sobre ela, pois ele seria seu chefe. Além disso, o magistrado-chefe sente que ela esconde algo dele, mas vai esperar o momento certo para abordá-la. Quanto à Sophia, a moça vive em completa aflição, pois diariamente percebe que seus sentimentos por Ross são muito maiores do que seu desejo de vingança. Sem falar do medo que sente dele descobrir suas intenções e assim por um fim no que poderia ser seu primeiro relacionamento saudável e recíproco. Seu passado voltará para atormentá-la, justamente quando acreditava que poderia ter um final feliz. E eu não poderia deixar de mencionar que eles podem até demorar a se envolver intimamente, mas quando isso acontecer, Ross se mostrará sedento e Sophia acompanhará totalmente o ritmo. Se preparem para cenas quentes entre eles.

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Em paralelo a história entre Ross e Sophia temos todo o trabalho realizado na Bow Street e, nesse momento, a investigação gira em torno de Nick Gentry, um dos sujeitos mais perigosos de Londres e arqui-inimigo de Ross. Ele será muito importante para a movimentação da trama e responsável por vários plots twists. Acho muito interessante que a Lisa tenha inserido o personagem na forma de um vilão para que no livro seguinte – Prometida por um Dia, já publicado – seja o grande protagonista. Será que Gentry seria o antecessor de Sebastian St. Vincent, que ascendeu de vilão para se tornar um dos mocinhos mais desejados da autora? Veremos no próximo livro. Outro personagem que se destaca bastante é Grant Morgan, o protagonista do livro anterior e braço direito de Ross. Nesse livro fica muito claro o quanto o personagem mudou após o casamento perdendo aquela rigidez e, até mesmo, a crueldade do olhar, mas o mais interessante é ver o quanto o Ross confia no trabalho e no julgamento do patrulheiro.

“- Eu amo você. Como fico feliz por você não ter se casado com outra pessoa antes de me conhecer!                    – Ah, meu amor… Porque eu estava esperando por você.” 

A capa de Amante por uma Tarde seguiu o padrão que a Editora Arqueiro desenvolveu para a trilogia, onde tem esse ar misterioso e investigativo que super combina com a temática abordada nessa história. Ele é o segundo livro da Trilogia Os Mistérios de Bow Street e diagramação é o padrão da editora e não me lembro de ter visto erros de revisão. Mais uma vez quem comprou na pré-venda foi recompensado com um brinde, um lindo marcador imantado que fica super fofo no livro. A narrativa é em terceira pessoa assim como os demais livros da autora. 

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Amante por uma Tarde foi uma grata surpresa, pois tinha ficado desapontada com o primeiro livro. É inegável o quanto esse livro é melhor do que o outro, mesmo que a gente ainda reconheça que não é um livro escrito nesta época e nem sobre este período histórico. Fiquei completamente surpreendida pelas reviravoltas e, apesar de parte das revelações terem sido descobertas ao longo da história, ainda tivemos um ritmo eletrizante na parte final da leitura, principalmente porque o gancho para o próximo livro nos deixa aflitos. Mesmo que não seja o melhor dos livros da Lisa, pra mim funcionou. Eu me diverti lendo uma história diferente do que costumamos ler nos romances de época e gostei muito do clima investigativo. Sendo assim, deixo minhas 4 Angélicas e já me preparo para Nick Gentry. 

CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

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