A Hora do Chá ‘Nada Escapa a Lady Whistledown – Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan’

Oi ooooi gente! Hoje é dia do nosso chá e véspera da estreia da nova temporada de Bridgerton. Eu não sei vocês, mas eu estou uma pilha de ansiedade! Pensando em uma forma de dar uma aquecida no coração – além de reler os livros dos irmãos, é claro -, peguei para ler Nada Escapa a Lady Whistledown. Essa história é composta por quatro contos, escrito por quatro autoras, em que Lady W volta e conta histórias de outros membros da sociedade. Antes de falar sobre eles, vamos a sinopse…

Em Nada escapa a lady Whistledown, a cronista eternizada por Julia Quinn continua a revelar os acontecimentos mais apimentados da temporada londrina. Suas colunas são o fio condutor das quatro histórias que formam esta encantadora e divertida coletânea.
Julia Quinn encanta…
A alta sociedade está em polvorosa, afinal a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente…apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis.
Suzanne Enoch fascina…
Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas.
Karen Hawkins seduz…
Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro.
Mia Ryan delicia…
Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora.

Julia Quinn sentiu falta de Lady Whistledown, depois que ela se revelou em Os Segredos de Colin Bridgerton. A cronista aposentou sua pena em grande estilo e deixou saudades na autora. Mas, anos depois, surgiu a ideia de criar uma antologia em que ela pudesse voltar com as colunas de Lady W., e assim contar mais histórias, sobre mais personagens importantes da sociedade. Então, a Londres de 1814 – sim, o mesmo ano de O Visconde que me Amava -, tem muita história para contar e JQ vai precisar de ajuda.

Suzanne Enoch é responsável por Um Amor Verdadeiro, o conto que abre o livro. Nele, Lady Anne Bishop é prometida ao marquês de Halfurst desde sempre, mas o homem nunca lhe escreveu uma carta sequer. Mas, depois de sair sobre sua prometida no jornal de Lady W., o nobre sairá de Yorkshire até Londres, para tentar conquistar aquela que já seria sua. Só que não será tão fácil. Apesar de ficar impressionada com sua aparência, Anne se recente da indiferença do seu pretendente, e vai deixar isso bem claro. Além disso, não gosta nenhum pouco da ideia de sair da cidade e ir para o campo. Enquanto vê o passado de sua família ressurgindo, o marquês precisará convencer Anne sobre seus sentimentos, enquanto ela lida com os próprios. Dessa forma, os dois vão descobrir se conseguirão ficar juntos.

– Se espera que eu me renda – disse ela, a voz ligeiramente trêmula -, caberá ao senhor convencer-me.
Maximilian sorriu.
– Que comece a batalha.

Karen Hawkins escreveu Dois Corações, em que temos a Srta. Pritchard e sua presença marcante na sociedade. Já sendo uma solteirona, com bastante dinheiro, Liza se sente livre, mas também sente falta de algumas coisas, como a chance de ter filhos. Por isso, até Lady Whistledown percebeu que ela e o Lorde Durham estão bem próximos, podendo estar ouvindo os sinos do altar. Isso preocupa muito Meg, a Lady Shelbourne, afinal, ela quer proteger a sua melhor amiga. Por isso, a nobre pede que seu irmão, Royce Pemberley, para descobrir tudo o que pode sobre o homem que está fazendo o cortejo a Liza. Ao mesmo tempo em que descobre que Durham é honesto e tem as melhores intenções, também entende que ele não tem nada a ver com Liza e, indo além, acaba mexendo com seus próprios sentimentos. Só que Royce fez de Liza sua amiga por muito tempo, contando sobre suas aventuras e mais. Sendo assim, a mulher sabe muito bem como ele se comporta. Então, o homem vai precisar correr contra o tempo para provar que pode ser digno do amor da srta. Pritchard.

Mia Ryan é a autora de Uma Dúzia de Beijos. Nele, quem brilha é Lady Caroline Starling. Ela passou por muitas provações nos últimos tempos, mas agora ela está perto da perfeição. Sua vida mudou depois que seu pai morreu e o novo herdeiro tomou posse de tudo, e a expulsou de casa, junto de sua mãe. Depois de anos, o marquês de Darlington retorna à Londres e Linney logo vai conhecê-lo. E, embora tenha sido atraída desde o primeiro momento, ela sabe que o lorde não merece muito de sua atenção. Ele tem comportamentos grosseiros, gosta de dar ordens e não se comunica muito bem. O que a senhorita não pode imaginar, que essas coisas são consequências de um grave ferimento de guerra, que Dare sofreu. Mas, ele terá que aprender a lidar com esses problemas, se quiser ter uma chance com Lady Caroline.

Liza acreditava que ela e Royce eram tão bons amigos por essa razão – ela o conhecia e o aceitava sem reservas. E acreditava que ele sentia o mesmo por ela.

Julia Quinn, a dona de tudo, ficou com a missão de finalizar o livro, com Trinta e Seis Cartões de Amor. Nessa parte, vamos encontrar com Susannah Ballister, que tinha sido um grande destaque da temporada anterior e que todos pensavam que se casaria com Clive Mann-Formaby, até que ele anunciou o seu noivado com outra senhorita. Se sentido humilhada e alvo de fofocas, ela acabou encerrando sua temporada antes da hora, mas agora é hora de voltar. Ainda sendo alvo de cochichos e sendo deixada tomando um chá de cadeira, ela verá tudo mudar quando esbarrar com David, conde de Renminster, e irmão de Clive. Com um senso de dever, ele resolve chamá-la para dançar e os dois acabam conversando. Depois disso, um não deixará os pensamentos do outro. Entre encontros e conversas, o sentimento nascerá entre eles. Só que Susannah ainda está ferida dos acontecimentos marcantes, com medo de tudo ser imaginação de sua cabeça e acabar piorando sua situação. Já David, não sabe se terá seus sentimentos retribuídos. Se os dois quiserem ficar juntos, vão precisar descobrir como falar sobre o que acontece entre eles.

De uma forma geral, os personagens são bem interessantes, mesmo que as histórias se pareçam um pouco umas com as outras, especialmente no quesito amor entre os principais. Mas, ainda sim, dá aquela aquecida no coração. Os personagens são interessantes e desperta a vontade de conhecê-los mais, ao mesmo tempo que cumprem o propósito de uma trama curta. Se eu tiver que eleger a ordem de preferência, fico com Julia Quinn, Mia Ryan, Suzanne Enoch e Karen Hawkins. Talvez por ser o maior, JQ conseguiu aprofundar mais alguns pontos sobre Susannah e David.

– E não significa nada que o senhor tenha cabelo na parte de trás da cabeça ou que meu coração palpite quando o vejo. Acredito que ele palpite assim porque odeio o senhor!

As histórias tem suaves interligações, com pequenas participações dos personagens pelos contos. São delicadas mesmo, é necessário prestar atenção nas aparições. Inclusive, até mesmo JQ cita algumas coisas em sua carta. Isso é bom, deixa com que as histórias sejam mesmo independentes entre si, mas claramente dentro do Juliaverse. O único ponto que, para mim, ficou devendo, é que a história se passa em 1814, durante um inverno tão rigoroso, que foi capaz de congelar o Tâmisa, mas que atraiu a sociedade de volta para a cidade. Coisa que nunca foi citado em Bridgertons, especialmente no segundo livro, que se passa no mesmo ano. Além disso, aparecem sobrenomes muito parecidos com uns já utilizados, o que pode acabar gerando uma pequena confusão.

Obviamente, eu já conheço a escrita da Julia e até mesmo já havia lido seu conto, por causa do box de Bridgerton. Foi uma história muito gostosa mesmo. Assim como também já conheço a Suzanne Enoch e podemos ver que tem um pouco da sua marca registrada ali, com personagens teimosos e determinados. Karen Hawkins foi uma surpresa, afinal, nunca tinha lido nada da autora. Infelizmente, ela escreveu o conto que menos gostei, sinto que ela precisou correr para resolver as coisas e tudo saiu com uma vibe mais apressada. Outra que não conhecia era Mia Ryan e, apesar de seu conto ser o mais curto, ela conseguiu tocar meu coração e me fez dar suspiros pelo casal. De qualquer forma, foi bom poder ver Lady W. de volta à ativa, fazia um longo tempo…

– E quem é o herói da sua história, srta. Ballister?
– Não tenho um herói – disse ela, de forma afetada. – Pensei que isso estivesse óbvio.

No quesito diagramação, a Arqueiro vem com seu interior já conhecido: páginas amareladas, letras e espaçamento confortáveis para a leitura. Os contos são devidamente apresentados, com seus títulos e a autora responsável pela escrita. A capa é linda, com elementos marcantes do romance de época.

Nada Escapa a Lady Whistledown é um passatempo delicioso. É uma forma de revisitar a sociedade e matar as saudades da cronista mais famosa dos romances de época. Deixo quatro Angélicas. Mês que vem eu volto com o segundo livro da duologia.

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