A Hora do Chá: ‘Brilhante: A História de Belle – Julia Quinn’

Oi gente!! Continuo lendo a trilogia Damas Rebeldes, da Julia Quinn, e que se trata das primeiras histórias escritas pela autora. Eu comentei na resenha anterior sobre isso e de como as coisas vão mudando no decorrer dos anos. Estamos falando de um livro escrito em 1995, onde a sociedade pensava de uma maneira diferente da de hoje e é uma história que se passa num século marcado pelo patriarcado. A história de Belle mostrará nuances desta sociedade, onde uma mulher era vista como uma propriedade a se adquirir. Enfim, fiquem com a sinopse que já conto um pouco mais sobre a trama…

“Quando um pretendente diz a lady Belle que, por conta da beleza e da fortuna dela, está disposto a fazer vista grossa para as suas chocantes tendências intelectuais, ela decide se afastar do mercado casamenteiro e passar uma temporada no campo. Belle não imaginava que, durante sua estadia, fosse conhecer lorde John Blackwood, um herói de guerra que a deixaria fascinada como nenhum outro homem da alta sociedade londrina fora capaz. Apesar de já ter vivido coisas terríveis, nada aterroriza mais o coração atormentado de lorde John do que lady Arabella. Ela é inebriante, exasperante e… faz com que ele tenha sede de viver. De repente ele se vê escrevendo poesias ruins e subindo em árvores na calada da noite só para poder dançar com ela quando o relógio bater meia-noite. Apesar de saber que nunca será o homem que ela merece, John não consegue parar de desejá-la. Será que quando a luz do dia substituir a magia da madrugada, os dois conseguirão deixar as diferenças de lado e se entregar ao amor?”

Lady Arabella Blydon, mais conhecida como Belle, está cansada de ser tratada como um objeto. Desde que foi apresentada a sociedade recebeu vários pedidos de casamento, mas educadamente declinou de todos, pois acredita que um marido não deveria fazer vista grossa para seus hobbys apenas por que ela vem de uma boa família, tem um ótimo dote e ainda por cima é bonita. A moça viu sua prima casar-se por amor, então deseja o mesmo e seus pais, o conde e a condessa de Worth, sempre apoiaram sua decisão. Decidida a se afastar um pouco de Londres, Belle vai passar umas semanas com os primos no campo, mas não imaginava que conheceria um homem que lhe intrigaria tanto. 

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John Blackwood é o oitavo filho do falecido conde Westborough, mas nunca viveu como um nobre. Desde pequeno traçou seu caminho e quando já tinha idade para ir para guerra, a família lhe comprou uma patente. Sua atuação como soldado de sua majestade lhe rendeu o título de barão e ao voltar à Londres, John trabalhou muito para que tivesse seu próprio lar e não dependesse do irmão, o atual conde. O rapaz viveu algo bastante traumático nos seus dias como soldado, que o marcou o suficiente para que vivesse longe da sociedade e permanentemente no campo. Ele se sente culpado pelo o que aconteceu e agora se pune acreditando que poderia ter evitado. John nunca imaginou que isolado em sua nova propriedade acabaria conhecendo uma lady de língua afiada.  

Um encontro inusitado vai unir Belle e Blackwood. A moça tinha começado a ler as obras de William Shakespeare e agora que estava no campo, a leitura avançou bastante. Ela está sentada lendo o último volume quando o rapaz aparece. Eles tem uma pequena discussão sobre de quem são as terras que ela estava sentada e logo John descobre que a moça é prima de Alexander Ridgely, Duque de Ashbourne, um homem que ele conheceu quando lutou na Península Ibérica, e que está hospeda na residência que faz fronteira com as suas terras. Apesar do pequeno impasse, Belle se sente fascinada pela beleza máscula do homem e curiosa para saber tudo sobre ele, principalmente o porque dele mancar de uma perna. Além disso, ela gosta de ver que ele é um homem culto e que não fez nenhum comentário negativo quando ela falou de seus hábitos de leitura. 

“Sempre me pareceu uma tolice desejar uma mulher que não é capaz de se comunicar melhor do que uma ovelha.”

Ao saber que o velho amigo está morando ao lado de Westonbirt, residência da família em Oxforshire, Alex vai visitar John e assim restaurar a amizade que construíram nos campos de batalha. Belle acaba descobrindo que o homem salvou a vida do primo e que quase perdeu a perna, mas que foi teimoso demais para deixar que amputassem. A moça começa a gostar dessa determinação de John, então sempre dá um jeito de passear próximo da propriedade dele e assim quem sabe poder revê-lo. Além disso, ela nota que o quanto o barão é solitário e sente que talvez seja quem vá trazer alegria para vida dele, então não mede esforços para estar perto dele. O problema é que John também sente isso, mas se nega a possibilidade de ser feliz, ele não acha que mereça uma moça como Belle, então não demora muito a afugentá-la. 

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“Quando Belle finalmente chegou a Westonbirt, suas lágrimas haviam secado e ela se alegrava em tramar vários planos de vingança contra John. Não esperava colocar nenhum deles em prática, mas o mero ato de tramá-los bastava para animá-la.”

Belle se sente completamente aborrecida por saber que John a afastou voluntariamente, então volta à Londres decidida a se vingar e fazer o homem perceber que cometeu o maior erro ao deixá-la ir. Com a ajuda de seu melhor amigo, William Dunford, os dois planejam uma fofoca: fazer com que chegue aos ouvidos de John que Belle vai se casar. É claro que isso vai trazer o homem rapidinho para cidade e não será difícil descobrir que a lady tem uma lista enorme de cavalheiros desejosos por ela, incluindo o irmão de Blackwood, mas o barão trata logo de assegurar que está no topo dessa lista e que não vai desistir de Belle. Finalmente nosso casal vai correr em direção do felizes para sempre, mas não será fácil assim porque o passado de John voltará para cobrar seu peso. 

Eu comecei a falar lá no enunciado que Brilhante: A História de Belle é um dos primeiros livros da Julia Quinn e isso assusta um pouco porque as séries mais novas são bem diferentes e diria até que, melhores. Eu tinha ficado bem curiosa por Belle, pois a mocinha tem aquele perfil de leitora assídua e é uma amiga fiel. Apesar de não querer participar das loucuras da prima Emma, ainda sim a acompanhava. Ela sempre me pareceu menos impetuosa, mas na sua história vemos que a lady também é ousada, quando necessário. Assim como no livro anterior, eu gosto de ver o nome da protagonista no título, pois já nos passa a informação de quem será o destaque e aqui, eu acredito que tenha fugido um pouco disso. É o passado de John que será abordado, quase que, no livro todo. 

“As pessoas cometiam erros, não? Afinal, ele não era um herói infalível dos livros.”

Falando do barão, eu tive o sentimento contrário ao que senti por Alex. Eu comecei gostando dele, querendo saber de seu passado, curar suas dores e vê-lo feliz, mas ao longo da leitura fui achando enfadonho e mais um mocinho meia-boca. Uma das coisas que mais desgostei foi justamente o casamento apressado entre eles. Os pais de Belle estavam viajando e por isso que ela estava hospedada com os primos. Como uma moça solteira, ela jamais poderia ficar em casa desacompanhada, então Emma, recém-casada, estava fazendo esse papel. Com a mudança de planos de voltar para Londres, Alex leva sua tia-avó, Persephone, para ficar no lugar da esposa. Ele só não imaginava que a mulher seria uma péssima acompanhante e John inicialmente fazia uma corte ‘respeitável’. É claro que isso não dura muito justamente por causa do passado do barão, então no lugar de compartilhar seus medos com a mulher que ele queria como esposa, ele simplesmente a afasta novamente.  

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Pra mim essa história se tornou mais interessante por causa de seus personagens secundários. Teremos muito de Alex e Emma já que, além de primos de Belle, o duque tinha uma amizade de longa data com John. Dunford mais uma vez se destacou na trama, aparecendo como melhor amigo de Belle e foi responsável por um pequeno crossover das séries de Julia Quinn. Ele é primo de ninguém menos, ninguém mais do que dos Smythe-Smith e o lord convida Belle para ir num dos ‘famosos’ concertos da família. A família da lady aparece muito pouco e justamente no casamento dela, eles ainda estão de viagem. Mas a maior personagem entre os secundários é justamente Persephone. A mulher é hilária, parece aquelas tiazonas super maneira que deveriam tomar conta de você, mas estão aprontando junto. Era ela aparecer e você saber que a gargalha estava garantida e ouso dizer que a maior parte do alivio cômico vem justamente dela. Sem falar que a mulher é uma peça decisiva no plot final. 

“Ficou impressionado ao se dar conta de como aquilo era fácil – simplesmente permitir que ela lhe iluminasse o coração. John passará a manhã toda sorrindo.”

Brilhante foi publicado em julho pela Editora Arqueiro e é o segundo livro da trilogia Damas Rebeldes. Apesar de ser mais um dos primeiros livros da autora, a edição brasileira só veio agora. A história foi publicada pela primeira vez em 1995 e as coisas eram muito diferentes e era ‘aceitável’ não só naquela década, mas como no século onde a trama se passa, ter as mulheres como seres frágeis e/ou objetos. Belle é inteligente, tem um gosto pela leitura, mas muitos homens acreditavam que poderiam relevar esse traço da personalidade dela porque era uma moça de boa família, com ótima aparência e um dote pomposo. Infelizmente, eu achava que ela seria mais firme e sensata, mas no decorrer da história vimos uma Belle tomando decisões emotivas e metendo os pés pelas mãos me lembrando muito a própria Emma. Quanto a John, é claro que não demorou muito para que assumisse a posição de macho-alfa e isso só teve uma vantagem: termos um antagonista para movimentar a história e trazer mais emoção. 

“Emma era sua melhor amiga e, depois de todos os apuros em que haviam se metido juntas, era um tanto surpreendente tê-la como ‘acompanhante aceitável’.”

A edição de Brilhante é linda, uma capa delicada e adoro que seguiu todos os padrões da capa de Esplêndida, assim podemos colocá-los na estante e ficar olhando a combinação perfeita deles. A editora liberou um brinde para quem comprou na pré-venda, que é um colar com dois pingentes: um livro e um óculos, uma brincadeira para o fato de Belle ler muito e estar precisando de óculos haha A diagramação é simples e dentro do padrão da editora.

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Tem sido interessante ler os primeiros livros da Julia Quinn depois de já ter lido livros mais recentes, porque conseguimos ver os traços da escrita dela, assim como a sua evolução em construir seus personagens. Sem falar dos temas polêmicos que no decorrer dos anos, ela soube trabalhar melhor. Em Brilhante temos alguns gatilhos, como terrores da guerra, estupro e suícidio e, achei uma das passagens bem fortes, então resolvi avisar aqui, mas apesar disso não desgostei da autora ter abordado esses temas porque ela mostrou como aquilo era visto na época e, infelizmente ainda é tratado dessa forma nos dias de hoje. Enfim, a história tem vários clichês que amo nos romances de época, mas também aqueles que não gosto muito. Não é uma leitura ruim e tem sido estimulante acompanhar esse início de carreira da autora que um dia se tornaria uma das maiores do gênero. Ainda não chegamos nem no esplêndido, muito menos no brilhante desta trilogia, mas estou loucamente interessada por Indomável que trará Dunford como protagonista. Deixo minhas 4 Angélicas e mantendo a expectativa lá no alto.    

CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

 

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