A Hora do Chá ‘Casamento de Conveniência – Georgette Heyer’

Oi ooooi gente! Hoje é dia de chá, bebês! E chego trazendo a resenha de Casamento de Conveniência, da Georgette Heyer. O livro não é lançamento por aqui, mas ele ganhou uma nova e lindíssima edição esse ano e, além disso, também foi a Joia do Catálogo, da segunda caixa do Clube da Carina. Então, como não poderia deixar de ser, logo me joguei nessa leitura. O ruim é que ela não foi tudo aquilo que eu esperava. Depois desse pequeno spoiler, fiquem com a sinopse…

Quando o conde de Rule pede a mão de Elizabeth Winwood, não sabe o problema que causará à bela jovem. Ela está comprometida com o admirável mas pobre tenente Heron. O final infeliz para essa história só pode ser impedido pela impetuosidade da irmã mais nova de Elizabeth, Horatia, que se oferece para se casar com lorde Rule. 
Numa revolução literária para a época, o casamento aqui não é visto como o final feliz para a história, mas como seu ponto de partida, o mote a partir do qual a trama se desenvolve. Sexo e amor ocupam espaços próprios na literatura. E sexo não necessariamente significando trégua entre os amantes.

As irmãs Winwood estão reunidas quando recebem a visita de sua prima Theresa. Ela está desesperada para falar com a mais velha, porque precisa saber se a grande notícia é verdade, se o conde de Rule pediu a mãe de Elizabeth em casamento. E, quando isso se confirma, ela fica felicíssima pela sorte que recaiu sobre a família, especialmente Lizzie. Se tornar uma futura condessa, se casar com um homem com muitas posses e com fama de ser um bom conquistador e amante. Mas, em sua empolgação, mãe parece esquecer que a jovem já tem um pretendente, a quem ama. Infelizmente, a família precisa de dinheiro e o sr. Heron não pode ajudar nessa parte, ainda mais sendo um mero tenente.

Não haverá outra forma, Rule quer casar com uma Winwood e Lizzie está pronta para se sacrificar por sua família, mesmo que isso parta seu coração. Pelham, o visconde irmão dela, de Charlotte e Horatia, tem se envolvido em dívidas e tudo precisa ser resolvido. Só que, enquanto ela parece conformada com seu futuro iminente, sua pequena e corajosa irmã mais nova, Horatia, não está. Ela gosta de Edward e não acha justo que ele não possa se casar com Elizabeth. Sendo assim, toma uma decisão: vai atrás de Rule, para fazer uma proposta. Se ele quer se casar com uma delas, ela vai se oferecer como opção. Não é a situação habitual, ela não é a mais bonita, a mais velha, ainda por cima é gaga, mas quer poder dar a chance de felicidade ao casal que se ama.

– De-deve ter no-notado que sou um po-pouco… gaga.
– Sim, notei – respondeu o conde com delicadeza.
– Se a-acha que não po-pode su-suportar isso, vo-vou entender per-perfeita-tamente – disse Horatia com a voz baixa e ansiosa.
– Gosto disso – disse o conde.

Depois que explica toda a circunstância, Rule diz que não é preciso ela se oferecer para o casamento, ainda mais pela diferença de idade. Ela tem apenas 17 anos, ele já está na casa dos 35. Ele aponta que seria uma coisa pouco atraente, mas ela é persistente. Diz que não irá interferir na vida dele, que o casamento será de conveniência. Apesar de todos os pontos que Horatia também aponta sobre seus defeitos, o conde aceita o casamento. E então, segue para falar com a família da jovem, para o espanto de umas e felicidade de outras. Além disso, pede que Rule ajude Edward Heron a conseguir uma patente de capitão, para que ele possa se casar com a sua irmã.

O casamento então acontece e a vida dela mudará completamente. Finalmente, Horry será apresentada para a sociedade e ela já chega sendo falada. Roupas, penteados e sapatos extravagantes, adora jogar, tanto quanto essa fama ronda sua família, e gosta de participar de festas. Isso desperta a atenção de lorde Lethbridge e tem uma pessoa que irá se aproveitar disso, Lady Massey. Ela é amante de Rule e não aceita muito bem o fato de que nunca se tornaria esposa, além de que nunca terá o amor dele. Então, seu plano é poder tirar a pirralha rival do caminho, através do escândalo. E, se esses dois já não seriam ameaças suficiente, o sr. Drelincourt, que é primo e herdeiro de Rule, também não vai ficar feliz com esse casamento, que tanto ameaça o seu futuro.

Aquela criança de sobrancelhas negras não era nenhuma menininha tola e afetada. Santo Deus!, pensou ela, como a menina o aturdiria! Era melhor, muito melhor do que tinha planejado. A docilidade de Elizabeth não responderia ao propósito com tanta eficiência quanto a turbulência de Horatia.

Mas, a verdade é que Lethbridge prefere agir sozinho e com cuidado, para chegar em Horry. Ele vai pelo caminho da amizade, da disputa de um jogo e, contrariando os conselhos de seu irmão e de seu marido, ela aceita ser amiga dele. Até entender qual é a sua intenção e saber que existe uma rivalidade entre o lorde e seu marido. Só que o fato dela compreender isso e decidir se afastar, não será o suficiente para parar um homem determinado. Ela então, precisará descobrir um jeito de se livrar dele, com a a ajuda de seu irmão e amigos, antes que arrume um grande escândalo para o seu marido.

Horatia me conquistou no início. Achei incrível como ela, sendo apenas uma menina de 17 anos é tão decidida. Acho louvável o sacrifício que ela fez, o modo como apresenta os fato a Rule, como fala de si mesma. E, como também é normal da idade, fica deslumbrada depois que passa a poder fazer tudo o que sempre quis e agora como uma mulher casa consegue realizar. Ela acaba teimando em alguns momento, mesmo ouvindo conselhos, mas não considero apenas culpa dela. Seu marido, seu irmão e outras pessoas, poderiam usar mais da sinceridade nas conversas que tiveram com ela. A única que chegou perto disso, foi sua cunhada, tanto que isso abriu os olhos de Horry. Sinto que, ainda que boa parte da sociedade tenha se rendido a ela, essa busca foi pelo fato de nunca se sentir aceita. Depois por acreditar que nunca teria amor em seu casamento, que ele seria unicamente por conveniência. Acaba sendo tragada para vinganças e armadilhas, enquanto tenta descobrir o que sente pelo marido e o que ele pode sentir por ela.

– Es-está fu-furioso demais? – disse impulsivamente.
A carranca se desfez.
– A fúria é uma emoção fatigante, minha cara. Estava me perguntando como curá-la.

Rule é que foi meu problema, o que não quer dizer que ele seja uma pessoa ruim. Os momentos em que ele aparece são, muitas vezes, engraçados. O que pega é que ele some por vários períodos do livro. E, quando aparece, mesmo que a narrativa seja em terceira pessoa, não conseguimos nos conectar com o que ele pensa, o que ele quer. Gosto que ele nunca tenha tirado proveito de Horry, mas sinto que faltou tanta conversa entre eles, muita sinceridade. Ele já era um homem, enquanto ela era apenas uma menina. Faltou entregarem mais dele, para que a gente pudesse criar uma relação mais pessoal e até mesmo amá-lo. Ele se torna incrível pela confiança que tem em Horatia, por apostar na força dela e na palavra dela.

O que o livro nos entrega são vários secundários. Tantos, que em alguns momentos me senti até meio perdida em informações. O ruim é que não se aproveita metade deles. Quase todos são insuportáveis, com péssimos propósitos. Até mesmo Charlotte, a irmã do meio das Winwood, trata a menor muito mal. Senti que Horatia precisava muito de uma amiga e isso também lhe foi negado, alguém para poder trocar confidências, para dar apoio. Quem mais chega perto disso é Pelham, seu irmão. Ainda que ele seja uma pessoa com vários defeitos, ele também está disposto a se arriscar bastante pra ajudar e defender Horry. Sendo assim, foi um dos poucos que gostei. Edward Heron também se arrisca para ajuda a jovem, não só porque gosta dela, mas por ser muito grato a ajuda que ela lhe prestou.

– Imagino que todos nós desejamos a mesma coisa – disse secamente.
– Mas o meu motivo é, de longe, o mais puro – replicou milorde.

Esse não é o meu primeiro livro de Georgette Heyer, mas confesso que não lembro tanto da história de Ovelha Negra. Sendo assim, foi quase tudo uma novidade. Primeiro de tudo, preciso dizer que achei a escrita da autora muito boa, muito fluída. Digo isso porque, apesar de não ter gostado tanto do resultado final, eu não conseguia parar de ler. O modo como ela me prendeu, me deixou impressionada, justamente por não ter gostado de como muita coisa foi desenvolvida. Talvez seja uma grande loucura e confusão, mas é como me senti. Achei que faltou muita coisa ser abordada, senti falta de um romance. Tudo bem o livro falar de um casamento de conveniência, mas até mesmo pela sinopse, esperava que tivesse uma sedução, o nascimento de um grande amor. Até mesmo do sexo senti falta, mas esse não quero entrar em muitos detalhes. Apesar das ressalvas que tive, leria um novo romance da autora. Posso não lembrar bem do que já tinha lido, mas lembro de gostar. Esse, entre erros e acertos, também me envolveu. Então, ainda vou fazer um melhor de três, para saber como me sinto em relação a autora.

Como disse lá em cima, essa é uma nova edição que a Editora Record lançou, com uma nova capa e novo tamanho. Por sinal, essa capa é lindíssima! Desde que a vi pela primeira vez, fiquei pensando em como a modelo me lembra a Gigi Hadid. Mas, apesar de tudo isso, preciso confessar que ela não tem NADA a ver com a trama, além é claro, de ter um vestido de noiva, que sequer parece ser da época. Por dentro, simplicidade. As páginas são amareladas, com espaçamento e letras confortáveis para a leitura.

– Es-estou extre-extremamente feliz em vê-lo. Mas o que trou-trouxe de volta tã-tão cedo, senhor?
– Você, Horry – respondeu ele, sorrindo para ela.

Casamento de Conveniência é um livro que faz parte da minha lista de desejos há muito tempo, mas ficou muito abaixo do que eu esperava. Existe a minha expectativa em cima, mas também acho que faltou romance, que faltou sedução, que faltou muita coisa para dar liga entre Horry e Rule. Mas, apesar do que acho que faltou, não posso negar que devorei o livro, muito pela escrita da autora, que é boa. Fazendo esse balanço, deixo três Angélicas.

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