Maratona de Férias 2022: ‘Euphoria – 1ª Temporada’

Oi gente!! Nos últimos anos, durante os meses de janeiro e fevereiro, nós aproveitamos que tem muita gente de férias para trazer críticas de séries que poderão ser maratonadas nesse período. E para abrir a nossa Maratona de Férias de 2022, eu trouxe a crítica da Primeira Temporada de Euphoria. A série foi um grande fenômeno em 2019, e a cada novo episódio distribuído na HBO, mais se comentava sobre a forma brutal que os produtores escolheram para falar da Geração Z. Com a chegada da Segunda Temporada, que estreou no último domingo (09), eu aproveitei para vir falar da série, que por sinal nos últimos dias se tornou a série mais falada desde o último episódio de Game of Thrones. É sucesso, não é mesmo? Enfim, fiquem com a sinopse e trailer que já comento mais sobre a trama…

“Rue Bennett é uma jovem de 17 anos que acaba de sair da clínica de reabilitação após ter uma overdose. Rue sofre com transtornos mentais desde criança, o que a fez entrar em contato com drogas ainda no início da adolescência. Ela tenta agora se adaptar a uma vida “limpa” e volta a frequentar a escola. Mas, assim como ela, os demais alunos do ensino médio enfrentam seus próprios desafios, envolvendo sexo, drogas, amizades, relacionamentos amorosos, conflitos familiares, redes sociais e violência. À medida que luta contra a dependência química, Rue precisa lidar com todos os traumas e segredos da adolescência. Ela encontra apoio em uma nova amiga, Jules, uma adolescente transgênero que acabou de se mudar para a cidade com o pai. A princípio, Jules tem suas próprias questões para lidar, porém, aos poucos, essa amizade vai se transformando em um intenso interesse amoroso.”

Tudo que você já viu nas produções adolescentes – sexo, drogas, bullying, conflitos familiares, descoberta da sexualidade, relacionamentos e etc. – são abordados em Euphoria, mas o que diferencia está série da HBO de todas as outras é a forma como tudo isso será apresentado. Eu sou uma consumidora de séries adolescentes e algumas são sempre mais do mesmo, e não tem nada de errado nisso, mas é super interessante assistir um conteúdo que segue outra linha de narrativa. Aqui teremos um lado muito mais obscuro do que é ser adolescente na era digital e como as famílias lidam com toda essa modernidade. Já deixo avisado que Euphoria é uma trama adolescente bastante imprópria para menores por causa da riqueza de detalhes, então a classificação ficou em 18 anos.

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Quem narra o que está acontecendo em Euphoria é Rue, a personagem interpretada por Zendaya, uma adolescente viciada em drogas. Ela passou o verão todo numa clínica de reabilitação após sofrer uma overdose. Agora Rue está de volta e com o início do novo ano letivo, ela precisará lidar com as fofocas envolvendo sua crise, além da dificuldade de continuar limpa quando na verdade ela não tem a mínima vontade de se manter longe das drogas. Durante a narrativa dela, vamos percebendo o quanto ela tem consciência do erro que continua cometendo, mas ela segue mentindo para todos, até para si mesma, que está limpa. Rue é a primeira personagem a ser apresentada, então acompanhamos, rapidamente, seu nascimento e infância e como ela se tornou dependente química.

A cada novo episódio, Rue apresenta um dos personagens chave da trama, então ao longo dos oitos episódios vamos acompanhando as tramas individuais e como cada um deles se tornou aquela pessoa atual. O problema é justamente essa narrativa feita por Rue, porque faz o telespectador se questionar se todos aqueles acontecimentos são realmente reais ou se a adolescente está em mais uma de suas ‘viagens’. Desde pequena ela tem um relacionamento conturbado com remédios, pois foi diagnosticada com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e como forma de tratamento começou a ingerir medicamentos pesados. Rue sempre usou os remédios como válvula de escape, tentando se manter segura num universo paralelo onde não sofreria.

Euphoria

É claro que altas doses desses remédios lhe deixaram dependente, ainda mais para fugir das dores emocionais que atingiram sua família, então a overdose foi inevitável. Rue sempre se sentiu sozinha e a cada nova crise depressiva, ela se fechava mais ainda em seu casulo. Saindo da reabilitação, ela terá uma nova chance de viver sua vida e acaba desenvolvendo uma amizade com Jules (Hunter Schafer), uma menina transgênero que acabou de se mudar para cidade. Logo essa amizade vai se tornando algo mais, uma relação que vai muito além de atração física e sexual, mas Rue continua se drogando e fingindo estar limpa. É Jules quem acaba dando ultimato para que a moça tente se manter longe das drogas, mas Rue se agarra nessa relação como um novo vício. Enquanto estiver com Jules, vale a pena estar limpa.

Eu não vou contar mais nada sobre a trama de Euphoria porque muito de tudo que falaria seria spoiler. O que posso falar é das minhas impressões assistindo a essa série. Como eu disse lá no início, eu sou consumidora de séries adolescentes, mas a grande maioria são de jovens felizes, encontrando seu primeiro amor, indo pra faculdade e tals. É um soco no estômago assistir algo complemente diferente, uma juventude quebrada e tentando encontrar alívio nas drogas ou em relacionamentos completamente abusivos, sejam amorosos ou até mesmo em amizades tóxicas. O diretor e roteirista Sam Levinson distribuiu as histórias em oito episódios de cerca de 1h cada e estejam preparados para sequências densas e bem explícitas de nudez, sexo, uso de drogas e violência. Algumas delas podem ser desconfortáveis, então assistam com isso em mente. Uma coisa que me chamou bastante atenção foi o uso de nu frontal masculino, imagens que quase nunca estamos acostumados a ver.

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Mais porque Euphoria fez tanto sucesso? Vários fatores responderiam essa pergunta, a começar pelo elenco. A escalação de Zendaya como Rue não poderia ter sido mais perfeito. A atriz se entregou completamente ao papel e a cada cena seu talento fica mais evidente, então não é surpresa nenhuma que tenha saído como a vencedora do Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática, se tornando a atriz mais jovem a vencer e a segunda atriz negra a levar a estatueta da premiação mais importante da televisão realizada nos Estados Unidos. E se sua interpretação já não bastasse, a atriz ainda surpreendeu seus fãs ao cantar a música ‘All For Us‘ uma composição para a playlist da série, que por sinal é outro ponto super positivo. O responsável pelas músicas é o Labrinth. Tá incrível e não tem como não ouvir algumas músicas e já associar ao personagem.

Ainda sobre o elenco, o outro destaque fica para Hunter Schafer que interpreta Jules. É o primeiro papel da moça, mas a naturalidade e leveza que ela conduz seu personagem é maravilhosa. A química entre ela e Zendaya é forte e convincente. O resto do elenco também tem seus méritos, mas a grande maioria ainda é bem amador em alguns momentos isso aparece. Não tira o brilho da série em nenhum momento e acho que escalar jovens atores, que ainda não tinham tido nenhum grande destaque, é justamente o que dar mais crédito a produção. Com exceção de Barbie Ferreira como Kat, que também roubou a cena com o papel da menina gordinha que sempre foi rejeitada, mas que vira o jogo a seu favor.

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A primeira temporada de Euphoria é excepcional e retrata muito bem a realidade de uma juventude que cresceu junto com a internet e com a criação das redes sociais. Elas se tornaram um espelho de tudo isso e a série mostra exatamente como a exposição nas redes moldam os relacionamentos. A ansiedade por atenção (online), o uso de nudes como moeda de troca, a obsessão por aplicativos de paquera e/ou selfies são temas debatidos constantemente e podem ser determinantes para a imagem do adolescente de hoje. Você é uma pessoa nos seus relacionamentos pessoais offline e pode ser tonar outra pessoa completamente diferente nas redes sociais. O nome da série não poderia ser outro já que Sam Levinson retratou exatamente a euforia do jovem do século XXI tentando se encaixar num mundo que muda constantemente para que possa ser socialmente aceito. É interessante perceber que a todo momento eles tentam se encaixar no que o outro diz que é aceitável. E a pergunta que fica é: ‘e não fazemos isso desde que o mundo é mundo?’

Depois de mais de um ano do fim da primeira temporada, a série retornou para mais um ano e desde o último domingo (09) é possível acompanhar novamente a trajetória de Rue, Jules e todos os outros personagens. Os episódios serão transmitidos aos domingos (23h) na HBO2 e na HBOMax. Corre para maratonar a primeira temporada para poder acompanhar a nova temporada.

Euphoria

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