A Hora do Chá: ‘Indomável: A História de Henry – Julia Quinn’

Oi gente!! Meu primeiro chá de 2022 e eu trouxe Julia Quinn, uma das autoras preferidas de quem lê romance de época. Hoje vamos falar do último livro da trilogia Damas Rebeldes, uma das primeiras séries escrita por ela. Confesso que até o momento, os livros anteriores não me arrebataram, então estava bastante ansiosa por esse último livro, porque traria Dunford – um personagem secundário muito ativo nas outras histórias -, como protagonista. Sem falar que, pela sinopse, vemos que Henry seria uma mocinha bastante irreverente. Fiquem com a sinopse que já comento mais sobre a história…

“Henrietta Barrett, que atende desde pequena pelo apelido de Henry, nunca seguiu as regras impostas pela sociedade. Prefere calças a vestidos e, em vez de frequentar chás e bailes e fazer aulas de artesanato, administra pessoalmente a propriedade de seu idoso tutor, localizada em um canto remoto da Cornualha. Mas quando seu guardião morre, as terras que Henry tanto adora vão parar nas mãos de um primo distante, um homem que pode ameaçar a vida que está acostumada a levar e também o ganha-pão das pessoas que ela mais ama. William Dunford, o solteiro mais esquivo de Londres, fica surpreso ao saber que herdou uma propriedade, um título… e uma pupila decidida a expulsá-lo o mais rápido possível da Cornualha. Henry está determinada a continuar administrando Stannage Park sem a ajuda do novo lorde, embora o charme que ele exala quase a faça esquecer as próprias convicções. Mas Dunford tem certeza de que pode mudar as coisas para melhor, começando por sua pupila indomável. Só que transformar Henry em uma dama faz com que ela se torne não apenas a queridinha da alta sociedade, mas também uma tentação irresistível para o homem que pensava que nunca seria conquistado…”

Henrietta Barrett, mais conhecida como Henry, viveu toda a sua vida em Stannage Park, na Cornualha. Quando seu tutor ficou viúvo, passou a ficar desatento aos trabalhos relacionados a propriedade, então aos 14 anos, a moça assumiu esse trabalho. Sendo assim, ela teve muito pouco tempo para realmente se tornar uma jovem dama e ser enviada para seu debut em Londres. No lugar de bailes e saraus, Henry conserta chiqueiros e comanda os empregados vestida com suas calças compridas. Ela é uma moça simples e que ama a liberdade de não seguir as regras tolas das damas da capital. Anos depois, infelizmente, seu tutor acaba falecendo e seu título de barão, seus bens e a própria Henry, são deixados para um parente distante de seu tutor.

Abalada pela morte da única pessoa que ainda se importava com ela, a moça começa a se preocupar com seu futuro, principalmente que esse estranho vai tirá-la da administração de Stannage Park, pelo simples fato dela ser uma mulher. Sendo assim, Henry começa a planejar uma forma de continuar a frente dos negócios. Assim que o novo barão chegar à Cornualha, ela vai mostrar como é capaz de continuar administrando a propriedade e assim ele poderá seguir com sua vida em Londres. Ela só não esperava que o novo barão fosse tão bonito, encantador e que despertasse sensações que ela nem sabia que poderia sentir.

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“É assim que o mundo funciona, Simpy. Nós, mulheres, não temos cérebro, precisamos de tutores para nos guiar.”

William Dunford é um dos libertinos mais conhecidos de Londres. Vem fugindo das debutantes e de suas mães casadoiras, temporada após temporada. Enquanto isso, mantém relacionamentos amorosos com suas amantes. Ele não tem intenção nenhuma de mudar seu status e por isso aceitou fazer uma aposta com sua grande amiga Belle. Após o casamento da moça, ela apostou que em menos de um ano ele também entraria para o time de casados assim como ela e Alex, o melhor amigo de Dunford. Ele aceitou porque sabia que venceria a aposta, mas o destino dele está prestes a mudar completamente.

Sem nenhum aviso, até porque ele estava muito distante numa linha de sucessão, Dunford herda uma propriedade na Cornualha e um baronato. Foi algo inesperado, mas ele logo organiza uma ida à Stannage Park para conhecer a propriedade e seus inquilinos. Ele não esperava que seu administrador fosse uma moça, jovem, bonita e que usava roupas masculinas na maior parte do tempo. Passado o choque inicial, Dunford vai perceber que a propriedade está muito bem cuidada, mas que é desprovida de pequenos luxos. Até mesmo os banhos serão contados assim como as refeições. Ele só não imaginava que tudo isso era um plano de Henry para afugentá-lo.

“Se ao menos conseguisse descobrir como ela ficava em um vestido…”

Henry vai atormentá-lo, inventando as coisas mais bizarras, mas Dunford recebe tudo com, uma ligeira surpresa, mas sem deixar a pose de cavalheiro. Serão vários dias nesse joguinho, mas entre as brincadeiras, os dois vão se conhecendo e descobrindo que gostam de estar na companhia um do outro. Tudo muda quando finalmente Dunford lê o testamento do último barão e descobrir que Henry é sua tutelada. Atração avassaladora que existe entre eles terá que ser esquecida, pois ele precisa que a moça seja apresentada a sociedade e que faça um bom casamento. Como é que ele, conhecido por ser um dos maiores libertinos, poderia ser responsável por uma jovem inocente? Será que ele conseguiria vê-la se casando com outro?

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Parece que contei a história toda, não é mesmo? Mais muitas coisas acontecerão depois que Henry sair de onde viveu por toda a vida para ir à Londres e se tornar uma dama. Assim como os demais livros da trilogia, este último também destaca muito o protagonismo feminino e o que justifica ter o nome dela como parte do título. Sem falar que temos uma moça nada convencional e diferentemente das protagonistas anteriores, ela nem mesmo tem os traquejos sociais já que viveu a vida toda no interior e exercendo uma função que era completamente masculina. Ela basicamente não tem nenhuma vaidade porque nunca tinha se interessado por nenhum rapaz, mas isso foi antes de Dunford.

“Nem sempre é preciso beijar muitos sapos para reconhecer um príncipe quando o encontramos.”

E falando dele, está aí um personagem que vem conquistando os leitores da trilogia desde que fez sua primeira aparição, então estava bastante animada para vê-lo como protagonista. E o novo barão é exatamente o homem que vinha sendo desenhado. Ele é lindo, inteligente, encantador e um libertino incorrigível. Apesar de sua fama, ele nunca tomou liberdades com Henry. Desde o primeiro momento, ele se sentiu curioso e essa curiosidade foi se tornando outros sentimentos, mas sempre notou o quanto ela era inocente. Quando as coisas poderiam ter se tornado algo mais, foi o momento em que descobriu que era responsável por ela, e aí se sentiu um velhote nojento por desejar sua pupila. Eu achei bem interessante que ele tenha colocado a reputação dela na frente do seu desejo por ela. Melhor tipo de libertino, né?

A história tem uma reviravolta mais lenta e, ouso dizer que até mesmo maçante, quando eles chegam em Londres. Durante os dias na Cornualha a história era mais ativa e divertida com os dois se conhecendo, sem se importarem com as convenções sociais. Ao chegarem na capital, ela foi entregue aos cuidados de Lady Worth e Belle, para que ambas possam torná-la uma dama. Semanas depois, Henry virou uma incomparável e é uma sensação em Londres, mas ela foi se apagando e deixando de ser indomável para se tornar insegura e submissa aos desejos de se encaixar naquela sociedade. Pra mim, foi até compreensível, porque era um mundo que ela não conhecia e que faria parte, mas não gostei de Dunford acreditar que seria algo que ela desejaria.

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“Ela acaba de se tornar a queridinha da sociedade, mas será que ela não apenas conquistará a todos, mas também o coração de um dos solteiros mais convictos de Londres?”

Diferentemente de Brilhante que precisou de seus personagens secundários para movimentar a história, aqui eles cumprem exatamente seus papéis aparecendo em momentos importantes, mas sem roubar a cena para si. Com Henry como convidada dos Blydons, teremos bastante deles assim como Alex. Emma está de resguardo, então vai, aparecer mais para o final da história, já que naquela época não era apropriado que frequentasse os eventos sociais tendo acabado de ter um bebê. E chegamos ao fim da trilogia, com um grande parênteses aqui, porque temos a noveleta ‘Um Conto de Duas Irmãs’ no livro O Herói que Faltava que trás a história de Ned Blydon, irmão de Belle. Ele pouco apareceu no último livro, mas é um personagem que foi apresentado nesta história como um projeto de libertino tanto que Dunford fala que Henry precisa se manter longe dele. Confesso que por um pequeno momento desejei que ela se interessasse por Ned, mas sabia que não ia rolar nada entre eles já que Henry só tinha olhos para Dunford.

A Editora Arqueiro arrasou nessas capas. Achei tão lindas, delicadas e que combinam tão bem entre elas. A diagramação é simples, dentro do padrão da editora e assim como os livros anteriores também teve brinde na pré-venda. Nesse veio um porta-retrato imantado. Como venho falando nas resenhas anteriores, essa trilogia marca o início de carreira da Julia Quinn, então é perceptível a evolução dela como autora quando comparamos esses livros mais antigos com os mais recentes.

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“Ele a encarou como se ela fosse um tesouro inestimável, incapaz de acreditar na emoção que brilhava em seus olhos. O calor daquele olhar o envolveu, o acalmou, fez com que se sentisse capaz de conquistar o mundo.”

Indomável veio para finalizar a trilogia Damas Rebeldes e digamos apenas que eu gostei muito mais dele do que dos livros anteriores. O romance entre Dunford e Henry foi construído de uma maneira mais delicada se fixando incialmente mais na amizade entre eles. Eles são explosivos, sempre com diálogos inteligentes e divertidos. Achei o menos erótico justamente porque Dunford lutou para manter a reputação de Henry intacta, sem nenhum mexerico maldoso. Julia Quinn se perdeu em alguns momentos nessa história fazendo com que ficasse mais cansativa, mas depois desse breve deslize, a história ganhou um ritmo mais interessante e eu finalizei a leitura amando essas damas rebeldes e enxergando que este livro levaria minhas 5 Angélicas.

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