A Hora do Chá: ‘Como um Sopro no Vento – Anna Belfrage’

Oi gente!! Hoje o chá trás um livro com uma temática bastante diferente do que a gente costuma falar por aqui. Pois, além de misturar viagem no tempo, temos outros temas bastante inusitados para o gênero, como escravidão e o desbravamento das colônias nas Américas. Apesar de ser uma história que se passa na Escócia, nesse segundo livro da série The Graham, a autora vai explorar uma história de homens e mulheres escravizados na Virginia, EUA. Antes de falar um pouco mais, fiquem com a sinopse…

“Como um sopro do Vento é o segundo livro da série de viagem no tempo de Anna Belfrage, com a viajante Alexandra Lind e seu marido do século XVII, Matthew Graham.
Matthew cometeu o erro de sua vida quando cortou o nariz do irmão. Em vingança, Luke Graham sequestrou e enviou Mathew ilegalmente para uma Colônia da Virgínia, para ser vendido como escravo, uma espécie de sentença de morte.
Matthew chega à Virgínia em maio de 1661, e qualquer esperança que ele tivesse de encontrar alguém disposto a ouvir sua história de sequestro ilegal é rapidamente extinta. Ele também percebe que ninguém jamais sobreviveu aos sete anos de servidão, não na plantação de Suffolk Rose.
Felizmente, Matthew tem uma esposa notável que não tem intenção de deixar o marido morrer, e então Alex Graham parte em uma perigosa jornada para trazê-lo para casa.
Alex é atormentada por pesadelos em que Matthew morre em um naufrágio e não sobrevive a suas provações. Ela reza por um milagre que a leve rapidamente ao encontro dele, mas o destino tem outros planos, e o que deveria ter sido uma travessia de dois meses se transforma em uma aventura de um lado a outro do Atlântico. Ela o encontrará a tempo? E se o fizer, será capaz de pagar o preço necessário para comprá-lo de volta?”

Alex Lind, agora Sra. Graham, quase foi sugada de volta para a sua época, mas o amor e a determinação de Matthew a mantiveram na Escócia do século XVII. O casal agora tem o pequeno Mark e se não fosse pela interminável rivalidade entre Matthew e o irmão mais novo, Luke, poderia dizer que tinha encontrado seu final feliz. Infelizmente tudo que tinha acontecido no passado deles, como Matthew cortar o nariz de Luke, os deixavam sempre prontos para retaliação. Isso acontece no momento em que Graham não estava esperando e da forma mais cruel possível. Matthew é sequestrado e vendido como escravo.

“Luke apontou o dedo para o metal reluzente, deixando Matthew saber que ele se lembrava bem de quem o havia machucado tanto e não o perdoara, nem jamais o perdoaria.”

Quando ele acorda já está num navio sendo enviado para uma colônia na Virgínia, nas Américas. Ele tenta argumentar que é um senhor de terras, que há um grande engano, que foi vendido ilegalmente, mas ninguém está interessado em sua história. Ele desembarca meses depois em terras completamente desconhecidas e é sentenciado a trabalhar como escravo numa plantação de tabaco. Chegando lá, Matthew ainda tenta contar sua história, mas descobre que o único jeito de sair de Suffolk Rose é cumprindo seus sete anos de servidão ou morto. Logo ele vai descobrir que ninguém jamais sobreviveu para tentar voltar a sua antiga vida e mesmo que tenha muita fé de Alex vá encontrá-lo, a esperança vai morrendo um pouquinho a cada dia.

IMG_20210715_162144

Enquanto isso, Alex descobre o que aconteceu com o marido e não vê outra alternativa do que embarcar num navio em direção as Américas. O filho ainda é muito pequeno, mas ela sabe que pode contar com os cunhados, Joan e Simon, para tomar conta dele e das terras da família. Nesse momento o que mais importar é resgatar seu Matthew com vida. Ela junta o que acha que seria necessário para sobreviver os próximos meses e também para pagar pela liberdade do marido e junto com sua fiel escudeira, Sra. Gordon, embarca para um destino que ela não tem ideia do que esperar.

“Perdi um filho uma vez. Meu pequeno Isaac… mas encontrei Matthew e foi o suficiente. Agora tenho que deixar um segundo filho para trás.”

São muitos meses separados e cada um sofrendo suas próprias dificuldades. É claro que para Matthew é muito pior, pois ele sofre maus tratos diariamente. Sem falar das milhares de vezes em que é espancado pelo superintendente da fazenda, Jones, apenas por continuar a dizer que está ali por engano. Jones quer quebrar a alma de Matthew e por mais que ele pretenda manter a cabeça erguida, a cada dia fica mais difícil garantir essa determinação. E paralelo a isso, temos Alex numa travessia sem fim e, que por mais que pareça sem sentindo ficar mostrando tanto do dia-a-dia dela no navio, a autora estava nos apresentando novos personagens e que alguns deles de fato se tornariam importantes para o enredo geral, como Don Benito e o capitão Miles.

“Ela viria atrás dele, o encontraria e em suas entranhas uma flor de esperança cresceu. Se alguém podia fazer isso era ela. Foi difícil manter esse raio de esperança nas semanas seguintes.”

Em 2005, Magnus, pai de Alex, ainda não aceita o fato da filha ter sido sugada para uma época que não é a dela. Mesmo que tenham se passado três anos desde o sumiço dela, o homem ainda acredita que verá a filha novamente. Enquanto isso não se torna possível, ele tenta está sempre presente para Isaac, o filho que Alex deixou para trás. O menino é criado por John, ex-noivo da filha, e pela atual esposa do homem, Diane. Todos tentam ser presentes e dar amor a Isaac, mas ele não esqueceu da mãe nos últimos meses demonstrou um grande interesse pela pintura assim como sua avó, Mercedes. O medo de todos é de que ele também tenha herdado os poderes mágicos dela e que possa criar portais do tempo através das pinturas.

“— Faz a minha cabeça doer. Passo noites tentando desvendar essa referência circular. Como a minha filha voltou no tempo e morreu antes de eu nascer.”

Acreditem, eu contei muito pouco sobre a trama. O livro tem quase 500 páginas, muitos arcos e muitos plots. E talvez todos os arcos prejudiquem a história como um todo, pois em alguns momentos a narrativa se torna cansativa. Eu até mencionei acima o fato de termos muitos capítulos da Alex no navio e que eu, sinceramente, achei desgastante. A história se movimenta mais após a chegada dela na Virginia, pois não basta apenas saber onde seu marido está, ela teve muito trabalho para recuperá-lo. Sem deixar de frisar que nesse trabalho tivemos uma cena de humilhação e abuso, mas que Alex precisou passar para que tivesse a liberdade de Matthew de volta. E o retorno de Matthew acaba trazendo outros sentimentos, pois levou quase um ano para que Alex finalmente pudesse encontrá-lo e quando isso aconteceu, o espirito do homem já estava quebrado.

IMG_20210715_161555 (1)

Um dos pontos mais positivos dessa história foi a maneira em que a autora abordou o tema escravidão. Naquela época, os Estados Unidos ainda era uma colônia inglesa e era muito comum o comercio de escravos no mundo inteiro, então achei importante ela trazer esse assunto para dentro de sua história. Matthew representou o que aconteceu com muitos homens e mulheres e como a vida de trabalhos forçados, maus-tratos e abuso ceifou tantas vidas. Ele como um dos personagens principais, sobreviveu, mas sabemos que essa não foi a realidade de muitas pessoas que viveram naquela época. Depois de resgatado, ela ainda mostrou o quanto o personagem tinha sido afetado por aquela vida e que talvez nunca recuperasse o que aquele campo de escravidão arrancou dele.

Outro ponto mais do que positivo é a viagem no tempo. Incorporar um tema como esse deixou a história mais interessante e eu estava com medo de que a autora não abordasse mai,s já que claramente Alex ficaria para sempre no século XVII. Só que aí, ela me surpreendeu quando inseriu Don Benito no caminho da moça. Sem falar de trazer um personagem do presente direto para uma Escócia de 1661 foi um dos pontos mais positivos, pois de certa maneira, eu enxergava a Alex muito egoísta por ter, de certa forma, esquecido de sua vida no século XXI. Sem falar que a ‘viagem’ desse personagem deu o encerramento de que Magnus tanto precisava.

“— Eles não estão aqui — Isaac virou-se para Magnus. — A casa está aqui, mas eles se foram!”

A edição de Como um Sopro no Vento também recebeu uma capa linda e que super combina com a história iniciada em Sob o Véu do Tempo, o primeiro livro da trilogia The Graham. A diagramação seguiu o padrão do livro anterior, mas infelizmente neste segundo livro, eu achei vários errinhos de revisão. Como a gente sempre comenta nas nossas resenhas, os livros da Cherish são apenas digitais, então só temos ebooks. Felizmente todos estão disponíveis para os assinantes do Kindle Unlimited. A narrativa da Anna Belgrafe é muito detalhada, ainda mais por ela trazer elementos históricos para suas histórias.

IMG_20210715_162208

Como um Sopro no Vento é uma sequência direta do livro anterior, então as pontas soltas foram desenvolvidas neste segundo livro e é uma trilogia, a autora já foi deixando o que gostaria de abordar no último livro. Ainda que o livro tenha seus altos e baixos, eu gosto muito da trama em geral. Mais uma vez, Alex carregou a história, sendo uma mocinha forte e determinada. Ela realmente lutou pelo casamento ao embarcar numa viagem ao outro lado do oceano, tudo para trazer seu Matthew de volta para casa. E mesmo depois de recuperá-lo, ela ainda lutou para que o marido recuperasse seu espirito. Dona da história e ponto final. Enfim, mesmo não gostando completamente de tudo, eu deixo minhas 4 Angélicas.

CLASSIFICAÇÃO 4 ANGÉLICAS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s